Blog do Esmael, direto de Brasília – O presidente Lula (PT) saiu da reunião com Donald Trump, na quinta-feira (7), com um ganho raro na política brasileira: 60% dos entrevistados pela Genial/Quaest dizem que o encontro foi bom para o Brasil, enquanto 43% avaliam que o petista ficou politicamente mais forte.
O dado foi divulgado nesta quarta-feira (13) e cria um ativo externo para Lula no momento em que a eleição de 2026 começa a se organizar em torno de economia, segurança pública, antipetismo e comparação direta com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A Quaest mostra que 26% dos entrevistados consideram que Lula saiu mais fraco da reunião, 13% dizem que ele saiu igual e 18% não souberam ou não responderam. A vantagem está no saldo: a leitura de fortalecimento supera a de enfraquecimento por 17 pontos.
A reunião também furou a bolha. Segundo o levantamento, 70% dos brasileiros disseram ter tomado conhecimento do encontro entre Lula e Trump. Em política, notícia conhecida por sete em cada dez eleitores deixa de ser agenda de gabinete e vira material de disputa pública.
O encontro ocorreu na Casa Branca e durou cerca de três horas. A conversa tratou de tarifas, comércio, segurança, minerais críticos e crime organizado, segundo a Reuters. Lula disse após a reunião que houve avanço na relação entre Brasil e Estados Unidos.
Esse ponto interessa ao Planalto porque transforma política externa em argumento doméstico. Lula não saiu apenas com foto internacional. Saiu com uma percepção majoritária de que a conversa com Trump foi positiva para o país, inclusive em um ambiente eleitoral polarizado.
A pesquisa também mostra que 56% dos entrevistados viram Lula com postura amigável diante de Trump. Só 13% avaliaram que o presidente brasileiro foi duro. O dado ajuda a explicar o ganho político: o eleitorado parece ter premiado menos o confronto ideológico e mais a imagem de pragmatismo.
Outro número pesa no cálculo de 2026. Para 56% dos brasileiros, o presidente do Brasil deve ser aliado dos Estados Unidos. Em abril, esse índice era de 43%, segundo a série citada pela Quaest. A defesa de uma relação independente caiu de 40% para 29%.
Isso não significa alinhamento automático a Washington. Significa que, no retrato da pesquisa, o eleitor médio quer relação útil, comércio aberto e menos briga diplomática. Lula capturou esse humor ao aparecer negociando com Trump sem abrir mão da soberania brasileira no discurso público.
A oposição tem um problema nesse recorte. Trump é referência simbólica de parte da direita brasileira, mas o encontro produziu ganho para Lula. O bolsonarismo pode tentar desqualificar a reunião, porém a Quaest indica que a maioria viu benefício para o Brasil.
O dado conversa com a fotografia eleitoral divulgada na mesma rodada. Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e no segundo turno, embora a disputa direta siga apertada. O ativo externo, portanto, não resolve a eleição, mas melhora o ambiente do governo.
A própria Quaest registrou mudança no clima de notícias sobre o Planalto. A parcela dos brasileiros que disseram ter visto notícias mais positivas sobre Lula subiu de 23% para 32%, enquanto os que viram notícias negativas caíram de 48% para 43%.
Esse deslocamento importa porque Lula vinha carregando desgaste na economia, no Congresso e na segurança pública. A agenda internacional ofereceu um terreno menos defensivo para o governo, com tarifa, comércio e crime organizado entrando na conversa com efeito eleitoral indireto.
O limite da leitura é claro: a reunião com Trump não elimina rejeição, não garante voto e não transforma avaliação positiva em cheque em branco. A pesquisa mede percepção logo após o encontro, entre 8 e 11 de maio, com 2.004 eleitores, margem de erro de dois pontos e registro BR-03598/2026.
Lula ganhou fôlego porque a reunião com Trump foi vista como boa para o Brasil por seis em cada dez brasileiros. Em uma eleição apertada, política externa só vira ativo quando chega ao eleitor como resultado concreto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




