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FIM DA GREVE NA EDUCAÇÃO DO PARANÁ

Educadores encerraram o movimento paredista na “alta” propiciada pelo desastroso pedido de prisão da presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto

A greve da educação no Paraná chegou ao fim na noite desta quarta-feira (5/6), após intensos dias de mobilização e resistência. Iniciada na segunda-feira (3/6), a paralisação foi deflagrada como uma resposta contundente ao projeto do governador Ratinho Junior (PSD), que visa à privatização das escolas públicas no estado. Embora o projeto tenha sido aprovado pela maioria na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), os educadores prometem continuar a luta contra a entrega das instituições de ensino à iniciativa privada, avançando de forma persistente cidade por cidade, rua por rua, escola por escola, sala por sala, pessoa por pessoa.

A presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto, destacou o sucesso da greve em colocar a questão da privatização das escolas na agenda pública. Apesar de não terem conseguido barrar a tramitação do projeto, os educadores provocaram um amplo debate e expuseram o autoritarismo e a violência do governador Ratinho Junior e do secretário de Educação, Roni Miranda.

A greve recebeu significativo apoio da sociedade paranaense, essencial para a mobilização. A presidenta Walkiria ressaltou que a luta explicitou a necessidade de defender a escola pública e denunciou a postura negacionista do governo estadual frente às reivindicações dos educadores.

Durante os protestos, a repressão violenta por parte da Polícia Militar marcou a mobilização. Pelo menos três pessoas ficaram feridas durante a ocupação do prédio da Assembleia Legislativa do Paraná. A violência e as práticas antissindicais do governo Ratinho Junior foram amplamente denunciadas.

Os educadores aprovaram a manutenção do estado de greve e novas ações para intensificar o debate nas escolas. A APP-Sindicato também seguirá com medidas judiciais para derrubar a lei que autoriza a privatização das escolas. Além disso, denunciará as ameaças e assédios recebidos durante o movimento grevista.

A greve teve início com um grande ato em Curitiba, reunindo mais de 20 mil pessoas, e se espalhou por todas as regiões do estado, envolvendo estudantes, movimentos sociais e a população. A pauta incluía a retirada do Projeto de Lei 345/2024, pagamento de reposição salarial, zeramento da dívida data-base, reajuste do Piso Nacional do Magistério e fim da terceirização dos funcionários de escola.

O governo estadual, através da Procuradoria Geral do Estado, chegou a solicitar a prisão da presidenta da APP-Sindicato. No entanto, todas as ações jurídicas impetradas pelo governo estão sendo respondidas pelo departamento jurídico do sindicato, que também denunciará todas as fraudes e ilegalidades cometidas.

Arilson Chiorato, deputado estadual, reverberou em suas redes sociais que a APP-Sindicato decidiu pelo fim da greve, destacando o papel crucial da comunidade escolar na luta contra a privatização. “A APP-Sindicato acaba de decidir pelo FIM DA GREVE. Parabéns à comunidade escolar que lutou bravamente contra a privatização das escolas públicas do Paraná. Permanece o estado de greve, ou seja, a paralisação pode voltar. Segue a luta no judiciário pra barrar essa insanidade! Tmj”, publicou Chiorato no Twitter.

Simultaneamente, em Ponta Grossa, manifestantes se reuniram para protestar no local de lançamento da pré-candidatura à Prefeitura do deputado Marcelo Rangel (PSD), que conta com o apoio do governador Ratinho Junior. Rangel votou a favor da privatização das escolas, gerando indignação entre os educadores e a população local. A mobilização em Ponta Grossa reflete o descontentamento generalizado com a decisão do governo estadual e a determinação dos educadores em resistir às mudanças propostas.

“Devido a questões ligadas à lei eleitoral, infelizmente está cancelada a coletiva de imprensa que estava prevista para às 19h30 de hoje, no evento de lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Marcelo Rangel à prefeitura de Ponta Grossa. Em respeito à legislação, o evento não será aberto ao público, sendo vedada a cobertura por parte dos veículos de comunicação”, despistou o pré-candidato Rangel, que foi o primeiro governista a experimentar a ira dos manifestantes, após a aprovação do projeto que libera a privatização das escolas. “Não haverá paz para esses”, juram professores, estudantes e funcionários de escolas.

O projeto aprovado na ALEP propõe a transferência da gestão das escolas públicas para empresas privadas, uma medida que os críticos argumentam compromete a qualidade da educação e os princípios da educação pública gratuita e universal. Educadores, pais e alunos temem que a privatização leve à mercantilização do ensino, aumentando as desigualdades e restringindo o acesso à educação de qualidade para todos.

Desde o início da greve, a mobilização popular tem sido intensa, com manifestações e atos públicos realizados em diversas cidades do estado. A união da comunidade escolar – composta por professores, alunos, pais e funcionários – mostrou a força da resistência contra a privatização. Mesmo com o fim da greve, a APP-Sindicato e os educadores permanecem em estado de greve, prontos para retomar a paralisação se necessário.

A luta contra a privatização das escolas no Paraná está longe de terminar. Os educadores prometem continuar a resistência por meio de ações judiciais, mobilizações e conscientização da população. A meta é barrar a implementação do projeto e assegurar que a educação pública no estado continue a ser um direito garantido a todos, sem distinções.

A questão da privatização das escolas no Paraná tem repercutido em âmbito nacional, trazendo à luz um debate essencial sobre o futuro da educação pública no Brasil. Diversas entidades e movimentos sociais têm expressado seu apoio à luta dos educadores paranaenses, ressaltando a importância de uma educação pública forte e acessível.

A resistência contra a privatização das escolas tem recebido apoio de vários segmentos da sociedade, incluindo políticos, entidades sindicais e organizações da sociedade civil. A solidariedade expressa por diversos setores reforça a legitimidade da luta dos educadores e destaca a importância de uma educação pública de qualidade.

O fim da greve da educação no Paraná marca uma etapa importante na luta contra a privatização das escolas públicas, mas a batalha está longe de ser vencida. Educadores, estudantes e toda a comunidade escolar continuam mobilizados, determinados a defender a educação pública e a impedir que interesses privados comprometam o futuro das novas gerações. A resistência segue firme, sustentada pela convicção de que a educação é um direito fundamental, inegociável e essencial para o desenvolvimento social e econômico do país.

Moral da história: Educadores encerraram o movimento paredista na “alta” propiciada pelo desastroso pedido de prisão da presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto. Isto é política.

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