O presidente Lula (PT) abriu 9 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro Datafolha divulgado depois da escalada do caso Dark Horse/Master, nesta sexta-feira (22), e transformou em número o estrago que o Blog do Esmael vinha apontando na pré-campanha bolsonarista. Lula aparece com 40%, contra 31% de Flávio, no cenário principal de primeiro turno.
Na pesquisa anterior, a vantagem era de 3 pontos, com Lula em 38% e Flávio Bolsonaro em 35%. No segundo turno, o empate em 45% virou vantagem de Lula por 47% a 43%. A oscilação não encerra a eleição, mas muda a conversa da direita.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21). Segundo o instituto, 64% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do caso, e percentual igual avaliou que Flávio Bolsonaro agiu mal. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07489/2026.
O caso nasceu das revelações sobre a negociação de recursos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). O Intercept Brasil publicou áudios e mensagens, e Flávio Bolsonaro primeiro negou relação com Vorcaro, depois admitiu ter buscado patrocínio privado para o filme.
O Blog do Esmael noticiou que Flávio Bolsonaro também reconheceu encontro com Vorcaro depois da prisão e soltura do ex-banqueiro com tornozeleira eletrônica. O senador diz que a relação se limitou a um acordo privado de investimento para o filme e nega irregularidade.
O Datafolha indica que o BolsoMaster furou a bolha de Brasília. A queda de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, de 35% para 31%, veio junto com crescimento de Lula, de 38% para 40%. A diferença entre os dois saiu da margem apertada e virou vantagem política visível.
A chance de Lula vencer no primeiro turno cresce como hipótese, mas ainda não pode ser tratada como fato provável. Para vencer sem segunda rodada, o candidato precisa obter metade mais um dos votos válidos, sem contar brancos e nulos. Pelos números publicados, Lula lidera com folga, mas ainda não aparece acima dessa linha.
O dado mais duro para Flávio Bolsonaro não está apenas na distância para Lula. Está na rejeição. O Datafolha aponta que 46% dizem não votar de jeito nenhum no senador, contra 45% que descartam Lula. Michelle Bolsonaro (PL), citada como alternativa em caso de substituição, tem 31% de rejeição e marca 43% contra 48% de Lula no segundo turno.
A direita ganhou um problema de substituição, não uma solução pronta. Michelle aparece competitiva no segundo turno, mas vai pior no primeiro: 22% contra 41% de Lula. Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (PSD-GO) e outros nomes seguem longe do patamar nacional de Flávio Bolsonaro.
No Paraná, o número cai direto sobre Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Ratinho Junior (PSD) e Filipe Barros (PL). A pergunta local é simples: quem carrega a direita se Flávio Bolsonaro perder tração, e quem fica marcado pela defesa do palanque contaminado pelo Master.
Moro depende de um bolsonarismo nacional forte para sustentar a costura entre PL, lavajatismo e eleitor conservador. Deltan tenta se manter como ativo moral da direita. Ratinho Junior calcula distância segura entre máquina estadual, Senado e Presidência. Filipe Barros depende da militância orgânica que ainda responde ao sobrenome Bolsonaro.
O resultado confirma a tese editorial do Blog do Esmael: o caso Master não é só um escândalo financeiro com ramificação eleitoral. Ele testa a blindagem moral da direita que construiu discurso anticorrupção e agora precisa explicar dinheiro de banqueiro investigado em projeto político ligado ao clã Bolsonaro.
O Blog informou que Flávio Bolsonaro trocou de marqueteiro depois da crise.Também registrou que o senador buscou reagir com agenda empresarial e tentativa de reunião nos Estados Unidos. São movimentos de campanha em modo contenção de danos, não de candidatura em céu aberto.
Lula sai da pesquisa com vantagem, mas não com eleição resolvida. Flávio Bolsonaro continua sendo o principal nome anti-Lula, mantém 17% na espontânea e ainda lidera o campo da direita. O que mudou foi o preço político de defendê-lo.
O Datafolha deu número ao estrago do Master e abriu uma disputa dentro da própria direita. Se Flávio Bolsonaro continuar caindo, o Paraná terá de escolher entre afundar com o BolsoMaster ou vender uma alternativa que ainda não apareceu nas urnas.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



