Professora Carmen Lúcia Souza Pinto, diretora do Instituto de Educação de Ponta Grossa, foi a primeira vítima do sistema antidemocrático na educação do Paraná
Em um ato reprovável e antidemocrático, a diretora do Instituto de Educação de Ponta Grossa, Professora Carmen Lúcia, foi destituída pelo governo de Ratinho Junior (PSD). Este evento ocorreu um dia após a sanção da lei que autoriza a privatização das escolas no Paraná, sancionada pelo governador Ratinho Junior. O deputado federal Aliel Machado (PV) denunciou o fato como uma perseguição política, ressaltando que a diretora Carmen Lúcia tem participado ativamente no processo de denúncia contra a privatização das escolas públicas no estado.
A destituição da professora Carmen Lúcia ocorreu em meio a protestos e manifestações contra a privatização das escolas públicas, que tem gerado intensa insatisfação entre educadores, funcionários e estudantes. A manifestação contra o deputado Marcelo Rangel (PSD), pré-candidato a prefeito de Ponta Grossa, foi um dos eventos que destacaram a resistência ao projeto de privatização, culminando na ausência do governador Ratinho Junior, que temia a reação dos manifestantes.

Em um vídeo, o deputado Aliel Machado expressou sua indignação com a decisão do governo do Paraná:
“Olá pessoal. Hoje, 6 de junho, eu sou deputado federal Ariel Machado. Passa das 10 da noite. Eu estou na estrada cumprindo agenda e acabo de receber uma denúncia. Má notícia, inacreditável. Governo do estado do Paraná, na noite de hoje, decidiu afastar a diretora de um dos mais importantes colégios de Ponta Grossa, Instituto de Educação, professora Carmen Lúcia. Uma das professoras mais experientes da cidade, foi chefe do Núcleo Regional de Educação, uma grande liderança. Tudo isso por perseguição política, já que a professora Carmen está ajudando no processo que denuncia a privatização das escolas públicas no estado do Paraná. Num país democrático, professora Carmem, que foi eleita, aonde nós temos que defender o diálogo, respeito. Esse tipo de perseguição só demonstra a irresponsabilidade da chefia do Núcleo de Educação atual do governo do estado do Paraná, do desrespeito que eles têm com os educadores, com os alunos, com toda a comunidade escolar. É preciso ter o debate, é preciso que a democracia prevaleça e é inadmissível uma situação como essa, um afastamento de uma diretora eleita por perseguição política. Sem contar os vídeos mentirosos e todas as ações que estão sendo montadas para atacar a educação pública no estado do Paraná. Fica aqui minha solidariedade, professora, Carmen e todos aqueles que estão na luta pela educação pública de qualidade.”
Reação da professora Carmen Lúcia
A professora Carmen Lúcia, em um áudio, explicou a situação e reafirmou seu compromisso com a defesa da educação pública:
Na tarde desta quarta-feira, a chefe do Núcleo de Educação chamou a diretora do Instituto de Educação e entregou um documento, a resolução 33452/1024, que a afastava temporariamente de suas funções. A diretora comunicou que não ocuparia mais o cargo devido ao seu posicionamento contra a privatização das escolas públicas no Paraná.
Ela expressou que não poderia deixar de falar e defender o que acredita, mesmo sabendo que isso poderia resultar na perda de sua posição. A diretora, que já havia enfrentado situação semelhante durante uma greve enquanto era interventora em outra escola, destacou que prefere perder o cargo a ter que aceitar algo em que não acredita.
Ela comunicou aos colegas que não retornaria ao trabalho no dia seguinte e que a nova diretora assumiria em breve. Em sua mensagem, reiterou seu compromisso com a defesa da escola pública e incentivou os colegas a lutarem pelo que acreditam.
Reações de parlamentares
A deputada estadual Ana Júlia (PT) manifestou sua preocupação com as ações do governo do Paraná:
“São preocupantes as notícias sobre perseguição por parte da SEED contra professores, funcionários e diretores que participaram das mobilizações contra a privatização das escolas. Uma das vítimas do revanchismo autoritário do governo foi a diretora Carmen Lucia de Souza Pinto, do Instituto de Educação Professor César Prieto Martinez, em Ponta Grossa. Nossa solidariedade à diretora Carmen, que com coragem luta pela educação pública e de qualidade. Um governo que não respeita manifestações democráticas, não dialoga e retalia aqueles que defendem uma sociedade mais justa merece ser repudiado. Vamos seguir acompanhando, apurando e denunciando os diversos casos que têm chegado ao nosso gabinete.”
A deputada estadual Mabel Canto (PSDB) também se manifestou sobre a destituição da diretora:
“Que absurdo. A professora Carmen é querida por todos os alunos e de uma competência ímpar. Acompanho o trabalho dela desde que era chefe do núcleo. Que vergonha essa perseguição!”
A destituição da professora Carmen Lúcia não apenas afeta diretamente a comunidade escolar do Instituto de Educação de Ponta Grossa, mas também envia um sinal alarmante a todos os educadores que se posicionam contra as políticas de privatização. Ações como esta podem desencorajar a participação democrática e o diálogo aberto dentro das instituições de ensino, elementos fundamentais para uma educação pública de qualidade.
A destituição da diretora Carmen Lúcia é um reflexo das tensões crescentes em torno da privatização das escolas públicas no Paraná. A comunidade escolar, junto com representantes políticos, continua a lutar por um sistema educacional que priorize o bem-estar dos alunos e respeite a democracia. Este caso exemplifica os desafios enfrentados por educadores que defendem a educação pública em um cenário político adverso.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




