Blog do Esmael, direto de Brasília – A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostra que as redes sociais viraram a principal fonte de informação política dos brasileiros, com 38%, acima da televisão, que aparece com 35%. Sites, blogs e portais somam 10%, dado que enterra a velha ideia de que a disputa política ainda passa primeiro pelo telejornal.
Adeus, Globo, não como fechamento de empresa ou queda de audiência específica, mas como símbolo de uma mudança maior: a mediação política saiu do controle quase absoluto da TV aberta e entrou num ambiente mais fragmentado, acelerado e difícil de domesticar.
O levantamento não diz que a televisão acabou. Diz algo mais relevante para 2026: a TV deixou de ser o primeiro filtro da política nacional. O eleitor continua vendo televisão, mas a primeira conversa, o primeiro corte, a primeira indignação e a primeira defesa de candidato passam cada vez mais pelo celular.
Para campanhas, governos e veículos de imprensa, o número de 38% nas redes sociais muda o ponto de partida. O discurso que nasce para o estúdio chega tarde. O conteúdo que nasce para circular, ser compartilhado e responder a uma dúvida concreta chega antes.
A TV ainda tem peso, especialmente pela capilaridade, pela rotina doméstica e pela força do vídeo ao vivo. Mas os 35% da Quaest colocam a televisão em segundo lugar. A diferença de três pontos é pequena, dentro de um ambiente de disputa apertada, mas o sentido político é grande.
Sites, blogs e portais, com 10%, aparecem como terceira fonte principal. O dado exige leitura fria. O número é menor que redes e TV, mas concentra público que busca contexto, arquivo, análise, checagem e continuidade. Para um veículo como o Blog do Esmael, a estratégia não é disputar com a rede social, mas usá-la como porta de entrada para reportagem, interpretação e memória pública.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.
O dado também ajuda a explicar por que a eleição de 2026 será travada em múltiplas plataformas. Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), partidos, ministros, governadores e Congresso já não falam apenas com o eleitor pelo horário nobre. Eles falam por cortes, lives, grupos, influenciadores, newsletters, blogs e manchetes empurradas por algoritmo.
A consequência é dura para quem ainda pensa comunicação política como palanque vertical. A mensagem não desce mais pronta. Ela é disputada, editada, remixada, atacada e defendida por milhares de perfis antes de virar consenso, ruído ou rejeição.
Para a direita, o dado confirma uma vantagem histórica no uso agressivo das redes. O bolsonarismo aprendeu cedo a transformar militância digital em pressão institucional, guerra cultural e mobilização eleitoral. Para Lula, o desafio é falar com quem não liga a TV, não acompanha coletiva e recebe política por recorte de 30 segundos.
Para a esquerda, o recado é menos confortável: governar bem não basta se a entrega não virar linguagem compreensível no celular. Programa social, crédito, emprego, segurança pública e renda precisam ser narrados antes que o adversário transforme tudo em meme, suspeita ou ataque moral.
Para o jornalismo, o dado cobra outra postura. A velha hierarquia em que a TV pautava o país, os jornais explicavam depois e os blogs repercutiam ficou para trás. O leitor quer rapidez, mas pune erro. Quer opinião, mas precisa de lastro. Quer texto curto, mas não aceita enrolação.
O Blog do Esmael tem uma vantagem nesse cenário: nasceu digital, cobre política em tempo real e fala com um público que não depende da bancada da TV para entender Brasília, Curitiba e os bastidores do poder. O desafio agora é transformar cada matéria em peça de circulação social, sem perder verificação, contexto e memória.
A Quaest mostrou que a briga pela cabeça do eleitor passou de vez pelo celular. Quem tratar rede social como vitrine secundária vai falar para menos gente, com atraso e sem controle da narrativa.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




