Embate eleitoral entre aliados de Sergio Moro e Ratinho Junior, em PG, será uma prévia para as eleições 2026 no Paraná
Os aliados e secretários da prefeita Elizabeth Schmidt (União), do município de Ponta Grossa, celebraram o que chamaram de “fiasco” do lançamento da pré-candidatura do deputado Marcelo Rangel (PSD) à Prefeitura. Rangel, considerado a aposta do governador Ratinho Junior (PSD) na cidade, enfrentou uma série de contratempos que culminaram no cancelamento de seu evento.
No caminho para o evento, uma manifestação de professores foi organizada em protesto contra Rangel, que recentemente votou a favor da privatização de escolas no Paraná na Assembleia Legislativa do Paraná. O protesto foi tão significativo que forçou o cancelamento do lançamento da pré-candidatura de Rangel na última hora.
Os correligionários da prefeita Elizabeth Schmidt comemoraram o cancelamento do evento como se fosse “um gol no último minuto de jogo em uma final de Copa do Mundo”. O entusiasmo dos apoiadores da prefeita reflete a tensão política que existe entre os grupos aliados do governador e os da prefeita em Ponta Grossa. Vídeos publicados nas redes sociais corroboram com essa percepção.
Manifestantes pontagrossenses compareceram ao local que seria realizado o ato político, vociferando palavras de ordem contra Marcelo Rangel e Ratinho Junior. Gritavam frases como “Fora Rangel”, “Fora covarde”, e “Fora Rato”, criando um clima de grande hostilidade. A situação foi descrita como “um Deus nos acuda”.
Marcelo Rangel havia planejado para o início da noite de ontem (quarta, 5/6) um evento “fechado ao público” no Espaço Ponta Grossa, no centro da cidade. Ele esperava a presença do governador Ratinho Junior para o lançamento de sua pré-candidatura, mas o governador não compareceu e o evento, que incluía uma coletiva de imprensa, foi cancelado.
A jornalista Mareli Martins relatou que Rangel evitou uma entrevista para seu blog, o que resultou em um bate-boca com o irmão do pré-candidato, Sandro Alex (PSD), secretário de Estado da Infraestrutura do Paraná. Defendendo o irmão, Sandro Alex chamou a repórter de “petista”, aumentando ainda mais as tensões.
Marcelo Rangel, Sandro Alex e a prefeita Elizabeth Schmidt compartilham um histórico político comum, todos sendo próximos a Ratinho Junior. No entanto, a luta por diferenciação política e contra a rejeição da gestão atual, que é mal avaliada em todas as pesquisas sérias, tem gerado momentos dramáticos como esse de ontem.
O cancelamento do evento de lançamento da pré-candidatura de Marcelo Rangel, além de ser um motivo de comemoração para os aliados da prefeita Elizabeth Schmidt, destaca as fraturas políticas dentro do grupo governista em Ponta Grossa. A forte rejeição por parte dos manifestantes e a ausência do governador no evento planejado indicam dificuldades significativas para Rangel e sua campanha de vota à prefeitura. Rangel já foi prefeito da cidadade entre 1º de janeiro de 2013 e 31 de dezembro de 2020.
A política em Ponta Grossa está claramente marcada por divisões e tensões internas, refletindo uma luta pelo poder e pela aceitação pública. A capacidade de Marcelo Rangel de ultrapassar essas críticas e reunir apoio suficiente será um fator determinante nas próximas eleições municipais. Ao mesmo tempo, a prefeita Elizabeth Schmidt e seus aliados continuarão a usar essas oportunidades para consolidar sua posição e capitalizar sobre as dificuldades enfrentadas por seus oponentes políticos.
Ademais, Ponta Grossa ganha destaque no cenário estadual porque a prefeita Elizabeth Schmidt contará com o apoio explícito do senador Sergio Moro (União), que recentemente escapou por unanimidade da cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-juiz da Lava Jato é apontado como candidato ao governo do Paraná, e a disputa pontagrossense seria uma prévia desse embate em 2026. A princípio, Ratinho Junior tem outros planos para o próximo inquilino do Palácio Iguaçu – sede do executivo estadual, no Centro Cívico, em Curitiba.

O cenário político em Ponta Grossa é um microcosmo das dinâmicas mais amplas que estão em jogo no Paraná e no Brasil. A maneira como essas tensões e alianças evoluem nos próximos meses será decisiva para o futuro político da cidade e pode servir como um indicador das tendências políticas no estado como um todo. A capacidade dos líderes locais de navegar essas águas turbulentas e de construir coalizões fortes será fundamental para seu sucesso eleitoral e governamental.
Neste sentido, a gestão da prefeita Elizabeth Schmidt, apesar das críticas, parece estar conseguindo atravessar a tempestade na política local com uma estratégia clara de diferenciação e confrontação direta com seus antigos alidados. A comemoração do “fiasco” do lançamento da pré-candidatura de Rangel é um exemplo dessa abordagem, que visa fortalecer a percepção pública de liderança e controle sobre a situação política em Ponta Grossa.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




