Deltan Dallagnol (NOVO) aparece como primeira opção ao Senado no Paraná para 33,2% dos eleitores, com renda acima de cinco salários mínimos apontam, enquanto Gleisi Hoffmann (PT) cresce entre mulheres, Álvaro Dias (MDB) avança entre idosos e Alexandre Curi (Republicanos) aparece com desempenho mais regular. A pesquisa IRG, divulgada na quinta-feira (21), mostra que a disputa pelas duas vagas passa por blocos sociais, não só pela soma do primeiro e do segundo voto.
No recorte geral do primeiro voto, Deltan marca 19,5%, Gleisi tem 18,6%, Álvaro soma 15% e Curi aparece com 14,4%. No segundo voto, Álvaro lidera com 15,6%, seguido por Deltan, com 11,7%, Curi, com 10,3%, Filipe Barros (PL), com 10,1%, e Gleisi, com 5,3%.
A conta simples, somar primeiro e segundo voto, ajuda a medir força bruta, mas esconde o dado político mais sensível: cada nome fala melhor com um pedaço diferente do Paraná. A eleição para o Senado, com duas vagas, permite combinações, voto cruzado e voto de rejeição.
Deltan concentra sua força no eleitorado masculino, de renda alta e com ensino superior. Ele tem 24,5% entre homens e 15,1% entre mulheres no primeiro voto. Entre eleitores com ensino superior, chega a 27,3%. Na faixa acima de cinco salários mínimos, sobe para 33,2%.
Esse desenho confirma uma base mais identificada com o lavajatismo de classe média alta. O ex-procurador da Lava Jato entra competitivo na largada, mas sua força não se espalha com a mesma intensidade nos segmentos de menor renda e menor escolaridade.
Gleisi faz o movimento inverso em parte do mapa. A deputada federal marca 21,1% entre mulheres, contra 15,7% entre homens, no primeiro voto. Ela também aparece com 20% entre eleitores com até ensino fundamental completo e fica competitiva nas faixas de renda até cinco salários mínimos.
O dado importa porque o voto lulista no Paraná costuma enfrentar teto em segmentos antipetistas, mas mantém chão em eleitorado popular, feminino e organizado. Na pesquisa IRG, Gleisi não depende apenas de lembrança partidária. Ela aparece no primeiro pelotão quando o voto é puxado pela primeira escolha.
Álvaro Dias preserva outro ativo: memória eleitoral. O ex-senador chega a 23,2% entre eleitores com 60 anos ou mais e a 20,6% entre eleitores com até ensino fundamental completo no primeiro voto. O resultado mostra que sua força vem menos de novidade e mais de reconhecimento acumulado.
Esse voto alvarista pode ser decisivo porque o segundo voto é mais frio, menos ideológico e mais aberto à lembrança de nome conhecido. Não por acaso, Álvaro lidera a segunda opção com 15,6%, enquanto 19,2% não sabem ou não responderam e 14,4% declaram nenhum, branco ou nulo.
Curi aparece como voto de estrutura, mais regular que vibrante. No primeiro voto, fica perto de 14% entre homens e mulheres, alcança 15,9% no ensino superior e 15,6% na renda acima de cinco salários mínimos. Ele não explode em um grupo social, mas também não desaparece nos cruzamentos.
Esse tipo de desempenho interessa ao Palácio Iguaçu porque máquina estadual não costuma nascer de onda espontânea. Ela precisa de tempo, prefeitos, agenda municipal, presença territorial e voto de segunda camada. Curi, nesse quadro, disputa espaço no eleitor que ainda não fechou a chapa completa.
Coronel Hudson Teixeira (PSD), testado no levantamento, aparece com 3,7% no primeiro voto e 5,8% no segundo. O número ainda é baixo para a disputa direta pelas duas vagas, mas revela por que o campo governista mantém mais de uma peça sobre a mesa.
A pesquisa ouviu 1.000 eleitores no Paraná entre 16 e 20 de maio, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-06178/2026.
Há um limite importante: cruzamentos por sexo, idade, escolaridade e renda têm amostras menores que o total da pesquisa. Portanto, servem melhor para indicar tendência social do voto do que para cravar vantagem definitiva de um pré-candidato em cada segmento.
A fotografia da IRG mostra uma eleição menos líquida do que parece. Deltan tem renda alta e homens; Gleisi tem mulheres e voto popular; Álvaro tem memória entre idosos; Curi tenta transformar regularidade em estrutura.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



