O aumento da taxa Selic para 15%, decidido na semana passada pelo Banco Central, não foi suficiente para conter o apetite dos oligarcas do mercado financeiro — leia-se Globo e bancos — que voltaram a chifrar o governo do presidente Lula (PT) na noite desta quarta-feira (25).
Bastidores da derrota
A Câmara dos Deputados derrubou o decreto presidencial que alterava as regras de cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), imposto central para equilibrar o orçamento de 2025. Nos corredores do Congresso e do Planalto, a avaliação é unânime: a derrota não foi só de Lula, mas, principalmente, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que ficou ainda mais fragilizado.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu publicamente à derrubada do decreto, classificando a decisão como “injusta” e alertando para os impactos sociais:
“A derrubada do decreto vai reduzir a receita em R$ 10 bilhões este ano e coloca em risco programas como Auxílio Gás, Minha Casa Minha Vida e Pé de Meia. É um ataque à população mais vulnerável”, afirmou Gleisi.
Haddad na corda bamba
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também tentou defender o decreto até o último minuto, argumentando que as mudanças no IOF corrigiriam distorções e combateriam a evasão fiscal dos mais ricos. Mas, isolado politicamente, Haddad saiu enfraquecido, e nos bastidores a sua queda é considerada questão de tempo — talvez dias.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), subiu o tom:
“A derrubada do decreto do presidente Lula vai afetar o povo. Teremos cortes em programas sociais. Queremos que os ricos paguem a conta!”
O jogo dos oligarcas
A ofensiva dos oligarcas não dá trégua. A grande imprensa, capitaneada pelo Grupo Globo, e o sistema financeiro, acostumados a lucrar com brechas tributárias e privilégios históricos, atuaram de forma orquestrada para enterrar o decreto do IOF. Nos bastidores, pressionaram parlamentares, enquanto nas páginas e telas tentam maquiar o episódio como um gesto de “responsabilidade fiscal”.
Não é coincidência. Os mesmos veículos alinhados ao mercado — que se beneficiam direta ou indiretamente de benesses públicas — agora vendem a sabotagem como suposta defesa do “contribuinte”, quando, na prática, protegem os mais ricos de pagarem a conta.
Segundo especuladores ouvidos pelo g1, braço da Globo, a decisão do Congresso obrigará o governo a ampliar o contingenciamento, que já chega a R$ 31,3 bilhões — o maior dos últimos cinco anos. Sem o decreto do IOF, o rombo na arrecadação pode alcançar R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 30 bilhões no próximo ano.
A movimentação do Congresso é inédita em termos históricos recentes. Na base de dados sobre legislação federal da Câmara dos Deputados, o último decreto presidencial sustado pelo Parlamento foi o Decreto 430/92, do então governo Fernando Collor, que tratava do pagamento de precatórios segundo a ordem de apresentação. Ou seja, passaram-se 33 anos desde que o Congresso derrubou um decreto presidencial — o que, por si só, já revela o peso político da derrota imposta ao Planalto.
Na prática, o bloqueio de verbas recairá sobre programas sociais, investimentos públicos e serviços básicos — medidas impopulares que, nos cálculos políticos dos oligarcas, minam o projeto de reeleição do presidente Lula. Mesmo enfrentando altos índices de rejeição, o petista segue liderando todos os cenários para 2026, conforme aponta a Paraná Pesquisas.
A sabotagem é sutil, mas eficiente: desmontar a capacidade do governo de entregar resultados, enquanto preserva os privilégios do topo da pirâmide econômica.
Hipocrisia fiscal no Congresso
Apesar do discurso de austeridade, o Congresso segue aprovando medidas que aumentam as despesas, como a ampliação do número de deputados de 513 para 531, gerando um impacto estimado em R$ 95 milhões anuais.
“O quadro fiscal é grave e estão brincando com fogo. O Congresso diz que o governo precisa cortar, mas eles próprios resistem a cortar as suas benesses”, disparou Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda de São Paulo.
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Cenário: crise fiscal e tensão política
Economistas alertam que o cenário fiscal se deteriora e que, sem medidas estruturais, como cortes em emendas parlamentares e mudanças nas regras de gastos mínimos em Saúde e Educação, o governo pode não conseguir cumprir a meta de déficit zero este ano.
Sem o decreto do IOF, cresce a pressão sobre o dólar, os juros e o ambiente de investimento. Paralelamente, os grandes grupos econômicos reforçam sua ofensiva contra o governo, colocando Lula e Haddad em xeque.
O jogo continua
A crise do IOF não é apenas técnica. É política, é simbólica. Exibe como os interesses cruzados de bancos, mídia e Congresso continuam sabotando qualquer tentativa de redistribuição fiscal no país.
O governo Lula sai arranhado, mas o recado é claro: ou enfrenta de vez os privilégios dos oligarcas ou seguirá refém dos que lucram com o desequilíbrio social. Com a chifrada dos oligarcas da Globo e do mercado financeiro, isto é, dos mais ricos, o projeto de reeleição subiu no telhado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




