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Lula tira R$ 361 milhões das facções em três semanas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta segunda-feira (8) o primeiro balanço do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em 12 de maio, com 473 prisões, 639 armas apreendidas e 67 toneladas de drogas retiradas de circulação em operações integradas pelo país.

O dado político está no dinheiro. Segundo o Governo do Brasil, R$ 30,4 milhões gastos nas ações causaram prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões às facções criminosas. A conta oficial aponta quase R$ 12 de dano ao crime para cada R$ 1 investido.

A estratégia mobilizou 9.204 profissionais de segurança pública em 11 operações coordenadas entre União, estados e municípios. O governo afirma que as ações também recolheram 26.875 munições e apreenderam 1.013 veículos.

O programa tem investimento previsto de R$ 11,1 bilhões e é coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A linha oficial é atacar quatro pontos do crime organizado: dinheiro, presídios, homicídios e mercado ilegal de armas.

A escolha do governo Lula é disputar a segurança pública fora do discurso fácil do medo. O Planalto tenta mostrar resultado com apreensão, prisão, bloqueio financeiro e presença federal em áreas onde facções usam fronteiras, cadeias e lavagem de dinheiro para ampliar poder.

O balanço da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) informa que, no acumulado de abril e maio, as ações federais registraram 2.182 prisões em flagrante. Sem contar o valor das drogas, o prejuízo econômico ao crime chegou a R$ 223,54 milhões.

As operações Narke e Renocrim conseguiram bloqueio judicial de R$ 436 milhões em ativos. Esse ponto é central porque facção não vive só de arma e droga. Ela também depende de empresa de fachada, conta bancária, transporte, imóvel e conexão com setores formais da economia.

Nos presídios, a 11ª fase da Operação Mute entrou em 124 unidades prisionais, com 4.042 policiais penais. Foram 3.728 celas revistadas e 680 celulares apreendidos.

Desde 2023, a operação retirou 8.646 celulares das prisões brasileiras. O número ajuda a medir o tamanho do problema: parte das ordens do crime continua saindo de dentro da cadeia, por aparelhos que deveriam estar fora do alcance de chefes de facção.

A Polícia Federal (PF) também aparece no balanço. Só em abril, foram 128 operações homologadas, 849 prisões em flagrante, 1.371 capturas pelos Grupos de Capturas e 295 mandados de busca e apreensão cumpridos.

A PF informou ainda apreensão de 160 armas, 4.563 munições, 5,6 toneladas de cocaína e 20,9 toneladas de maconha no período. A descapitalização estimada chegou a R$ 272 milhões.

O recorte interessa diretamente ao Paraná porque o estado aparece na malha federal de fronteiras. O balanço oficial diz que as operações de fronteira chegaram às 27 unidades da Federação, depois de atuarem em apenas sete estados em 2025.

O Paraná entra nessa conta por posição geográfica e política. A fronteira com o Paraguai, a malha rodoviária, o Porto de Paranaguá, as rotas de carga e o sistema prisional estadual exigem integração real entre PF, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal.

O governo federal também informou cooperação com o Paraguai. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, reuniu-se em Assunção com Jalil Rachid, titular da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), para tratar de tráfico de drogas e armas nas regiões de fronteira.

A Operação Nova Aliança, feita desde 2012 em conjunto com a Polícia Federal, é o símbolo dessa frente bilateral. Segundo o governo, a ação já destruiu 1.218 acampamentos de cultivo, eliminou 11,2 milhões de quilos de maconha e gerou R$ 1,6 bilhão em prejuízo direto ao crime organizado.

O balanço de Lula coloca pressão sobre governadores. Se o governo federal põe dinheiro, operação e inteligência, os estados terão de mostrar se aderem à integração ou se preferem disputar palanque com slogans de segurança pública.

No Paraná, a cobrança recai sobre o governador Ratinho Junior (PSD) e a Secretaria da Segurança Pública. O eleitor precisa saber quais operações federais atingiram o estado, quais cidades foram alcançadas, que estrutura estadual entrou nas ações e qual resultado concreto chegou às ruas.

Também falta transparência regional no balanço. O governo federal divulgou o número nacional, mas o Paraná precisa de recorte próprio: prisões, armas, drogas, bloqueios, celulares apreendidos em presídios e prejuízo financeiro imposto às facções com atuação no estado.

Segurança pública não se mede por frase forte em evento político. O dado verificável está em prisão, investigação, bloqueio de dinheiro, queda de homicídio, controle de presídio e arma retirada de circulação.

O primeiro balanço do Brasil Contra o Crime Organizado entrega números pesados para o governo Lula defender sua política. A etapa seguinte dirá se União, Paraná e municípios transformarão operação integrada em rotina de Estado, com dados abertos e cobrança pública sobre quem financia, arma e protege o crime.

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