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Superlive do Blog do Esmael aponta segundo turno no Paraná

A Superlive do Blog do Esmael, realizada nesta quinta-feira, 3 de setembro, colocou sob análise os números da nova Paraná Pesquisas para o Governo do Paraná e o Senado e concluiu que, apesar da vantagem de Sergio Moro (PL), a eleição ainda pode caminhar para o segundo turno. A bancada formada por jornalistas de diferentes regiões do Estado também identificou no Senado uma disputa aberta, marcada pelo dilema do segundo voto.

Superlive: a eleição no Paraná pode terminar no 1º turno?

Participaram da transmissão Esmael Morais, do Blog do Esmael, João Barbiero, do D’Ponta News e da TVCI, de Ponta Grossa, Ogarito Linhares, da Rádio Ilha do Mel FM, de Paranaguá, Cristina Esteche, da Rede Sul de Notícias (RSN), de Guarapuava, Cláudio Osti, do Paçoca com Cebola, de Londrina, e Ângelo Rigon, do Maringá News. O presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, participou da primeira parte da conversa para explicar os números divulgados pelo instituto.

A formação da bancada foi um dos diferenciais da Superlive. Ao reunir jornalistas do Litoral, dos Campos Gerais, do Centro-Sul, do Norte e do Noroeste, o Blog do Esmael levou para a mesma mesa percepções de diferentes regiões do Paraná. A proposta foi confrontar a fotografia estatística com aquilo que os profissionais estão observando nas ruas, nas campanhas e nas articulações políticas locais.

A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta-feira ouviu 1.280 eleitores e registrou Sergio Moro com 45% das intenções de voto para governador, contra 24% de Requião Filho (PDT) e 17,5% de Sandro Alex (PSD). Na pesquisa espontânea, 51,2% não souberam ou não quiseram indicar candidato, enquanto Moro apareceu com 24,2%, Requião Filho com 10,2% e Sandro Alex com 6,3%.

O número que dominou a discussão, porém, foi outro: se Moro pode transformar a liderança atual em vitória no primeiro turno.

Moro pode liquidar a eleição?

Murilo Hidalgo respondeu diretamente à pergunta feita por Esmael Morais. Segundo o presidente da Paraná Pesquisas, Moro chega a aproximadamente 50% dos votos válidos no levantamento e, se a eleição fosse realizada naquele momento, estaria em condição de vencer no primeiro turno.

Hidalgo também contestou a avaliação de que a Paraná Pesquisas teria apresentado um resultado excepcionalmente favorável a Moro. Ele comparou o levantamento com pesquisa anterior da Quaest, na qual o senador também aparecia próximo de 50% dos votos válidos.

A explicação, segundo o pesquisador, pode estar na metodologia da pergunta, na abordagem dos entrevistadores e na forma de insistência diante do eleitor. Para Hidalgo, a diferença entre pesquisas precisa ser analisada tecnicamente, e não apenas pelo percentual bruto atribuído a determinado candidato.

A bancada, entretanto, foi além da fotografia apresentada pela pesquisa.

A maioria dos jornalistas presentes manifestou aposta em segundo turno. A justificativa comum foi que Moro permanece praticamente estável enquanto seus adversários ainda possuem espaço para crescer, sobretudo diante do elevado número de eleitores que ainda não consolidaram sua escolha.

O ponto central levantado durante a Superlive foi que a eleição não será decidida apenas pela capacidade de Moro conservar 45% das intenções de voto. Requião Filho e Sandro Alex precisam crescer sem simplesmente retirar votos um do outro. O avanço necessário passa pelos indecisos e por eleitores que hoje declaram preferência por Moro.

A avaliação de que a eleição pode ser decidida no primeiro turno, portanto, foi enfrentada com uma pergunta política: os adversários conseguirão transformar a campanha em movimento eleitoral antes que a vantagem do líder se torne irreversível?

Sandro Alex enfrenta o relógio

Sandro Alex foi um dos principais assuntos da transmissão. A pesquisa mostra crescimento de 16,5% para 17,5% em relação ao levantamento anterior, enquanto Moro recuou de 46,1% para 45% e Requião Filho avançou de 23,4% para 24%.

Para Murilo Hidalgo, o crescimento de Sandro ainda é pequeno diante da estrutura política à disposição do candidato governista. O pesquisador avaliou que o apoio do governador Ratinho Junior (PSD), a rede de prefeitos e o maior tempo de propaganda eleitoral deveriam produzir uma reação mais forte.

Hidalgo chamou atenção para o que classificou como “sinal amarelo” na campanha de Sandro. A transferência da elevada aprovação de Ratinho para o candidato apoiado pelo governador ainda não teria ocorrido na proporção esperada.

