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Fertilizante de Lula pode baixar custo do produtor rural

O presidente Lula (PT) visita nesta quinta-feira (14) a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, retomada pela Petrobras em janeiro de 2026, numa agenda que chega ao Paraná pela conta do produtor rural: o governo tenta reduzir a dependência externa do insumo, mas ainda não apresentou dado que garanta queda imediata de preço no campo.

A Petrobras informou que a Fafen-BA recebeu investimento de R$ 100 milhões, tem capacidade de produzir 1.300 toneladas diárias de ureia e responde por aproximadamente 5% da demanda nacional. A visita de Lula, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e de autoridades federais estava marcada para 13h.

Para o Paraná, a pergunta não está na foto da agenda baiana. Está no custo da soja, do milho, do trigo, da proteína animal, do frete e da comida na mesa do consumidor.

Fertilizante é uma das contas que definem a margem do produtor. Quando o insumo fica caro, a pressão passa pela lavoura, chega às cooperativas, atravessa a agroindústria e aparece no preço final dos alimentos.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, calcula trimestralmente custos de produção de atividades agropecuárias e usa preços pagos pelo produtor na compra e locação de insumos e fatores de produção. Entre as culturas acompanhadas estão café, feijão, mandioca, milho, soja e trigo.

É por isso que a retomada da Fafen-BA interessa também a Cascavel, Toledo, Guarapuava, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e às regiões onde cooperativas e produtores organizam a safra com lápis fino.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirma que o Brasil responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e é o quarto maior consumidor do mundo, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 73% do consumo nacional.

Esse dado explica o tamanho do problema. O Brasil é potência agrícola, mas ainda depende de uma cadeia internacional sensível a câmbio, logística, energia e conflito geopolítico.

A ureia produzida pela Fafen-BA não muda sozinha o preço pago pelo produtor paranaense. Cinco por cento da demanda nacional é volume relevante para uma planta industrial, mas insuficiente para blindar o país contra os choques externos.

A agenda de Lula, portanto, tem dois planos. No discurso industrial, recoloca a Petrobras na produção de fertilizantes. Na economia real do Paraná, abre uma cobrança objetiva: a retomada nacional precisa virar previsibilidade de abastecimento e custo menor de produção, não apenas cerimônia de governo.

Em outubro de 2025, a Petrobras estimava entregar cerca de 20% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados em 2026 com a retomada de três unidades, incluindo plantas na Bahia, Sergipe e Paraná. A unidade paranaense mirava 8% da demanda de ureia.

Esse ponto dá ao Paraná um lugar próprio na fotografia. O estado não é apenas comprador de fertilizante. Também entra na discussão sobre produção nacional, logística, gás, indústria e política agrícola.

O governo Lula tenta vender a retomada como política de soberania. O produtor paranaense, porém, vai medir a promessa na planilha da safra, no preço da ureia, no crédito rural, no diesel do caminhão e no custo de armazenar e escoar a produção.

A agenda da Fafen-BA só será relevante para o campo paranaense se reduzir vulnerabilidade e aumentar concorrência no mercado de insumos. Sem esse efeito, o discurso fica em Brasília e Camaçari, enquanto a conta continua chegando ao produtor rural.

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