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Moro reabre ferida paulista ao bancar Derrite

O senador Sergio Moro (PL) participou, na sexta-feira (15), em Campinas (SP), do lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, num palanque paulista que devolve ao Paraná uma cobrança incômoda: o pré-candidato ao governo estadual faz campanha no mesmo estado onde tentou se viabilizar eleitoralmente em 2022 antes de ser barrado pela Justiça Eleitoral.

O ato ocorreu no Hotel Royal Palm Plaza e reuniu Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Rogério Marinho (PL-RN), Moro e outros nomes da direita. O evento marcou a largada de Derrite para o Senado e buscou formar maioria conservadora no Congresso em 2026.

A pauta, para o Paraná, não é Derrite. É Moro. O ex-juiz da Lava Jato atravessou a divisa para reforçar um palanque em São Paulo enquanto tenta se apresentar como alternativa ao governo paranaense na sucessão de Ratinho Junior (PSD).

O problema político não está na viagem em si. Parlamentares circulam por outros estados, participam de atos partidários e buscam alianças nacionais. O ponto sensível é o histórico do próprio Moro com São Paulo, que adversários já usam para questionar seu enraizamento eleitoral no Paraná.

Em 2022, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou a transferência de domicílio eleitoral de Moro para São Paulo. A decisão impediu que ele concorresse ao Senado ou a qualquer outro cargo pelo estado paulista, segundo registro do Blog do Esmael, que citou a falta de comprovação de vínculo com São Paulo.

Antes da decisão, Moro havia transferido o título de Curitiba para a capital paulista, movimento que abriu apuração sobre possível irregularidade no domicílio eleitoral. O próprio TRE-SP depois trancou o inquérito, por entender que não havia indícios mínimos de fraude nos documentos apresentados pelo casal Moro.

A distinção importa. A Justiça Eleitoral barrou a transferência de domicílio e, com isso, inviabilizou a candidatura paulista em 2022. O inquérito criminal sobre eventual fraude foi encerrado depois. Uma coisa é o revés eleitoral; outra é investigação penal sem prosseguimento.

Moro acabou eleito senador pelo Paraná. Quatro anos depois, aparece como pré-candidato ao Palácio Iguaçu e precisa convencer o eleitor paranaense de que seu projeto não é apenas uma extensão da estratégia nacional do bolsonarismo.

O ato em Campinas também ocorreu em momento delicado para Flávio Bolsonaro. O filho de Jair Bolsonaro (PL) usou o lançamento de Derrite para reagir após a divulgação de áudios ligados ao caso Banco Master e ao filme “Dark Horse”.

Moro, segundo o mesmo Blog, saiu em defesa de Flávio Bolsonaro durante o evento e afirmou que adversários tentam inverter a responsabilidade política no caso Master. A fala reforça sua aproximação com o núcleo bolsonarista justamente quando a direita tenta reorganizar palanques para 2026.

No Paraná, essa associação tem custo. Moro disputa espaço com o grupo de Ratinho Junior, com a base de Sandro Alex (PSD), com a memória da Lava Jato e com o eleitorado de direita que cobra presença física, compromisso local e proposta concreta para segurança pública, economia estadual, pedágio, fronteira e interior.

A imagem de Moro em Campinas oferece munição simples aos rivais: o senador que tentou São Paulo em 2022 volta ao palanque paulista em 2026 enquanto pede ao Paraná que o trate como projeto estadual. Em campanha, esse tipo de contradição pesa mais do que uma nota explicativa.

A segurança pública, bandeira de Derrite, também será central no Paraná. O estado tem fronteira, rotas do crime organizado, cobrança por inteligência policial e pressão por respostas no sistema prisional. Se Moro quer governar o Paraná, terá de dizer menos sobre São Paulo e mais sobre a vida concreta do eleitor paranaense.

O palanque de Campinas não derruba uma candidatura. Mas ajuda a organizar a crítica contra ela. A partir de agora, cada ato de Moro fora do Paraná será medido contra a lembrança de 2022, quando São Paulo foi a aposta que a Justiça Eleitoral rejeitou.

Além de Moro, a tiracolo, estava em Campinas o deputado federal Filipe Barros (PL), pré-candidato ao Senado.

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