Pibinho murcho do presidente Jair Bolsonaro assustou até dona Michelle Bolsonaro

O Brasil entrou oficialmente em recessão com queda histórica de 9,7% no PIB do 2º trimestre, segundo o IBGE, que afirma ser esta a maior queda já registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desde 1996. A retração do Produto Interno Bruto do país foi puxada pela crise causada pela pandemia da Covid-19. Entre os setores mais afetados, estão o consumo das famílias, os serviços e a indústria. A agropecuária registrou aumento de 0,4% no período.

No entanto, é bom frisar, a crise econômica era anterior à pandemia do novo coronavírus. O leitor do Blog do Esmael acompanhou essa discussão ao longo do ano passado e início deste 2020.

Como reflexo do pibinho murcho do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil tem hoje 80 milhões de desempregados, qual seja, 50% da população economicamente ativa (PEA). Até dona Michelle Bolsonaro se assustou com essa queda.

O PIB do país encolheu 9,7% no segundo trimestre de 2020, na comparação com o trimestre anterior, auge do distanciamento social adotado para controle da pandemia de Covid-19. Essa é a segunda queda trimestral seguida e o menor resultado para a economia desde o início da série histórica, em 1996, segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgado hoje (1/9) pelo IBGE.

Em valores correntes, o PIB, que é soma dos bens e serviços produzidos no Brasil, somou R$ 1,653 trilhão de abril a junho. Após revisão da queda do primeiro trimestre de -1,5% para -2,5%, a economia acumulou queda de 5,9% no primeiro semestre do ano. Nos últimos quatro trimestres, encolheu 2,2%, e na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o recuo foi de 11,4%. O PIB está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana.

A retração da economia resulta das quedas históricas de 12,3% na indústria e de 9,7% nos serviços. Somados, indústria e serviços representam 95% do PIB nacional. Já a agropecuária cresceu 0,4%, puxada, principalmente, pela produção de soja e café.

“Esses resultados referem-se ao auge do isolamento social, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para enfrentamento da pandemia”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Na indústria, o recuo se deve às quedas de 17,5% nas indústrias de transformação, 5,7% na construção, 4,4% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e 1,1% nas indústrias extrativas.

“Nos serviços, a maior queda foi em outras atividades de serviços (-19,8%), que engloba serviços prestados às famílias. Também caíram transporte, armazenagem e correio (-19,3%) e comércio (-13,0%), que estão relacionados à indústria de transformação. Outros recuos vieram de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-7,6%) e informação e comunicação (-3,0%)”, acrescentou a coordenadora.

Os únicos resultados positivos foram verificados em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,8%) e as atividades imobiliárias (0,5%).

Consumo das famílias tem queda recorde de 12,5%

Pelo lado da demanda, a maior queda foi no consumo das famílias (-12,5%), que representa 65% do PIB. “O consumo das famílias não caiu mais porque tivemos programas de apoio financeiro do governo. Isso injetou liquidez na economia. Também houve um crescimento do crédito voltado às pessoas físicas, que compensou um pouco os efeitos negativos”, disse Rebeca Palis.

O consumo do governo recuou 8,8% no segundo trimestre, muito por conta das quedas em saúde e educação públicas, explica a coordenadora do IBGE. “Na saúde, os gastos ficaram mais focados no combate à Covid-19, e as pessoas tiveram receio de buscar outros serviços, como consultas e exames, durante a pandemia. Na educação, utilizamos nas contas o percentual do Ministério da Educação de alunos que tiveram aulas ou não. Isso fez com o que o consumo do governo caísse bastante também”, detalhou a coordenadora, destacando que o resultado não tem relação com a política fiscal.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) também recuaram 15,4%, por conta da queda na construção e na produção interna de bens de capital. Somente importação de bens de capital cresceu no período.

A balança de bens e serviços registrou uma alta de 1,8% nas exportações, enquanto as importações recuaram 13,2%. “Essa alta nas exportações tem muito a ver com as commodities, produtos alimentícios e petróleo. Já as importações caíram em vários setores, de veículos, toda a parte de serviço, viagens, já que tudo parou devido à pandemia”, disse a coordenadora de Contas Nacionais.

No acumulado do primeiro semestre, o PIB caiu 5,9% em relação ao mesmo período de 2019, com desempenho positivo da agropecuária (1,6%). Na indústria (-6,5%) e nos serviços (-5,9%) os resultados foram negativos. “Essa foi a primeira taxa semestral negativa desde 2017, quando estávamos saindo da crise econômica que ocorreu, principalmente, entre 2015 e 2016. Agora, voltamos a uma nova queda no PIB”, conclui Rebeca Palis.

LEIA TAMBÉM

  • Retração do PIB no segundo trimestre pode chegar a 10%
  • PIB do Japão sofre contração histórica de 27,8%
  • PIB do Brasil cai 10,5% no trimestre encerrado em maio
  • Sob Bolsonaro e Guedes PIB desabou 14,24% em apenas um ano
  • Fortuna de cinco bancos soma R$ 7,4 trilhões e supera PIB do Brasil
  • Pra nunca esquecer: “Se Dilma sair, PIB dobra”
  • Bolsonaro confirma redução do auxílio emergencial para R$ 300

    O presidente Jair Bolsonaro, coração de pedra, anunciou nesta terça-feira (1º) a redução do auxílio emergencial para R$ 300.

    A ajuda governamental foi aprovada pela oposição no Congresso Nacional no início da pandemia do novo coronavírus com valor de R$ 600.

    No início, Bolsonaro e Paulo Guedes queriam estabelecer em R$ 200 o auxílio emergencial. No entanto, na época, eles perderam o embate com os oposicionistas.

    O auxílio emergencial alcança cerca de 66 milhões de pessoas, que, em virtude do desemprego e da pandemia, depende de ajuda estatal para viver.

    Como sacanagem pouca é bobagem, Guedes e Bolsonaro também anunciaram hoje a reforma administrativa, que consiste na redução de salário do serviço público, demissão de concursados, enfim, precarizando ainda mais o serviço público brasileiro. Esse projeto tende a aprofundar a depressão econômica.

    Portanto, Jair Bolsonaro vai consolidando a “República dos Bancos” e se posicionando como o governo da fome e do desemprego.

    No Brasil, são mais de 80 milhões de desempregados e, ontem, o presidente enviou ao Congresso um medíocre salário mínimo de R$ 1.067 para o ano que vem. Atualmente, o mínimo vale R$ 1.045.