Início / eleições 2026

Lula e Flávio começam campanha com rejeição acima de 50%

A pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14) mostra que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao início oficial da campanha presidencial de 2026 com um problema comum: mais da metade do eleitorado afirma rejeitar os dois nomes. Lula tem 52% de rejeição e Flávio, 54%. No segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 43% e 40%, respectivamente.

O resultado muda o foco da leitura eleitoral. A questão central da rodada não é apenas a vantagem numérica de Lula sobre Flávio, mas o tamanho do eleitorado que começa a campanha dizendo que não votaria em nenhum dos dois.

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026.

A vantagem de Lula encolheu

No segundo turno, Lula passou de 44% para 43%, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 39% para 40%. A diferença, que era de cinco pontos na rodada anterior, caiu para três.

Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. A vantagem numérica de Lula permanece, mas deixou de representar uma distância estatisticamente segura entre os dois candidatos.

No primeiro turno, Lula também oscilou para baixo, de 39% para 38%. Flávio avançou de 30% para 31%. A diferença entre os dois caiu de nove para sete pontos.

Os movimentos são pequenos e estão dentro da margem de erro. Ainda assim, apontam para uma disputa que começa a campanha oficial com menor distância entre os dois principais polos.

O quadro do primeiro turno tem ainda Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 4% cada, Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), com 2%, e Samara Martins (UP), com 1%. Os indecisos somam 10%, enquanto 8% afirmam que votarão em branco, anularão ou não votarão.

A rejeição é o dado político mais pesado

O dado mais sensível da pesquisa está fora da tabela de intenção de voto.

Flávio Bolsonaro é rejeitado por 54% dos entrevistados. Lula aparece logo atrás, com 52%. Ronaldo Caiado tem 35% de rejeição, Romeu Zema, 34%, e Renan Santos, 21%.

Isso significa que os dois principais candidatos entram na campanha com índices de rejeição superiores à metade do eleitorado pesquisado.

Há uma mudança importante em relação à rodada de julho. Na pesquisa divulgada em 15 de julho, Lula tinha 50% de rejeição e Flávio, 57%.

Em um mês, portanto, Lula oscilou dois pontos para cima na rejeição, enquanto Flávio caiu três. O movimento não autoriza concluir que um candidato tenha consolidado vantagem sobre o outro, mas mostra que a rejeição se deslocou durante a pré-campanha.

A campanha oficial começa, assim, com os dois nomes mais conhecidos do eleitorado enfrentando um teto político relevante: para ampliar suas votações, ambos precisarão convencer eleitores que hoje demonstram resistência.

O país também chega à campanha descontente

Outro número ajuda a explicar a fragilidade do cenário: 53% dos entrevistados afirmam que o Brasil está indo na direção errada. Apenas 38% consideram que o país segue na direção certa.

A avaliação do governo Lula está dividida. A gestão é considerada positiva por 36% e negativa por 37%, enquanto 25% classificam o desempenho como regular. Na aprovação direta do trabalho do presidente, 46% aprovam e 48% desaprovam.

O dado cria uma equação eleitoral conhecida, mas ainda aberta: Lula disputa a reeleição carregando o desgaste natural de quem está no governo, enquanto Flávio tenta transformar a insatisfação com o país em voto de oposição.

Nenhum dos dois, porém, parte de uma posição confortável.

Lula tem um ativo e um problema

O principal ativo de Lula continua sendo a capacidade de liderar o primeiro turno e de aparecer numericamente à frente de Flávio no segundo.

A pesquisa também mostra que Lula mantém vantagem contra outros adversários. Em uma eventual disputa contra Ronaldo Caiado, o presidente teria 44% contra 37%. Contra Romeu Zema, venceria por 45% a 34%. Diante de Renan Santos, marcaria 44% contra 36%.

O problema é que Flávio é o adversário que mais reduz essa margem.

Além disso, a avaliação negativa do governo supera numericamente a positiva, embora dentro da margem de erro. E 53% consideram que o país está na direção errada.

Para Lula, a campanha terá de transformar a vantagem de largada em percepção de resultado de governo e reduzir a rejeição sem perder os eleitores que já estão no campo petista.

Flávio tem espaço, mas também tem teto

Flávio chega ao início da campanha com 31% no primeiro turno e 40% no segundo contra Lula.

O crescimento de um ponto no primeiro turno e de um ponto no segundo, diante da pesquisa anterior, mostra uma recuperação numérica, mas não uma virada consolidada. A própria margem de erro impede uma leitura categórica sobre essas oscilações.

O obstáculo mais evidente é a rejeição de 54%, a maior entre os principais candidatos testados.

A campanha de Flávio terá, portanto, dois movimentos simultâneos: preservar o eleitorado já identificado com o bolsonarismo e tentar avançar sobre os segmentos que ainda não estão fechados com nenhum dos dois polos.

Esse segundo movimento é decisivo porque 13% dos entrevistados no cenário Lula x Flávio dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, enquanto outros 4% permanecem indecisos.

O medo também está dividido

A pesquisa mostra outro equilíbrio relevante. Para 45% dos entrevistados, o maior medo é a volta da família Bolsonaro ao poder. Para 41%, o temor é de mais um mandato de Lula. Outros 6% afirmam temer os dois cenários.

O dado revela que a eleição não começa apenas com uma disputa de preferência. Ela também começa com dois campos de rejeição e medo relativamente cristalizados.

Esse é um dos motivos pelos quais a campanha tende a ser marcada pela tentativa de cada lado de transformar a rejeição ao adversário em voto próprio.

A campanha começa sem favorito estatístico no segundo turno

A fotografia da Quaest não permite declarar um favorito estatístico no confronto direto entre Lula e Flávio.

Lula tem 43%. Flávio, 40%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. O resultado, portanto, é de empate técnico.

Ao mesmo tempo, a pesquisa não mostra uma corrida igual no primeiro turno. Lula lidera com 38%, contra 31% de Flávio. A diferença é de sete pontos, embora também sujeita à margem de erro.

A diferença entre os dois turnos é o ponto político mais importante da pesquisa.

Lula larga à frente na primeira etapa, mas não consegue transformar essa vantagem em distância segura quando a eleição é reduzida ao duelo contra Flávio.

É por isso que a pesquisa Quaest transforma Lula x Flávio em uma eleição de margem curta.

A campanha oficial começa neste domingo (16), com dois candidatos que carregam rejeição acima de 50%, um eleitorado ainda relevante fora do duelo e uma percepção majoritária de que o país está indo na direção errada.

A fotografia não decide a eleição. Mas define o terreno sobre o qual Lula e Flávio Bolsonaro começarão a disputar os votos que ainda estão fora de seus respectivos campos.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026.

Leia também:

Siga o Blog do Esmael no WhatsApp

*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.

Receba as notícias do Blog do Esmael

Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Gostou deste artigo?

Adicione o Blog do Esmael como sua fonte preferencial no Google para receber nossas análises políticas em primeira mão.

Adicione como fonte preferencial no Google