O presidente Lula (PT) deve deixar para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a promulgação do Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso após a derrubada do veto presidencial. A decisão tira a assinatura de Lula da lei que ele tentou barrar e empurra para Alcolumbre o carimbo formal de uma medida que beneficia condenados pelo 8 de janeiro.
O movimento é simples e politicamente calculado.
Lula tem prazo constitucional para promulgar o texto. Se não fizer isso, a tarefa passa ao presidente do Senado, no mesmo prazo.
A diferença está na digital.
Lula vetou integralmente o projeto. O Congresso derrubou o veto na quinta-feira (30). Agora, o Planalto tenta evitar que a foto final da Dosimetria tenha a caneta presidencial.
Alcolumbre passa a carregar o custo político da operação.
O senador já havia comandado a sessão que rejeitou Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Também presidiu a sessão do Congresso que restabeleceu o texto da Dosimetria, com efeito direto sobre condenados pela tentativa de golpe.
Para o bolsonarismo, a promulgação vira vitória concreta.
Para Lula, vira uma tentativa de reduzir o estrago: o projeto pode virar lei, mas não com a sua assinatura política.
O presidente não desfaz a derrota. Apenas desloca o rosto público da entrega.
Dito de forma direta: Alcolumbre ajudou a abrir a porta, conduziu a votação e agora pode ser chamado a carimbar o presente ao bolsonarismo.
A Dosimetria deixa de ser apenas disputa jurídica. Vira peça de campanha, memória de plenário e munição para 2026.
Lula tenta sair da fotografia. Alcolumbre pode ficar com o retrato nas mãos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




