Blog do Esmael, direto de Brasília – O PSOL Paraná lançou nesta quarta-feira (13) o manifesto de pré-candidatura de Renata Borges ao Senado, apresentando a ativista socioambiental, de direitos humanos e mulher trans como nome da federação PSOL-Rede no arranjo progressista que tem Requião Filho (PDT) como pré-candidato ao governo do Paraná. O texto também aponta a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) como o outro nome do campo para a segunda vaga ao Senado.
O movimento tem peso político porque empurra a esquerda paranaense a discutir, ao mesmo tempo, palanque presidencial, disputa pelo Palácio Iguaçu e duas cadeiras no Senado. No manifesto, Renata se apresenta com uma pauta centrada em crise climática, justiça social, defesa de territórios e direitos humanos.
A entrada de uma mulher trans na disputa pelo Senado não é ornamento identitário. É fato político. O PSOL tenta ocupar uma faixa do eleitorado progressista que cobra representação, agenda ambiental e compromisso com populações historicamente empurradas para fora do poder institucional.
O manifesto afirma que a pré-candidatura é “um posicionamento diante da história” e chama a crise climática de realidade concreta. A linha adotada por Renata desloca o debate do Senado para além da aritmética partidária e cobra resposta pública para calor extremo, desigualdade, direitos sociais e modelo de desenvolvimento.
A peça também amarra Renata ao desenho Lula, Gleisi e Requião Filho. Em fevereiro, o Blog do Esmael já havia registrado sinalização do PSOL em favor da chapa Lula, Gleisi e Requião no Paraná, após movimento da vereadora Professora Angela (PSOL) em Curitiba.
Essa costura dá a Requião Filho uma vitrine mais ampla à esquerda, mas também aumenta a cobrança por coerência programática. O deputado estadual se apresenta como pré-candidato de oposição ao governo do Paraná e une PDT, Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, além da federação PSOL-Rede e outros partidos no campo antigovernista.
O Senado é o ponto sensível da montagem. Em 2026, cada estado elegerá duas vagas. O manifesto de Renata Borges indica que o campo progressista quer ocupar uma delas com Gleisi Hoffmann e disputar a outra com o PSOL, sem entregar a representação da esquerda apenas ao PT.
É nesse espaço que Renata tenta entrar. Não como substituta de Gleisi, segundo o manifesto, mas como a segunda voz do mesmo campo. A consequência é clara: o PSOL quer mesa, palanque e programa, não apenas apoio lateral à chapa majoritária.
O desafio será transformar manifesto em voto. A pauta climática tem apelo crescente, mas ainda disputa espaço com temas que costumam dominar a eleição paranaense, como segurança, pedágio, emprego, agronegócio, Lava Jato e a sucessão de Ratinho Junior (PSD).
Renata Borges começa a pré-campanha com uma marca inédita para a esquerda do Paraná: levar ao Senado uma candidatura trans assumida, vinculada à justiça climática e aos movimentos sociais. A partir de agora, Requião Filho e Gleisi terão de mostrar se essa frente será plural no discurso e também na distribuição real de poder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




