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Curi junta Ratinho e Tarcísio na disputa pelo Senado

O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) incorporou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à sua campanha no Paraná em uma tentativa de transformar apoio nacional em voto numa disputa por duas cadeiras que segue aberta. A gravação de Tarcísio para o horário eleitoral ocorreu em 1º de setembro e se soma ao apoio declarado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), criando uma dupla de governadores como principal ativo político da propaganda de Curi.

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A participação de Tarcísio não é apenas uma aparição partidária. O governador paulista é uma das principais lideranças nacionais do Republicanos e aparece na propaganda ao lado de Curi justamente no momento em que o candidato tenta consolidar uma posição competitiva na corrida pelas duas vagas do Paraná no Senado.

A gravação será exibida no horário eleitoral gratuito. Curi e Tarcísio pertencem ao mesmo partido, e a campanha paranaense apresenta a aproximação como convergência em torno de uma agenda de gestão pública, responsabilidade fiscal, investimentos e resultados.

“Tenho muita alegria em receber o apoio do governador Tarcísio, uma das maiores lideranças do Republicanos e do Brasil”, afirmou Curi durante a gravação, segundo material divulgado pela campanha. O candidato também associou sua trajetória no Paraná à gestão de Ratinho Junior e disse pretender levar essa experiência para o Senado.

O movimento ganha peso porque Curi já conta com o apoio público de Ratinho Junior. Durante a convenção do Republicanos, em Curitiba, o governador paranaense e Sandro Alex (PSD), candidato ao governo do Estado, reforçaram a candidatura de Curi ao Senado.

Agora, a campanha tenta colocar os dois governadores na mesma moldura eleitoral: Ratinho Junior como referência política dentro do Paraná e Tarcísio de Freitas como liderança de projeção nacional do Republicanos.

É uma operação de comunicação que procura responder a um problema objetivo de qualquer candidatura ao Senado: transformar conhecimento do nome em voto suficiente para garantir uma das duas cadeiras em disputa.

A eleição paranaense terá duas vagas para o Senado em 2026. Cada eleitor poderá escolher dois nomes, e os dois candidatos mais votados serão eleitos. Não há segundo turno para o Senado.

Curi tenta converter liderança numérica em voto

A estratégia de campanha encontra respaldo, mas também limites, nos números disponíveis.

Na pesquisa Quaest divulgada pela RPC em 24 de agosto, Curi apareceu numericamente na primeira colocação, com 15% na soma das intenções de voto para o Senado. Gleisi Hoffmann (PT) marcou 11%, enquanto Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) registraram 9% cada. Cristina Graeml (PSD) apareceu com 8%.

A liderança, porém, não significava folga eleitoral. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os quatro primeiros candidatos estavam tecnicamente empatados. Além disso, 28% dos entrevistados estavam indecisos na pesquisa estimulada, enquanto 13% declararam voto branco, nulo ou intenção de não votar. Na pesquisa espontânea, 90% não apontaram candidato.

É justamente nesse terreno de alta indefinição que o apoio de Tarcísio ganha função eleitoral.

O objetivo da campanha é associar Curi a uma liderança nacional conhecida, ao mesmo tempo em que preserva sua vinculação com a principal força política da atual administração estadual.

A imagem construída é simples: Curi como candidato do Republicanos que reúne respaldo de duas administrações estaduais governadas por integrantes da mesma legenda ou, no caso de Ratinho Junior, de uma força aliada à sua candidatura.

Apoio nacional não garante cadeira

O problema para Curi é que a eleição não será decidida pela soma de apoios políticos, mas pela capacidade de cada candidatura de ocupar duas posições no voto de cada eleitor.

A pesquisa Quaest mostrou que a primeira vaga e a segunda ainda estavam abertas. Curi liderava numericamente, mas a diferença para os adversários estava dentro da margem de erro.

Levantamento posterior do IRG, realizado entre 31 de agosto e 3 de setembro com 1.200 entrevistados, reforçou a pulverização da disputa. No segundo voto, Filipe Barros apareceu com 12,8%, Dr. Rosinha com 12,4%, Curi com 12,3% e Deltan Dallagnol com 12,1%. Cristina Graeml registrou 10,8% e Gleisi Hoffmann, 6,8%. A margem de erro foi de 2,83 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O dado ajuda a dimensionar a aposta da campanha de Curi. A candidatura não precisa apenas manter presença entre os nomes mais conhecidos. Precisa convencer o eleitor a colocá-lo entre suas duas escolhas.

É aí que a propaganda com Tarcísio tenta funcionar como atalho eleitoral.

Republicanos tenta nacionalizar Curi

A gravação também cumpre uma função partidária. Tarcísio e Curi pertencem ao Republicanos, e a legenda procura apresentar o candidato paranaense como parte de uma estrutura política que ultrapassa as divisas do Estado.

A campanha já havia utilizado Tarcísio em propaganda partidária antes do início da campanha eleitoral. Em maio, Curi gravou uma peça do Republicanos em São Paulo ao lado do governador paulista e de Pedro Lupion, presidente estadual da legenda.

A diferença agora é eleitoral: Tarcísio aparece para declarar apoio diretamente à candidatura de Curi ao Senado.

Isso permite ao candidato explorar duas dimensões distintas. De um lado, o vínculo com Ratinho Junior, que o conecta à estrutura política governista no Paraná. De outro, a associação com Tarcísio, que amplia sua exposição como integrante de uma legenda com liderança nacional.

A operação revela também a disputa pelo espaço político do campo da direita no Paraná. Curi concorre com nomes como Filipe Barros, Deltan Dallagnol e Cristina Graeml, além de Gleisi Hoffmann, em uma eleição na qual apenas dois serão eleitos.

O apoio de Tarcísio, portanto, não resolve a eleição para Curi. Mas fornece à campanha uma imagem eleitoral poderosa: a tentativa de apresentar o candidato como uma ponte entre o poder político do Paraná e uma liderança nacional em ascensão.

A questão que permanece é quanto essa fotografia será capaz de produzir nas urnas.

A disputa pelas duas vagas do Senado no Paraná e os efeitos das pesquisas mais recentes sobre Curi, Gleisi, Filipe Barros, Deltan Dallagnol e Cristina Graeml.

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