Pedido de prisão é descabido e desproporcional, diz presidenta da APP Sindicato Walkiria Mazeto

Discurso da presidenta da APP-Sindicato Walkiria Mazeto denuncia “misoginia” e “práticas antissindicais” do governo Ratinho Junior antes e durante a greve da Educação

A presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto, fez um pronunciamento impactante em frente à Secretaria de Estado da Educação (SEED), em Curitiba, nesta quarta-feira (5/6), denunciando a misoginia e as práticas antissindicais do governo Ratinho Junior (PSD). O discurso aconteceu durante uma manifestação de educadores em greve, que teve início na segunda-feira (3/6) e já ganhou repercussão internacional.

A greve dos trabalhadores em educação do Paraná começou com reivindicações contra a privatização de escolas e em defesa de melhores condições de trabalho e salário. A presidenta Walkiria Mazeto, líder do movimento, apontou que a categoria, majoritariamente formada por mulheres, está sendo alvo de uma perseguição misógina e violenta por parte do governo estadual.

Em seu discurso, Mazeto afirmou que a Ordem Internacional do Trabalho (OIT) está prestes a aprovar uma moção de condenação ao governador Ratinho Junior por práticas antissindicais e em solidariedade à presidenta da APP-Sindicato. Segundo ela, a repressão ao movimento grevista não só mancha a imagem do governador, que tenta se apresentar como um “bom moço”, mas também o aproxima de um regime ditatorial.

Um dos pontos mais críticos do discurso foi a menção ao pedido de prisão contra Walkiria Mazeto, solicitado pelo governo estadual. Ela classificou a medida como descabida e desproporcional, o que só fez aumentar a visibilidade e apoio internacional ao movimento grevista. Mazeto destacou que a violência e a pressão sobre os educadores são inéditas na história da APP-Sindicato, que existe há 77 anos.

A greve já ultrapassou as divisas do Paraná, chegando a outros estados e ao Congresso Nacional. O pronunciamento da presidenta da APP-Sindicato ecoou em entidades sindicais de todo o Brasil e do mundo. Segundo Mazeto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) nacional já se posicionou em Genebra e espera a formulação formal da denúncia para protocolar na OIT.

Walkiria Mazeto também criticou duramente a gestão educacional do estado, mencionando a exoneração de diretores e equipes pedagógicas que se recusam a manipular dados de frequência e notas. Ela denunciou que os educadores estão sendo obrigados a trabalhar além do horário sem direito a intervalos adequados, o que está levando ao esgotamento físico e emocional da categoria.

A presidenta da APP-Sindicato elogiou a resistência dos educadores e pediu união para enfrentar as adversidades impostas pelo governo. Ela enfatizou a importância de continuar lutando por uma educação pública de qualidade e pela valorização dos profissionais da educação. Mazeto fez um chamado aos companheiros que ainda não aderiram ao movimento para que se juntem à greve, reforçando que a luta é por todos e pelo futuro da educação no Paraná.

Walkiria Mazeto encerrou seu discurso reafirmando a disposição da APP-Sindicato em continuar a luta, mesmo diante das adversidades. Ela destacou que a repressão do governo Ratinho Junior não será suficiente para desmobilizar a categoria, que está mais forte e unida do que nunca. A presidenta também anunciou que novas manifestações e ações estão sendo planejadas para os próximos dias, tanto no Paraná quanto em outras partes do Brasil.

Assista a íntegra do discurso da presidenta da APP, Walkiria Mazeto:

Ato dos educadores em frente à SEED, em Curitiba [05/06/2024].

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