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Americanos votam nesta terça em referendo sobre Trump

Milhões de eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça-feira, 3 de novembro, nas eleições de meio de mandato, as midterms. Estão em jogo os 435 assentos da Câmara dos Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado e 36 governos estaduais, além de milhares de cadeiras nas assembleias estaduais e dezenas de plebiscitos locais. O resultado define o controle do Congresso nos dois últimos anos do segundo mandato de Donald Trump.

Os republicanos têm maioria nas duas Casas. No Senado, são 53 cadeiras contra 47 dos democratas e dos independentes que votam com eles. Os democratas precisam ganhar quatro cadeiras no Senado e chegar a 218 na Câmara para retomar o comando das duas Casas. As primeiras urnas abriram em Vermont, às 5h15 no horário local, e mais de 56 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente.

O custo de vida domina a campanha. Pesquisa Reuters/Ipsos de outubro indica que o tema é o mais citado pelos eleitores registrados para votar. O preço médio nacional da gasolina chegou a 4,28 dólares por galão, 1,20 dólar acima do registrado no mesmo período de 2025, segundo a Associação Automobilística Americana. Os alimentos subiram 1,8% no último ano, e os preços das casas avançaram 2,1%.

A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, é reprovada pela maioria dos americanos e pesa sobre os candidatos do partido de Trump. O conflito também elevou o preço do petróleo e pressionou a inflação. A imigração é o outro tema central: a atuação ostensiva do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) virou alvo de críticas depois da morte de cidadãos americanos em Minnesota.

A apuração pode se arrastar. Disputas apertadas, regras diferentes para contar votos antecipados e pelo correio e a possibilidade de recontagem ou de ações judiciais podem atrasar o resultado final. Os primeiros colégios eleitorais fecham às 20h no horário de Brasília, e os últimos, na madrugada de quarta-feira. Os estados decisivos para o Senado são Michigan, Geórgia, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Texas, Iowa e Alasca. Na Câmara, a disputa se concentra em distritos de Michigan, Nova Jersey e Pensilvânia.

As disputas pelo Senado explicam o tamanho do pleito. Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed enfrenta o ex-deputado republicano Mike Rogers. No Maine, o progressista Troy Jackson tenta derrotar a republicana Susan Collins, que busca o sexto mandato. No Texas, o democrata James Talarico disputa com o procurador-geral republicano Ken Paxton. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper enfrenta Michael Whatley. Em Ohio, o ex-senador Sherrod Brown tenta voltar ao Senado contra Jon Husted.

O resultado interessa ao Brasil por um caminho direto. Um grupo de 25 deputados democratas enviou carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, para perguntar se o governo americano ajudou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a fugir para os Estados Unidos ou a entrar no país apesar das restrições judiciais brasileiras. Uma vitória democrata poderia abrir investigações sobre eventual tratamento privilegiado dado a Flávio Bolsonaro e à família dele, embora o Congresso não tenha poder para deportar ou cassar visto de estrangeiro.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, depois de perder o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. O senador contesta o resultado e sustenta que houve fraude, tese que não encontrou apoio nas comissões internacionais de observação.

A eleição também é um teste para o poder de Trump dentro do próprio partido. A impopularidade do presidente e o custo de vida são apontados como os principais obstáculos à manutenção das maiorias republicanas. Em 18 das últimas 20 eleições de meio de mandato, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara.

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