João Barbiero reforçou essa percepção a partir dos relatos que recebe nos Campos Gerais. O jornalista questionou quando prefeitos, lideranças e candidatos aliados efetivamente entrariam na campanha.

Cláudio Osti trouxe a realidade do Norte do Paraná. Segundo sua percepção, a campanha ainda não ganhou as ruas de maneira significativa e os apoios formais ao candidato governista nem sempre se transformaram em mobilização eleitoral.

Ângelo Rigon, por sua vez, relatou situação semelhante em Maringá. Na avaliação do jornalista, ainda existe pouca movimentação visível nas ruas, enquanto Moro já apresenta uma presença eleitoral percebida no cotidiano político da cidade.

Cristina Esteche acrescentou a percepção de Guarapuava e do Centro-Sul. A jornalista observou que, apesar de a região ser identificada como conservadora e de Moro aparecer forte nos levantamentos, a campanha eleitoral ainda não apresenta o movimento de rua observado em eleições anteriores.

A leitura conjunta foi objetiva: Sandro Alex tem estrutura para reagir, mas o tempo começa a se transformar em variável eleitoral.

Requião Filho resiste, mas precisa transformar voto em campanha

Requião Filho apareceu na Superlive como o candidato que ocupa a segunda posição e, simultaneamente, enfrenta o desafio de transformar essa posição em competitividade real.

A bancada destacou que o pedetista permanece próximo dos 24%, apesar de não contar com a mesma estrutura política e financeira dos grupos ligados ao governo estadual.

O desempenho também foi relacionado à possibilidade de participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em agenda no Paraná. Murilo Hidalgo avaliou que a presença de Lula pode ajudar Requião Filho a ganhar pontos preciosos, embora também possa produzir rejeição.

Esmael Morais informou em primeira mão, durante a Superlive, um comício de Lula previsto para o dia 12 de setembro (sábado) em Curitiba.

A questão, segundo os participantes, é se Requião Filho assumirá uma identidade eleitoral mais definida. Durante a Superlive, jornalistas apontaram que o candidato ainda não estaria explorando completamente a associação com Lula e com o campo político que representa.

O problema é semelhante ao identificado em Sandro Alex, mas em sentido diferente: enquanto Sandro possui estrutura e precisa transformá-la em voto, Requião possui um eleitorado mais consolidado e precisa ampliar sua capacidade de crescimento.

A eleição do Senado virou outra disputa

Se a disputa pelo governo apresenta uma liderança clara, a corrida pelo Senado foi descrita pelos participantes como muito mais aberta.

O Paraná elegerá dois senadores em 4 de outubro. A pesquisa mostra Deltan Dallagnol (Novo) na liderança, mas o restante da disputa aparece muito mais embolado.

Durante a Superlive, Murilo Hidalgo revelou, em primeira mão, uma informação que não havia sido apresentada separadamente na divulgação convencional do levantamento: a divisão entre primeiro e segundo voto para o Senado.

No primeiro voto, Deltan teria 24%, Gleisi Hoffmann (PT), 20%, Alexandre Curi (PSD), 19%, e Filipe Barros (PL), 11%.

O dado decisivo apareceu no segundo voto: 47% dos eleitores não apresentaram uma segunda opção.

Filipe Barros aparece com cerca de 12% no segundo voto; Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann, com aproximadamente 9% cada; Cristina Graeml, 8%; Deltan Dallagnol, 6%; e Gleisi Hoffmann, 5%, conforme a explicação feita por Hidalgo durante a transmissão.

O ponto político, contudo, segundo Murilo Hidalgo, é: o segundo voto pode decidir a eleição para o Senado.

Hidalgo explicou que uma parcela expressiva dos eleitores que escolhem determinado candidato na primeira vaga ainda não possui uma segunda preferência. Isso abre espaço para alianças, dobradinhas e transferência de votos durante a campanha.

Gleisi Hoffmann aparece como exemplo mais evidente desse dilema. Segundo Hidalgo, ela teria um primeiro voto competitivo, mas enfrenta dificuldade para converter esse eleitor em uma segunda escolha de voto para outro candidato ou para receber o segundo voto de eleitores que já escolheram alguém.

Alexandre Curi também aparece no centro dessa disputa porque, segundo a análise apresentada, consegue receber votos de diferentes grupos políticos. O mesmo fenômeno ocorre, em menor escala, com outros candidatos.

Deltan, Filipe e a disputa pela direita

A Superlive também discutiu a relação eleitoral entre Deltan Dallagnol e Filipe Barros.

Para Murilo Hidalgo, os dois candidatos da direita foram beneficiados pela retomada de uma agenda política relacionada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação do pesquisador, a conjuntura nacional devolveu aos candidatos um discurso capaz de mobilizar suas bases digitais.

