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Ratinho terá de escolher se pega verba de Lula contra facções

Blog do Esmael, direto de Brasília – O presidente Lula (PT) lança nesta terça-feira (12) o Programa Brasil Contra o Crime Organizado com R$ 11 bilhões previstos para segurança pública, mas o Paraná só entra na fila do dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se o governo Ratinho Junior (PSD) aderir ao plano federal.

O pacote anunciado pelo Palácio do Planalto combina R$ 1 bilhão do Orçamento da União com R$ 10 bilhões em crédito do BNDES para os estados. A Agência Brasil informou que o programa deve ser formalizado por decreto presidencial e quatro portarias, com adesão estadual como condição para acesso aos recursos.

A novidade política para o Paraná não está no lançamento em Brasília, mas na pergunta que ficou para Curitiba: Ratinho pega ou não pega o dinheiro federal contra facções?

O programa tem quatro eixos: asfixia financeira das organizações criminosas, reforço da segurança no sistema prisional, qualificação da investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas. A Presidência afirma que a proposta foi construída em diálogo com estados, especialistas e forças de segurança.

Essa moldura tira o tema da disputa retórica entre Lula e governadores. Se o dinheiro depende de adesão, o Palácio Iguaçu terá de dizer se vai tratar o pacote como política pública útil ao Paraná ou como vitrine federal a ser evitada por cálculo eleitoral.

A pressão aumentou porque a Polícia Federal (PF) deflagrou, também nesta terça-feira (12), a Operação Força Integrada II em 16 estados, incluindo o Paraná. A ação nacional busca cumprir 165 mandados de busca e apreensão e 71 de prisão contra alvos ligados a tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

No Paraná, a PF detalhou a atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/PR) na Operação Blue Sky II. Segundo a corporação, são 13 mandados de busca e apreensão e 7 de prisão em Vera Cruz do Oeste, Cascavel, Guaraniaçu e Céu Azul.

O recado é concreto. O Oeste do Paraná apareceu no mapa federal do combate às facções no mesmo dia em que Brasília abriu uma linha bilionária para estados que aceitarem participar do programa. A fronteira, as rotas de tráfico e a lavagem de dinheiro deixam a pauta longe do palanque abstrato.

Agora, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná precisa explicar se o Estado pretende aderir, quais projetos apresentaria ao BNDES e que contrapartidas técnicas seriam exigidas. Sem essa resposta, o debate vira slogan, enquanto a operação da PF mostra que o problema já está em municípios paranaenses.

A cobrança também alcança os pré-candidatos ao governo do Paraná. Quem disputar o Palácio Iguaçu em 2026 terá de dizer se dinheiro federal para enfrentar facções é tabu partidário ou instrumento de segurança pública.

O Blog do Esmael já havia mostrado que Lula entrou no tema sob peso da pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, segundo a qual 41% dos brasileiros dizem perceber a presença do crime organizado no bairro onde moram, o equivalente a cerca de 68,7 milhões de pessoas.

A direita tenta há anos transformar segurança em monopólio eleitoral. Lula agora tenta ocupar esse campo com orçamento, crédito e integração policial. A resposta do Paraná dirá se Ratinho prefere a disputa de narrativa ou a assinatura de adesão.

O ponto fraco do plano federal ainda é o mesmo de outros programas de segurança: dinheiro anunciado não prende facção sozinho. Será preciso projeto, fiscalização, metas públicas e capacidade real de integração entre PF, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Ministério Público e municípios.

No Paraná, a pergunta ficou pronta antes da cerimônia acabar em Brasília. Se a PF já bateu à porta do crime organizado no Oeste, o governo estadual precisa dizer se vai bater à porta do BNDES.

Segurança pública não cabe em birra federativa quando há mandados de prisão, rotas de droga e dinheiro lavado no mapa.

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