O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), segurou na quinta-feira (21) a leitura dos pedidos de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master mesmo após governistas e oposicionistas cobrarem a investigação em sessão conjunta, num momento em que o Datafolha mostrou Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aumentou o custo político da gaveta.
Alcolumbre afirmou que a leitura de requerimentos de CPMI é escolha da Presidência do Congresso, amparada pelo Regimento Interno do Senado. A Agência Senado registrou que a declaração ocorreu após parlamentares governistas e da oposição cobrarem a criação da CPMI do Banco Master.
O detalhe que muda o peso político da pauta está no Paraná. A pressão por investigação não ficou restrita ao bolsonarismo nem à oposição de direita. A bancada governista também assinou pedido de CPMI, com nomes como Gleisi Hoffmann (PT), Tadeu Veneri (PT), Carol Dartora (PT), Aliel Machado (PV), Elton Welter (PT) e Zeca Dirceu (PT), segundo levantamento atualizado do Blog.
A lista paranaense atravessa campos adversários. Do outro lado, nomes da direita e do centro também aparecem na cobrança por apuração, como Filipe Barros (PL), Felipe Francischini (PODE), Pedro Lupion (Republicanos), Ricardo Barros (PP), Sargento Fahur (PL), Delegado Matheus Laiola (União), Diego Garcia (União), Luiz Nishimori (PSD), Luiz Carlos Hauly (PODE), Giacobo (PSD), Luciano Ducci (PSB), Luisa Canziani (União), Tião Medeiros (PP), Sergio Souza (MDB), Toninho Wandscheer (PP), Vermelho (PL) e outros deputados do estado.
No Senado, o recorte paranaense também pesa. Sergio Moro (PL), Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB) aparecem no campo dos que defendem investigação sobre o Banco Master. Isso deixa a gaveta de Alcolumbre mais difícil de explicar como disputa entre governo e oposição.
A CPMI do Master virou uma pauta transversal porque encosta em temas que nenhum partido controla sozinho: fiscalização bancária, Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pequenos investidores, Banco Central (BC), Congresso Nacional e a tentativa de medir quem se beneficiou da demora institucional. O FGC é o mecanismo privado que protege aplicações dentro de limites definidos pelo sistema financeiro.
O Datafolha divulgado na sexta-feira (22) deu número ao desgaste. Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. No primeiro turno, Lula marca 40%, Flávio Bolsonaro fica com 31%, Ronaldo Caiado tem 4%, e Romeu Zema e Renan Santos aparecem com 3%. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 20 e 21 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
O Blog do Esmael destacou que o levantamento foi feito após reportagem do Intercept Brasil sobre a negociação de investimento de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em um filme ligado à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro nega irregularidade, e a acusação política não substitui prova judicial.
O próprio Flávio Bolsonaro reconheceu ter se encontrado com Vorcaro depois da prisão do banqueiro e afirmou que a relação envolvia apenas um investimento privado no filme, sem contrapartida. A defesa de Vorcaro não comentou o caso.
O caso já produz efeito eleitoral, segundo os números do Datafolha que vieram à tona nesta sexta-feira (22). Sem CPMI, o debate fica entregue a pesquisa, nota pública, bate-boca no plenário e disputa de narrativa.
No Paraná, a consequência é direta. Moro tenta preservar a pose de investigador no mesmo campo nacional de Flávio Bolsonaro. Filipe Barros carrega o histórico de ter apresentado projeto sobre o FGC e diz que atuou para proteger pequenos investidores. Ratinho Junior (PSD) observa a crise atingir a direita que pode sustentar sua sucessão estadual em 2026.
Deltan Dallagnol (Novo) também entra no cálculo político, ainda que fora do mandato. O campo lavajatista paranaense depende da ideia de rigor anticorrupção, mas agora precisa explicar por que a investigação do Master deve avançar mesmo quando alcança aliados da direita.
A assinatura de governistas paranaenses muda a cobrança contra Alcolumbre. Se a CPMI sair, o Congresso abre uma arena para depoimentos, documentos e disputa pelo comando da narrativa. Se continuar parada, a gaveta deixa de ser detalhe regimental e vira escolha política diante de uma investigação pedida por adversários que quase nunca assinam a mesma coisa.
A demora beneficia quem quer esfriar o caso antes que ele vire rito parlamentar. Mas também prolonga o desgaste de Flávio Bolsonaro, mantém Lula no ataque e coloca a bancada do Paraná diante de uma pergunta simples: assinatura em requerimento vale cobrança pública ou serve apenas para registro em dia de crise?
Alcolumbre segura o relógio, mas não controla mais o custo da espera. Quando base de Lula, direita bolsonarista e centro paranaense aparecem no mesmo movimento formal por investigação, a gaveta deixa de proteger o Congresso e passa a expor quem prefere adiar a apuração.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