A chamada “dobradinha” entre Deltan e Filipe foi citada como uma tentativa de concentrar esse eleitorado em duas candidaturas ao Senado.

Ao mesmo tempo, os jornalistas lembraram que a situação jurídica de Deltan continua sendo uma variável importante da eleição. A permanência de sua candidatura, eventual decisão posterior sobre o registro e as consequências de uma possível inelegibilidade foram apontadas como fatores capazes de alterar o desenho da corrida.

A força da bancada: Paraná inteiro na mesma conversa

Um dos resultados políticos da Superlive foi colocar diferentes regiões do Paraná dentro da mesma análise.

João Barbiero levou para a transmissão a visão de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, além da experiência acumulada na cobertura política regional.

Ogarito Linhares representou o Litoral, com a leitura produzida a partir de Paranaguá e da Rádio Ilha do Mel FM.

Cristina Stet apresentou a perspectiva de Guarapuava e do Centro-Sul por meio da Rede Sul de Notícias.

Cláudio Osti trouxe Londrina e o Norte do Estado, observando o comportamento eleitoral e a movimentação das campanhas.

Ângelo Rigon acrescentou o olhar de Maringá e do Noroeste, região fundamental para qualquer candidatura que pretenda construir maioria estadual.

Murilo Hidalgo acrescentou à bancada o olhar técnico de quem produz a pesquisa que serviu de ponto de partida para o debate.

Essa combinação permitiu confrontar números e percepção de rua sem transformar uma coisa na outra. Pesquisa mede intenção de voto em determinado momento. Jornalista observa campanha, comportamento político e mobilização regional. Uma dimensão não substitui a outra.

“O vencedor da inércia”

Uma das sínteses mais fortes da Superlive foi a definição de Moro como o “vencedor da inércia”.

A expressão resume o diagnóstico apresentado por parte da bancada: Moro lidera, mas não necessariamente precisa crescer para continuar na frente. Seus adversários é que precisam produzir uma mudança capaz de alterar o cenário.

O problema para os concorrentes é que a sensação de vitória antecipada também pode produzir efeitos eleitorais. Prefeitos e lideranças podem evitar uma declaração pública de apoio a adversários caso considerem que Moro tenha chances concretas de vencer.

Esse comportamento pode reduzir a mobilização dos concorrentes e, simultaneamente, reforçar a percepção de que o líder já seria inevitável.

A bancada também discutiu a estratégia de Moro de evitar alguns debates. Para os jornalistas, a ausência pode funcionar eleitoralmente de duas maneiras: preservar uma liderança construída ou abrir espaço para que os adversários questionem a disposição do candidato de discutir seus projetos para o Paraná.

Segundo turno ainda é aposta da bancada

No encerramento, Esmael Morais perguntou diretamente aos participantes se a eleição poderia ser resolvida no primeiro turno.

A resposta predominante foi pelo segundo turno.

Ogarito Linhares sustentou que Requião Filho e Sandro Alex têm condições de somar votos suficientes para impedir a vitória de Moro na primeira rodada, desde que cresçam sobre indecisos e não apenas canibalizem o eleitorado um do outro.

Cristina Esteche também apostou no segundo turno, destacando o espaço eleitoral disponível para Sandro Alex diante de sua rejeição relativamente baixa.

Cláudio Osti afirmou que prefere o segundo turno porque ele amplia a possibilidade de discussão sobre propostas e trajetória dos candidatos.

Ângelo Rigon também apostou em uma segunda rodada, embora tenha deixado em aberto quem enfrentaria Moro.

João Barbiero avaliou que o segundo turno é possível e apontou a necessidade de Sandro Alex transformar a força política de Ratinho Junior em mobilização eleitoral.

A conclusão da bancada não foi a de que Moro esteja em situação frágil. Pelo contrário. A leitura predominante foi que o senador começa setembro em posição muito favorável, mas a estabilidade de sua candidatura mantém uma janela para reação.

A Superlive, portanto, não tratou a pesquisa como sentença. Tratou-a como fotografia de um momento e procurou identificar o que pode fazer essa fotografia mudar.

No Governo do Paraná, Moro largou na frente. No Senado, o cenário está aberto. E, para a bancada do Blog do Esmael, a pergunta decisiva das próximas semanas será se os adversários conseguirão transformar campanha em voto antes que a vantagem do líder se torne definitiva.

A cobertura eleitoral do Blog do Esmael continua acompanhando as pesquisas, as campanhas e a movimentação dos candidatos em todas as regiões do Paraná. Compartilhe esta análise, acompanhe nossas próximas transmissões e participe da cobertura das eleições de 2026.

Assista à íntegra da Superlive do Blog do Esmael

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