Estudantes vão às ruas neste 11 de agosto contra o presidente Jair Bolsonaro; confira os locais dos atos

Estudantes vão às ruas neste 11 de agosto contra o presidente Jair Bolsonaro; confira os locais dos atos

A UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), neste 11 de agosto, Dia do Estudante, promete realizar atos em várias cidades brasileiras contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O mote da mobilização de hoje é a defesa da educação.

Em Curitiba, a manifestação será às 18h30 na Praça Santos Andrade (UFPR); no MAS, em São Paulo, às 9 horas; e 17h no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro.

A UNE aponta os cortes no orçamento das universidades, que deixam as instituições em estado de emergência, sem recursos, e estão em risco de fechar as portas. “Em meio a pandemia, em que é necessário fortalecer pesquisas, adaptações para aulas à distância ou ensino híbrido, ampliar políticas de permanência, já que estudantes e suas famílias perderam renda, o governo opta por sucatear o ensino. É inaceitável”, alerta Bruna Brelaz, presidente da entidade.

As organizações estudantis também alertam para a omissão do MEC, que não apresenta projetos de investimento para a educação, nem propostas e recursos para adaptação de escolas para o retorno às aulas seguro.

As entidades estudantis orientam a utilizar máscara PFF2, álcool em gel e adotar estratégias de distanciamento social.

Mobilização pela gratuidade para ausentes do ENEM 2020

A UNE, UBES, Educafro, Frente Antirracista, e os partidos PT, Rede, PSB, PC do B, PSTU, PDT, PSOL, PV, Cidadania e Solidariedade, ajuizaram uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) no STF (Supremo Tribunal Federal) para reabrir inscrições com isenção aos estudantes ausentes na edição de 2020, que não conseguiram cumprir o prazo para justificativa, por conta de suspeitas de COVID-19.

Os motivos para a ADPF são os 3,2 milhões de participantes no ENEM deste ano sem isenção em relação à edição passada, muitos deles prejudicados pela decisão do MEC de retirar a gratuidade dos candidatos ausentes em 2020. Essa decisão representa o negacionismo à gravidade da pandemia (às condições adversas quando a prova foi realizada – em meio a “segunda onda” no Brasil) e que prejudica milhões de estudantes de baixa renda, resultando em 46% menos inscritos que ano passado, voltando ao patamar de 2005.

A ação também pede que o INEP/MEC reabra o prazo para pagamento do boleto para 900 mil alunos que fizeram a inscrição para o ENEM e não o pagaram até a data limite. A UBES e a UNE realizaram denúncias perante à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, também aguardando resposta.

Para Rozana Barroso, presidente da UBES, e estudante de cursinho pré-vestibular, a ADPF no STF, em meio ao Dia do Estudante, é muito emblemática e representa uma grande mobilização dos estudantes, entidades e partidos para que o ENEM seja democrático. ” A edição passada do exame foi marcada pela desigualdade. Não aceitaremos mais uma prova em que os sonhos de milhões de jovens fiquem para trás”, afirma.

Leia também

Voto impresso foi rejeitado, mas isso não faz a Câmara melhor que Bolsonaro

Senado revoga Lei de Segurança Nacional, entulho da ditadura militar, em dia de desfile com blindados

Veja o significado da palavra ‘patético’ usada para definir imagens de tanques em Brasília

Confira os locais dos atos programados:

📍 *SUDESTE*
1. MG: BH, Praça Sete, 15h, panfletagem e distribuição de PFF2
2. SP: SP, MASP, 09h,
3. SP: SP, Teatro Municipal, 17h
4. RJ: Rio de Janeiro, Largo da Carioca, 17h
5. MG: Viçosa, 17h, aula aberta
6. MG: Juiz de Fora, 14h, Parque Halfeld, panfletagem em frente ao Banco do Brasil
7. MG: Contagem, 19h, online no canal do YouTube da Prefeitura

📍 *NORDESTE*
1. RN: Natal, 14h, Praça Cívica, Aula Pública.
2. RN: Natal, 19h, Sede da UEE, Sessão Solene do Dia do Estudante da Câmara Municipal de Natal.
3. BA: Salvador – 13h30 – Praça da Piedade
4.CE: Fortaleza – Praça da Gentilândia – 15h
5. CE : Caucaia Praça da Matriz – 8:30

📍 *SUL*
1. RS: Porto Alegre, 18h, Esquina Democrática
2. RS: Caxias do Sul, 17:30, Praça Dante Aligheri
3. PR: Curitiba, 18h30 – Praça Santos Andrade
4. PR: Foz do Iguaçu, 17h – Terminal do Transporte Urbano (TTU)

📍 *NORTE*
1. AM: Manaus – 15:30 – Praça da Matriz: Ciência na Rua.
2. PA: Belém, 08h, Escadinhas das Docas (Panfletagem e falas)

📍 *CENTRO-OESTE*
1. GO: Goiânia – 16h – Praça do Bandeirante
2. DF: Brasília – 16h – ato em frente ao Ministério da Educação.
8h – Panfletagem na Rodoviária do Plano Piloto.

UNE divulga nota sobre as declarações do Ministro da Educação Milton Ribeiro

É sem nenhuma surpresa, mas com muita revolta que a União Nacional dos Estudantes rebate os comentários do ministro da Educação Milton Ribeiro em entrevista à TV Brasil.

O Ministro da Educação afirmou que as universidades deveriam ser para poucos, porque, segundo ele, não são tão úteis à sociedade. O chefe do MEC, que deveria zelar e defender a educação pública, ainda desdenhou da política de cotas e disse que são os “pais dos filhinhos de papais que sustentam as universidades públicas”.

Quem paga a educação é o povo trabalhador brasileiro. E por direito o ensino superior de qualidade deve ser acessível a TODOS, porque assim o povo quer e assim foi acordado em nossa Constituição.

O comentário – longe de ser apenas mais uma bravata do bolsonarismo – reproduz uma política de retrocesso que o governo insiste em instalar na educação brasileira. Passou o tempo que a universidade era lugar para escolhidos e filhos da elite. Hoje, os filhos da classe trabalhadora têm oportunidades de se formarem médicos, se assim quiserem. Essa é uma realidade que o governo federal tenta desmontar.

A ocupação do povo nas cadeiras universitárias é um movimento sem volta. Não aceitaremos nenhum passo atrás, seja na democratização do ensino superior, seja política de cotas ou na equidade educacional.

Os institutos federais são parte importantíssima da nossa rede de ensino e oferecem uma formação de qualidade. Mas a tecnocracia pura e simples que o Ministro defende como o “futuro” atende aos apelos privatistas e negam o tripé universitário do ensino, pesquisa e extensão.

Um modelo parecido já nos foi enfiado goela abaixo, na canetada, com total ausência de participação política da sociedade nos processos de formulação. Graças a muita luta, é página virada no nosso passado.

Exigimos um ensino de qualidade, uma educação libertadora, onde todos tenham acesso, que possam se profissionalizar no que escolherem e não apenas atendendo interesses mercadológicos. Para isso faremos o que for necessário, desde já convocando os estudantes para ocupar as ruas no dia 11 de Agosto! Estaremos sempre em luta, estudante é sinônimo de esperança!

Assista ao vídeo com a declaração do ministro da Educação