Início / Eleições 2026

Haddad busca vice do agro para romper cerco em SP

O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) mira a pecuarista Teresa Vendramini (PDT), conhecida como Teka, para tentar quebrar a resistência do interior paulista ao PT. A engenharia da vice mostra que a fala sobre “lavagem cerebral coletiva” contra o empate Lula-Flávio Bolsonaro tem outro endereço: o voto conservador fora da capital.

Teka recusou convite feito diretamente por Haddad, embora o PT ainda considere tentar convencê-la. Aliados do ex-ministro mantêm conversas e demonstram otimismo.

A possível escolha tem cálculo frio.

O PT quer um nome ligado ao agronegócio para buscar votos no interior, onde, está metade do eleitorado paulista e há rejeição forte ao petismo.

Teka foi presidente da Sociedade Rural Brasileira e tem trânsito em conselhos ligados ao governo, ao setor produtivo e ao sistema financeiro. Ela integra espaços como o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Fundo Amazônia, a JBS e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Esse currículo explica o assédio eleitoral.

Haddad não precisa de uma vice para falar ao eleitor petista da capital. Precisa de alguém que entre em cidade média, feira agropecuária, sindicato rural, cooperativa e associação comercial sem carregar a rejeição automática que o PT acumulou em parte do interior paulista.

A escolha também tenta responder ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ocupa o Palácio dos Bandeirantes com base forte fora da capital e diálogo orgânico com o bolsonarismo, o agro e a direita econômica.

A frase de Haddad sobre “lavagem cerebral coletiva” foi dita na sexta-feira (1º), em ato do Dia do Trabalhador, na Liberdade, em São Paulo. O petista reagiu ao empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas para o Planalto.

Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de abril mostrou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 45%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. O número acendeu a luz vermelha no campo lulista.

Haddad bateu na comunicação da direita, mas a conversa com Teka revela uma leitura mais prática.

O petismo sabe que discurso nacional não basta para ganhar São Paulo. A derrota de 2022 para Tarcísio deixou uma lição dura: sem atravessar o interior, Haddad fica cercado pela capital, pela Grande São Paulo e por bolhas progressistas.

Teka, se aceitar, entra para cumprir uma função parecida com a de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa de Lula em 2022: reduzir medo, abrir portas e dar uma senha de moderação a setores que não votariam espontaneamente no PT.

A diferença é que São Paulo de 2026 não é a eleição presidencial de 2022. O adversário estadual tem máquina, palanque conservador, ligação com o interior e um governo inteiro para defender.

Por isso a possível vice do agro não é detalhe de composição. É a confissão de que Haddad precisa disputar o terreno onde o PT apanha faz tempo.

A pergunta é se Teka aceitará sair da condição de ponte para virar candidata.

Até agora, ela negou pretensão política, mas disse que poderia ajudar Haddad no diálogo com o agronegócio. Essa zona cinzenta basta para manter a especulação viva.

Para o Blog do Esmael, o movimento expõe a contradição central da pré-campanha paulista: Haddad fala duro contra a direita nacional, mas procura uma vice capaz de suavizar a marca petista no interior.

A disputa paulista virou teste de tradução. Se Haddad não conseguir falar a língua do interior sem renunciar ao seu campo político, Tarcísio continuará jogando em casa onde o PT mais precisa crescer.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Lula puxa STF contra bomba fiscal do Senado; China abre rota ao agro enquanto Trump ameaça tarifa; Fertilizante de Lula pode baixar custo do produtor rural