O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne com o presidente da China, Xi Jinping, nesta quarta-feira (13), no horário de Brasília, em meio ao impacto da guerra no Irã sobre a economia global e as relações internacionais.
A China virou alvo central da guerra tarifária iniciada por Trump no começo do segundo mandato, em abril de 2025. A reação de Pequim incluiu restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para a indústria de tecnologia e defesa dos EUA.
O conflito no Oriente Médio também mexe com os interesses chineses. A China é a principal compradora do petróleo iraniano e tem interesse na estabilidade do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra.
Para analistas ouvidos pela Agência Brasil, a disputa entre Washington e Pequim pode abrir espaço para o Brasil ampliar sua presença no mercado de minerais críticos. O país tem cerca de 22% das reservas conhecidas desses minerais, atrás apenas da China.
Trump disse a jornalistas no início da semana que pretende tratar com Xi da venda de armas dos EUA para Taiwan. Pequim rejeita qualquer movimento que fortaleça a independência da ilha e sustenta a política de “uma só China”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou nesta semana que a oposição de Pequim à venda de armas americanas para Taiwan é “consistente e clara”.
O professor de Relações Internacionais do Ibmec, José Luiz Niemeyer, avalia que a China entra na conversa em posição mais confortável. Segundo ele, a visita mostra necessidade de aproximação dos EUA com Pequim, não o contrário.
O tema das terras raras também deve dominar a reunião. Entre os minerais mais sensíveis estão samário e neodímio, usados em equipamentos militares e ímãs de alta performance, áreas em que a China tem peso decisivo na produção global.
Na semana passada, a China começou a aplicar sua lei anti-sanções, aprovada em 2021, que impede empresas no país de reconhecerem sanções impostas pelos EUA. A medida foi resposta a punições recentes de Washington contra companhias chinesas que fazem negócios com o Irã.
Para o analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, a relação entre Pequim, Moscou e Teerã ganhou força com a escalada da guerra. Ele avalia que o encontro entre Trump e Xi tende a ser marcado por pressão chinesa por uma saída diplomática para o conflito.
O Brasil acompanha esse tabuleiro porque China e EUA seguem como seus principais parceiros comerciais. Em disputa por minerais estratégicos, Brasília pode tentar transformar a dependência das duas potências em vantagem econômica e política.
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