O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, entra nesta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para responder sobre o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e a fiscalização que falhou antes de a crise virar escândalo político. A audiência está marcada para as 10h.
A pauta deixou a periferia das mensagens entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro. Agora, a pergunta central é institucional: o BC viu o tamanho do risco a tempo ou agiu tarde demais?
O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), já indicou o tom da cobrança. Segundo a Agência Senado, ele afirmou que ainda há “muitas perguntas” sobre o papel do Banco Central na crise do Master.
Renan também quer explicações sobre o BRB. O banco público do Distrito Federal tentou comprar o Master antes da liquidação da instituição, operação barrada pelo BC, segundo relato anterior de Galípolo no Senado.
A cobrança importa porque o caso saiu da briga eleitoral e entrou no terreno da proteção ao sistema financeiro. Quando a supervisão falha, o custo pode chegar a correntistas, investidores, servidores atendidos por bancos públicos e contribuintes chamados a cobrir rombos indiretos.
Galípolo já havia defendido, em abril, que não havia amparo técnico para suspender as atividades do Master antes do fim de 2025. Ele disse que o BC precisava cumprir ritos investigativos para estar “bem calçado” antes da liquidação.
Na mesma audiência, o presidente do BC afirmou que a crise vinha sendo acompanhada desde 2023, com análises de carteira, termo de ajuste em 2024, sanções em 2025 por descumprimento de depósitos compulsórios e posterior liquidação do Master em 18 de novembro de 2025.
Esse histórico será o centro do desgaste. Se o Banco Central tinha alertas, auditorias e sinais de fragilidade, o Senado deve cobrar por que a crise avançou até atingir o BRB, fundos, investidores e o debate eleitoral de 2026.
O caso ganhou outro peso depois da divulgação de áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro na busca de financiamento para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Reportagens internacionais registraram que Flávio admitiu ter buscado apoio privado, embora negue irregularidade.
Mas a audiência desta terça-feira (19) não pode virar cortina de fumaça partidária. O ponto mais duro para Galípolo é explicar onde termina a narrativa política e onde começa a responsabilidade técnica do Banco Central.
O BRB amplia o problema porque é banco público. Senadoras do Distrito Federal, como Leila Barros (PDT-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF), também cobraram informações e acesso a auditorias sobre a instituição, segundo a Agência Senado.
Para o governo Lula, a audiência tem risco duplo. Se Galípolo apresentar uma explicação técnica consistente, a crise continua cercando a direita pelo elo Flávio-Vorcaro. Se a resposta parecer incompleta, a cobrança volta contra a autoridade monetária indicada pelo próprio governo.
Para a oposição, o cálculo também não é simples. Atacar o BC ajuda a abrir investigação sobre o Master, mas pode manter Flávio Bolsonaro preso ao mesmo escândalo que sua campanha tenta empurrar para longe.
O Senado tem, portanto, uma chance rara de separar barulho de fiscalização. O caso Master não será resolvido com slogan, nem com guerra de torcida. A resposta que interessa ao país é se o Banco Central agiu no tempo certo para proteger o sistema financeiro. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




