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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) chega a Ponta Grossa neste sábado (5) para visitar Filipe Martins, mas a agenda ganhou dimensão eleitoral no Paraná ao aproximar o presidenciável de Filipe Barros (PL), candidato ao Senado, e recolocar o bolsonarismo nacional no centro da disputa estadual. A visita, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está marcada para a tarde na Cadeia Pública de Ponta Grossa.
Superlive: a eleição no Paraná pode terminar no 1º turno?
O senador Sergio Moro, candidato do PL ao governo do Paraná, informou que acompanhará a agenda de Flávio e Filipe no municípo dos Campos Gerais. O evento recoloca o STF e a tentativa do golpe de Estado no 8 de janeiro na pauta política.
Flávio Bolsonaro disse que fará uma visita de cortesia a Filipe Martins para verificar como ele está. A declaração foi divulgada antes da viagem e é importante para delimitar o caráter formal da agenda: até a manhã deste sábado, não havia confirmação de comício ou ato eleitoral associado à entrada na unidade prisional.
Bolsonarismo reavia golpe de Estado

Filipe Martins é ex-assessor especial para Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro e cumpre pena de 21 anos após condenação pela Primeira Turma do STF por participação na tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. A prisão em Ponta Grossa ocorreu depois de o STF apontar descumprimento de medidas cautelares durante o cumprimento de prisão domiciliar.
A dimensão política da visita, porém, está menos na duração do encontro do que no cenário em que ele acontece. Flávio Bolsonaro é o candidato presidencial do PL, enquanto Filipe Barros disputa uma das duas vagas do Paraná no Senado pela mesma legenda.
A conexão não é nova. Em maio, Flávio Bolsonaro participou em Curitiba do lançamento das pré-candidaturas de Sergio Moro ao governo do Paraná, Deltan Dallagnol e Filipe Barros ao Senado. O encontro consolidou uma imagem de palanque nacional do bolsonarismo no estado.
Agora, a diferença está no local e no personagem escolhido para a agenda. Ponta Grossa não é apenas uma parada logística. A cidade já apareceu como território relevante na disputa estadual, inclusive em levantamentos que mediram diretamente a força dos candidatos ao governo entre seus eleitores.
A passagem de Flávio Bolsonaro pode, portanto, funcionar para Filipe Barros como uma demonstração pública de proximidade com o candidato presidencial do PL. Essa é uma leitura eleitoral possível, não um resultado já comprovado da visita.
É dramática a disputa pelo Senado no Paraná

A disputa pelo Senado ajuda a dimensionar o interesse do movimento. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em agosto mostrou Deltan Dallagnol (Novo) com 34% na soma das intenções para as duas vagas, enquanto Alexandre Curi (Republicanos), Gleisi Hoffmann (PT) e Filipe Barros apareciam separados por poucos pontos.
Outro levantamento divulgado pelo Blog do Esmael mostrou a mesma característica de corrida apertada. A IRG Pesquisas registrou Deltan Dallagnol (Novo) com 35,8% das citações, seguido por Alexandre Curi (Republicanos), com 32,1%, Gleisi Hoffmann (PT), com 27%, e Filipe Barros (PL), com 25,1%.
É nesse ponto que a visita de Flávio Bolsonaro interessa diretamente à campanha de Filipe Barros. O deputado federal já oficializou com Deltan Dallagnol uma parceria eleitoral para as duas cadeiras do Senado. Na estreia do horário eleitoral, os dois apresentaram a dobradinha com a mensagem de que quem vota em um deveria votar também no outro.
A presença física de Flávio Bolsonaro no Paraná reforça esse campo político, mas não resolve sua aritmética. A direita tem vários candidatos competitivos ao Senado e duas cadeiras disponíveis. O desafio é transformar identificação ideológica em dois votos coordenados.
Paraná na rota dos presidenciáveis

Também existe uma disputa maior acontecendo simultaneamente. As pesquisas nacionais mais recentes mantêm Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, embora os dois apareçam próximos em diversos cenários de segundo turno. No Datafolha divulgado neste início de setembro, Lula apareceu com 38% contra 33% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44% no segundo.
Esse quadro dá ao Paraná uma função particular na campanha presidencial. O estado é um dos territórios em que Flávio Bolsonaro pode tentar consolidar uma vantagem política por meio dos candidatos locais que carregam sua imagem e sua aliança.
O próprio Sergio Moro aparece nesse arranjo. O senador e candidato ao governo pelo PL está associado ao palanque de Flávio Bolsonaro, enquanto Filipe Barros e Deltan Dallagnol disputam o Senado. O Blog do Esmael já mostrou que a presença de Flávio passou a conectar diretamente a sucessão de Ratinho Junior à eleição presidencial.
Um candidato, dois palanques: os pés largos de Sandro Alex

Mas a visita deste sábado também cria uma questão para os demais candidatos da direita. Sandro Alex (PSD), candidato ao governo, que é da cidade de Ponta Grossa, apoia Ronaldo Caiado (PSD) na corrida presidencial, embora já tenha admitido que não descartava a presença de Flávio Bolsonaro em seu palanque.
A eleição paranaense, assim, não tem apenas uma disputa entre esquerda e direita. Há uma competição dentro da própria direita pelo direito de representar o eleitorado bolsonarista, ao mesmo tempo em que os candidatos tentam preservar alianças estaduais mais amplas.
Flávio Bolsonaro chega a Ponta Grossa, portanto, com uma missão formal declarada: visitar Filipe Martins. Politicamente, porém, sua presença será observada por outro motivo: saber até que ponto o candidato presidencial consegue converter sua força nacional em votos para os candidatos do PL no Paraná.
Lula vem aí no próximo sábado, dia 12 de setembro

O contraponto já está marcado no calendário. No sábado seguinte, 12 de setembro, será a vez de Lula visitar Curitiba para um comício na Boca Maldita, no Centro, às 10h, ao lado de Requião Filho (PDT), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). A agenda integra o giro eleitoral do petista pelo Sul.
A Boca Maldita tem peso simbólico próprio na política paranaense. O espaço tradicionalmente recebe manifestações políticas e foi palco de grandes mobilizações democráticas. Na campanha de 2022, um ato de Lula no local reuniu milhares de apoiadores, segundo relatos publicados à época pelo Blog do Esmael.
O calendário cria uma sequência politicamente significativa: Flávio Bolsonaro visita Ponta Grossa neste sábado; uma semana depois, Lula ocupa a Boca Maldita, em Curitiba. De um lado, o candidato do PL se aproxima fisicamente de um aliado condenado e dos candidatos paranaenses de sua legenda. Do outro, o presidente petista prepara um ato público no centro político da capital para fortalecer Requião Filho, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha.
O efeito eleitoral de Flávio em Ponta Grossa ainda dependerá do que ocorrer depois da visita. Declarações, imagens públicas, manifestações de apoiadores e eventual participação de candidatos locais poderão transformar uma agenda privada em fato político. Até que isso aconteça, atribuir um ganho eleitoral a qualquer candidatura seria antecipar o resultado da própria cobertura.
É justamente essa disputa pelo significado da visita que merece acompanhamento: Flávio Bolsonaro foi a Ponta Grossa oficialmente para visitar Filipe Martins, mas o eleitorado paranaense é que dirá se a passagem servirá também como ativo para Filipe Barros e para o palanque do PL no estado.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026 e os movimentos dos palanques nacionais no Paraná.
Leia também no Blog:
- palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná
- Filipe Barros e a disputa pelo Senado
- guerra de dobradinhas pelo Senado
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




