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Lula reúne aliados e negocia a Esplanada com o Centrão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne nesta terça-feira, 3 de novembro, o núcleo mais próximo da campanha para avançar na formação do novo governo. A lista de convidados inclui o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), o senador eleito e ex-ministro Rui Costa (PT-BA), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva. Lula também deve gravar o pronunciamento sobre a vitória, a ser transmitido em rede nacional de rádio e televisão.

A reunião ocorre uma semana depois de o presidente ter acertado com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o apoio do Palácio do Planalto à reeleição dos dois. O acordo garante governabilidade ao quarto mandato, mas tem preço: espaço para o Centrão no primeiro escalão e a indicação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal (STF).

O compromisso com Alcolumbre é explícito. Em troca do apoio à recondução do senador e da pauta de interesse do governo no Senado, Lula encaminhará a indicação de Pacheco ao Supremo, e a vaga dele no TCU ficará com a bancada do MDB no Senado. O ex-governador do Amapá Waldez Góes permanece no Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A articulação foi conduzida enquanto Alcolumbre pautava a votação do fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança, que o Senado vota nesta terça-feira.

A composição da Esplanada mostra o tamanho do ajuste. Rafael Fonteles e Camilo Santana lideram o time de nomes fortes do novo governo: Fonteles segue cotado para a Fazenda e Camilo para a Casa Civil, enquanto Alexandre Padilha deve permanecer na Saúde. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, continua no cargo até a definição. A ex-ministra Gleisi Hoffmann, que não se elegeu senadora no Paraná, deverá assumir uma pasta. O titular da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, pode permanecer ou migrar para outro espaço.

O Centrão quer a SRI. A avaliação no Planalto é que o perfil ideal para a interlocução com o Congresso é o de um deputado com mandato, fora do PT ou da esquerda. O nome ventilado é o do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), próximo de Motta e ministro de Portos e Aeroportos no terceiro mandato. Alas do Republicanos, porém, defendem que ele volte à pasta. Lula foi criticado porque, no mandato atual, todos os ministros palacianos são petistas ou de esquerda, e a ideia é montar um Planalto “plural”.

A conta política é maior do que a soma dos cargos. O governo precisa de uma base estável para votar o Orçamento de 2027, a reforma eleitoral e a agenda econômica, num Congresso em que o PL terá as maiores bancadas a partir de fevereiro. Cada nome da Esplanada é uma moeda de troca nessa negociação. A indicação de Pacheco ao STF, em particular, transforma uma disputa institucional em ativo de coalizão: o tribunal que julga os processos do governo passa a ter um ministro escolhido no mesmo pacote que sustenta o governo no Congresso.

O risco do arranjo é a diluição do discurso da campanha. A promessa de um governo de frente ampla convive com a entrega de ministérios ao Centrão e com a resistência de parte da base a nomes que não são do campo da esquerda. Para o eleitor que votou em Lula por causa de pautas sociais, a composição da Esplanada é o primeiro teste prático do quarto mandato.

O desenho final deve sair nas próximas semanas. Até lá, a reunião desta terça-feira serve menos para anunciar nomes e mais para fechar a lógica do governo: quem manda na economia, quem faz a interlocução política e quanto o Planalto está disposto a ceder para garantir maioria.

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