O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira, 17 de abril, da Cúpula Empresarial Espanha-Brasil, em Barcelona, e usou o encontro para defender a economia brasileira e pedir mais investimentos no país.
O evento foi promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e a Confederación Española de Organizaciones Empresariales (CEOE).
Lula agradeceu aos empresários espanhóis pela confiança no Brasil e disse que o governo precisa mostrar oportunidades concretas de retorno para atrair capital estrangeiro.
“Desde a minha primeira eleição, eu dizia que, para que os empresários sejam motivados a fazer investimento no Brasil, é preciso que o presidente tenha a capacidade de mostrar aos investidores estrangeiros as possibilidades concretas que eles têm de fazer os seus investimentos e as possibilidades de retorno dos seus investimentos”, afirmou.
Na fala ao setor empresarial, o presidente citou indicadores econômicos para sustentar o convite. Segundo ele, o país vive inflação acumulada em quatro anos no menor nível da série recente, crescimento da massa salarial, desemprego em baixa e recordes no crédito ao agronegócio.
Lula também afirmou que o Brasil deve superar 350 milhões de toneladas de grãos e mencionou a Nova Indústria Brasil, programa que, segundo ele, deve chegar a quase R$ 600 bilhões em investimentos, com foco em fármacos.
“Nós, então, podemos dizer para vocês, se tem um lugar tranquilo que vocês podem investir é o Brasil. Vocês sempre serão bem-vindos ao Brasil”, disse o presidente.
O encontro reuniu autoridades, lideranças empresariais e representantes de setores estratégicos dos dois países. A agenda faz parte da tentativa de ampliar parcerias e diversificar as trocas comerciais entre Brasil e Espanha.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, lembrou que o acordo Mercosul-União Europeia deve entrar em vigor em 1º de maio, com apoio do governo espanhol. Ele disse que a medida prevê desgravação imediata de pelo menos 540 bens e cotas com tarifa zero para produtos como milho, etanol, arroz e proteína animal.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que a vigência do acordo pode acrescentar mais US$ 1 bilhão às exportações brasileiras ainda neste ano, somando-se aos quase US$ 50 bilhões já exportados pelo país.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, destacou que a Espanha é o segundo maior investidor histórico no Brasil e disse que o comércio entre os dois países é relevante para os dois lados.
Mais cedo, Lula participou de reunião restrita com o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, e da Reunião Plenária da I Cúpula Brasil-Espanha. Os dois países firmaram 15 atos, entre eles um memorando para cooperação em minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética e a segurança econômica.
Segundo o governo, a Espanha é a oitava maior parceira comercial do Brasil. Em 2025, a corrente de comércio chegou a US$ 12,6 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,96 bilhões. As exportações somaram US$ 8,78 bilhões e as importações, US$ 3,82 bilhões.
Na pauta exportadora brasileira, os principais produtos foram óleos brutos de petróleo, soja e minérios de cobre. Entre os itens importados, destacaram-se óleos combustíveis de petróleo e medicamentos.
A Espanha também aparece entre os principais investidores no Brasil há mais de duas décadas, com estoque estimado em cerca de US$ 50 bilhões em 2024. Mais de mil empresas espanholas atuam no país, com presença forte em finanças, telecomunicações e energia.
O governo tenta transformar a boa fase econômica em argumento para atrair capital externo. O teste será converter discurso em investimento, exportação e emprego.
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