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Flávio Bolsonaro tenta tirar 2026 da anistia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tenta empurrar a campanha de 2026 para uma velha moldura contra Lula ao mirar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto tenta aliviar o peso político da anistia total aos condenados do 8 de janeiro. A campanha quer chamar o presidente Lula (PT) de “pai do Lulinha” para reforçar acusações de corrupção.

A estratégia foi atribuída pela Folhapress à campanha de Flávio Bolsonaro, mas ainda não há confirmação pública do núcleo bolsonarista. A aposta tem risco: ao puxar parentes para a eleição, o senador entrega a Lula a chance de devolver o ataque no mesmo campo, embora Lulinha não tenha mandato, cargo público nem função partidária.

O sentido político da manobra, porém, é claro. Flávio Bolsonaro passou os últimos dias colado à pauta da anistia, depois de visitar Anderson Torres na Papudinha, em Brasília, e prometer nas redes que seguirá lutando por “anistia total” aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado e cumpre pena na ala da Polícia Militar dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. Esse é o cenário que Flávio Bolsonaro tenta tirar do centro da disputa.

A tentativa de colar Lulinha em Lula funciona como troca de enquadramento. Em vez de responder por Papuda, anistia, tentativa de golpe e redução de pena, a pré-campanha bolsonarista tenta arrastar a eleição para uma acusação antiga de corrupção contra o entorno familiar do presidente.

A Folhapress informou que a campanha pretende explorar o caso das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), órgão responsável por aposentadorias e pensões, como peça de ataque contra Lula. A reportagem registra que Fábio Luís foi citado na investigação como possível elo com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador do esquema.

No entanto, ser citado em investigação não significa ser condenado, e relação comercial alegada não prova crime. A defesa de Lulinha reconheceu relação com Antunes, mas disse que se tratava de prospecção de negócios comerciais legítimos.

O problema de Flávio Bolsonaro é a proximidade entre discurso e calendário. Em 30 de abril último, o Congresso Nacional derrubou o veto de Lula ao projeto da dosimetria, que reduz penas de condenados por tentativa de golpe ligada ao 8 de janeiro. Na Câmara, o placar foi de 318 votos pela derrubada contra 144 pela manutenção; no Senado, foram 49 contra 24.

Dosimetria é o cálculo da pena. No caso aprovado pelo Congresso, o texto abre caminho para reduzir punições de condenados pelos ataques contra a democracia. O projeto segue para promulgação após a derrubada do veto presidencial.

Dois dias depois da votação, Flávio Bolsonaro foi à Papudinha visitar Anderson Torres e reafirmou a anistia total. A sequência expôs o eixo real da pré-campanha bolsonarista: transformar condenados do 8 de janeiro em símbolo de mobilização eleitoral.

Lula tende a explorar essa contradição. O presidente pode cobrar de Flávio Bolsonaro a defesa pública de condenados por tentativa de golpe, enquanto o senador tenta recolocar o PT no banco dos réus da propaganda eleitoral.

O bolsonarismo conhece a eficácia do antipetismo, mas a eleição de 2026 já não começa no mesmo terreno de 2018. O 8 de janeiro, a prisão de aliados de Jair Bolsonaro e a derrubada do veto da dosimetria deram material concreto para Lula associar Flávio Bolsonaro à agenda da impunidade.

A ofensiva contra Lulinha pode produzir ruído nas redes e nas falas de palanque. O custo político para Flávio Bolsonaro é carregar, ao mesmo tempo, a bandeira da anticorrupção e a defesa da anistia total para condenados por ataque à democracia.

A campanha de Flávio Bolsonaro tenta trocar o assunto da Papuda por Lulinha, mas a fotografia recente ainda pesa contra o senador. A disputa de 2026 já tem um conflito exposto: Lula quer manter o debate no 8 de janeiro; Flávio Bolsonaro tenta ressuscitar a moldura da corrupção petista.

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