23 de setembro de 2013
por Esmael Morais
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Marcos Coimbra: “Menos de 1/3 da população acredita na narrativa da mídia sobre o mensalão!

por Marcos Coimbra, na CartaCapital

O STF fez a coisa certa. Ao considerar cabíveis os embargos infringentes no julgamento da Ação Penal 470, seus integrantes tomaram uma decisão de consequências profundas.

Os dias que antecederam à  decisão, e mesmo as declarações subsequentes de alguns ministros, foram marcados pela ideia de que a opinião pública queria a rejeição desses embargos. Que a maioria do país exigia barrar o direito de os acusados, mesmo aqueles considerados inocentes por quatro juízes, serem submetidos a novo julgamento.

Da quinta-feira anterior, quando a sessão do plenário para deliberar sobre o tema foi interrompida, ao dia da decisão, o tom do discurso oposicionista no Congresso, na sociedade e na mídia anti-lulopetista! seguiu por esse caminho.

Os parlamentares da oposição, com alguma cautela, os colunistas da grande imprensa! sem qualquer embaraço. Todos desejavam evitar o acolhimento dos embargos e lançavam ameaças veladas aos juízes caso o fizessem. Anunciavam a ira da população sobre os ombros dos magistrados se não mandassem todos os acusados imediatamente para a cadeia.

Último a se pronunciar e responsável pelo voto definitivo a favor dos recursos, o ministro Celso de Mello mencionou a pressão. O tribunal, frisou durante a leitura de seu voto, não pode expor-se, submeter-se, subordinar-se à  vontade de maiorias contingentes!.

Ou seja, falou como se houvesse redigido seu voto contra o desejo da nação, ou da sua parcela maior. Como se existisse qualquer evidência da existência dessas maiorias! e como se, caso confirmadas, devessem ser consideradas naturais!.

Cada um a seu modo, os veículos da mídia oposicionista fizeram de tudo para dar substância à  tese (e reforçar a pressão sobre o tribunal). O Datafolha foi convocado a pesquisar as opiniões na capital paulista de forma a permitir a manchete Em São Paulo, maioria rejeita a reabertura do mensalão!.

Um jornal mineiro esmerou-se! na quarta 18, estampou na primeira página uma carta a Celso de Mello!, escrita e assinada em nome (!?) dos cidadãos do estado de Minas Gerais!.

De maneira técnica! ou tosca invocavam a opinião pública!.

Como chegou o Datafolha ao resultado?

A pergunta sobre a aprovação ou rejeição à  reabertura do julgamento! seguia-se a duas outras. A primeira pedia ao entrevistado que dissesse se considerava o chamado mensalão! um esquema de corrupção (!¦) com uso de dinheiro público! ou de arrecadação de dinheiro! para campanhas eleitorais. A segunda afirmava: Pessoas condenadas à  prisão (!¦) querem que o STF reveja (o julgamento)! e perguntava se o entrevistado estava de acordo.

Em outras palavras, mencionavam-se expressões como corrupção!, uso de dinheiro público! e pessoas condenadas à  prisão!, antes de indagar a respeito dos recursos. Até quem nada sabe de pesquisa é capaz de imaginar as respostas.

A pesquisa revelava, porém, outras nuances: a proporção de paulistanos bem informados (o que está sempre associado ao interesse) sobre o mensalão era de 19% e apenas 39% dava notas maiores que 6 para o desempenho do STF durante o julgamento (considerado ótimo! ou bom! por não mais de 21% dos entrevista Leia mais