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ALEP aprova privatização das escolas públicas do Paraná com 38 votos favoráveis; greve continua

APP-Sindicato comunica que mantém a greve na educação por tempo indeterminado, a despeito va votação

Nesta terça-feira (4/6), a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) aprovou, em sessão remota online, o projeto de lei 345/2024, de autoria do governo Ratinho Junior (PSD), que privatiza as escolas da rede pública do estado. A votação de terceiro turno terminou com 38 votos a favor e 13 contrários.

A aprovação do projeto marca um momento controverso na educação estadual, com diversos parlamentares e setores da sociedade se posicionando contra a medida, que, segundo os opositores da medida, pode impactar significativamente o acesso à educação pública no Paraná.

A APP-Sindicato informa que a despeito desta votação, os educadores permancerão em greve. A entidade convocou uma manifestação na manhã desta quarta (5/6), às 10h, em frente à Secretaria de Estado da Educação (SEED), na Avenida Kennedy, nº 2511.

A deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, legitimado perante ao Supremo Tribunal Federal, anunciou que irá judicializar a privatização de escolas no Paraná.

O projeto de lei estabelece que as empresas contratadas focarão exclusivamente na gestão administrativa, sem interferir nas decisões pedagógicas. Entre as mudanças introduzidas pela subemenda substitutiva geral, destacam-se a inclusão de 204 escolas na proposta, a possibilidade de remoção de professores efetivos e a garantia de que professores contratados pelo novo modelo receberão os mesmos benefícios dos Professores Contratados por Regime Especial (PSS).

As três sessões que aprovaram o projeto ocorreram de forma híbrida, com alguns parlamentares presentes no Plenário e a maioria participando online, uma prática adotada desde a pandemia de Covid-19 e prevista no Regimento Interno da Assembleia. A decisão de realizar sessões híbridas foi reforçada após a ocupação do Plenário na segunda-feira (3/6) por manifestantes contrários ao projeto.

O debate na Assembleia foi acirrado, com posições firmes tanto de defensores quanto de opositores da proposta. Pela oposição, a deputada Luciana Rafagnin (PT) manifestou preocupação com o fim dos concursos públicos e novos formatos de contratação de professores. O deputado Professor Lemos (PT) criticou duramente o projeto, classificando-o como o pior para a educação do Estado. Outros parlamentares da oposição, como Arilson Chiorato (PT) e Renato Freitas (PT), também se posicionaram contra a proposta, destacando a inconstitucionalidade do texto e a necessidade de recorrer judicialmente.

Por outro lado, defensores como o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) argumentaram que o substitutivo geral foi cuidadosamente elaborado com a participação de vários parlamentares e representantes do governo, visando a modernização da administração escolar sem privatizar o ensino público. O deputado Tito Barichello (União) afirmou que o governador Ratinho Junior (PSD) está promovendo mudanças significativas na história do Paraná.

O projeto recebeu 13 emendas, das quais quatro foram acatadas na forma da subemenda substitutiva geral. As emendas aprovadas garantem que as entidades privadas contratadas se concentrem apenas na gestão administrativa e que haja consulta pública para decisões importantes. O novo texto também especifica que a empresa contratada deve possuir cinco anos de experiência e que o gestor será avaliado periodicamente com base em critérios como frequência escolar, evolução da aprendizagem e satisfação da comunidade.

Segundo o Palácio Iguaçu, o Programa Parceiro da Escola visa formalizar parcerias entre escolas da rede pública e entidades privadas especializadas em gestão educacional. O objetivo é desonerar os gestores escolares de responsabilidades administrativas, permitindo que se concentrem nos aspectos pedagógicos e, assim, criar um ambiente propício para o ensino e aprendizagem.

O governo enfatiza que o projeto não implica na privatização do ensino público, que permanecerá universal e gratuito. No entanto, a CCJ e o plenário da ALEP não acataram emenda que assegurasse a proibição de cobrança de mensalidade nas escolas públicas do Paraná. A Secretaria de Estado da Educação (SEED) jura que manterá autonomia sobre o projeto pedagógico, enquanto as entidades parceiras cuidarão da administração e infraestrutura.

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