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Taxa Selic é o verdadeiro rombo, diz Haddad

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse o que a velha mídia evita cravar nos títulos: “O que está afetando o mercado é a taxa Selic.”

Hoje em 14,75%, o juro real mais alto do planeta não apenas encarece o crédito. Ele sangra o orçamento público, limita a capacidade de investimento do Estado e transfere bilhões de reais para o topo da pirâmide.

Não se trata de ideologia, mas de disputa orçamentária. O rentismo abocanha mais de 60% do Orçamento da União. E a resistência a qualquer correção nesse modelo vem, justamente, de quem mais lucra com ele — bancos, fundos, grandes corporações e seus porta-vozes no noticiário.

“Não vai afetar minimamente, o que está afetando o mercado é a taxa Selic. Nós temos que criar as condições para ela começar a cair, e esse conjunto de medidas ajuda a criar o ambiente econômico”, disparou Haddad.

Fontes ouvidas pelo Blog do Esmael, na própria Avenida Faria Lima, revelam que há boatos sobre nova alta da Selic, possivelmente em 1 ponto percentual, movida por pressões diretas do mercado financeiro. Se confirmada, será mais uma evidência de que a política monetária brasileira está sendo ditada por interesses privados, num país com Banco Central formalmente “independente”, mas funcionalmente capturado.

Não é gasto — é para onde vai

dinheiro

A narrativa dominante culpa as emendas parlamentares ou “gastos excessivos” pelo desequilíbrio fiscal. Mas a realidade é bem mais incômoda.

Enquanto o Congresso disputa R$ 50 bilhões em emendas, o custo da Selic para o Tesouro Nacional ultrapassa R$ 1,7 trilhão. Uma conta bilionária que recai diretamente sobre a sociedade — e beneficia apenas o andar de cima.

Segundo o Portal da Transparência, o Orçamento da União para 2025 é de R$ 5,8 trilhões. Desse total:

  • R$ 1,6 trilhão vai para o refinanciamento da dívida pública
  • R$ 245 bilhões para a saúde
  • R$ 226 bilhões para a educação
  • R$ 972 bilhões para a Previdência
  • R$ 158 bilhões para o Bolsa Família

Apenas 39% do orçamento está reservado para políticas públicas finalísticas. Os outros 61% estão classificados como “encargos especiais” — e quase 70% disso vai diretamente para o pagamento de juros e amortizações da dívida interna.

Em números absolutos, são R$ 2,7 trilhões transferidos ao rentismo, com aval da maior taxa de juros do planeta.

Galípolo no centro do paradoxo

Apesar de Galípolo, governo Lula segue em queda de braço com BC
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e o presidente Lula.

A fala de Haddad escancara outro ponto sensível: o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, é seu ex-secretário-executivo e foi indicado por ele próprio e pelo presidente Lula. A maioria do Copom, inclusive, também já foi renovada sob o atual governo.

Quem está com a caneta? O BC é autônomo, mas não pode operar à margem do projeto político eleito nas urnas. Política monetária não é neutra. Tem ganhadores e perdedores — e, no Brasil, os ganhadores são sempre os mesmos.

Nova MP fiscal mira isenções e grandes patrimônios

Diante da crise provocada pelo decreto do IOF, o governo recuou e apresentou uma nova medida provisória de ajuste fiscal. Desta vez, o foco mudou: em vez de atingir o consumo, a base da pirâmide ou o crédito popular, a MP tributa isenções históricas e ganhos de capital blindados há décadas:

  • LCI e LCA: fim da isenção, com alíquota de 5% a partir de 2026
  • Apostas esportivas (bets): alíquota sobe de 15% para 18% em outubro
  • Criptomoedas e fundos exclusivos: tributação unificada em 17,5%
  • Fintechs: CSLL de 9% para 15%
  • Juros sobre Capital Próprio: alíquota de 15% para 20%

Não é um ataque à classe média — como tentam pintar os setores privilegiados. É uma correção histórica, que enfrenta reação feroz justamente por atingir quem sempre escapou do esforço fiscal.

“Não vai [impactar preços], absolutamente não. Porque eu tenho outras maneiras de canalizar esse recursos – que inclusive, não estão chegando no produtor. Não é verdade que estão chegando, mais da metade desse subsídio está ficando no meio do caminho”, declarou Haddad.

Congresso, mídia e especulação: o tripé da resistência

Haddad bateu boca com bolsonaristas na Câmara. Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Haddad bateu boca com bolsonaristas na Câmara. Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A ofensiva contra a nova MP se articula em três frentes: Congresso, mídia e mercado.

Deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ) atacaram Haddad pessoalmente em plenário. O ministro manteve a compostura: “Debate se faz com argumento, não com grito.”

A sessão virou circo — desinformação, teatralização e distração. O mérito da MP ficou em segundo plano. O script é conhecido: quando se toca no andar de cima, os sabotadores entram em cena.

Partidos como União Brasil e PP, que controlam ministérios, também ameaçam travar a MP, exigindo “corte de despesas” — eufemismo para arrocho fiscal sobre os mais pobres, congelamento de salários e desmonte de serviços públicos.

Enquanto isso, colunistas da velha mídia ecoam o discurso de que “o governo não corta gastos” — omitindo que as tentativas de cortar supersalários e privilégios corporativos são sistematicamente barradas no próprio Congresso.

Leia também: Haddad apresenta MP fiscal sob ataque do mercado e da velha mídia
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Como funcionam as LCAs e LCIs

As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar setores estratégicos.

🔹 O que são?

  • LCI: financiamento ao setor imobiliário (construtoras, incorporadoras, crédito habitacional)
  • LCA: financiamento ao agronegócio (produtores rurais, cooperativas, insumos)

🔹 Como funcionam?
O investidor empresta recursos ao banco, que promete devolver com juros. Os principais tipos de remuneração são:

  • Prefixada: rendimento fixo (ex: 11% a.a.)
  • Pós-fixada: atrelada ao CDI
  • Híbrida: IPCA + taxa fixa

🔹 Por que eram isentas de IR?
Criadas com isenção de IR para pessoas físicas, visavam baratear o crédito e atrair investidores para setores considerados prioritários.

🔹 E qual é o problema?
A isenção virou um benefício concentrado no topo da pirâmide:

  • Mais de R$ 1,7 trilhão está aplicado nesses papéis
  • A renúncia fiscal supera R$ 41 bilhões por ano
  • A maior parte dos subsídios não chega ao pequeno produtor nem à habitação popular — fica nos bancos

🔹 O que o governo quer?
Aplicar 5% de IR sobre LCI e LCA a partir de 2026 — não para punir os setores, mas para corrigir uma distorção regressiva.

Selic é o veneno que paralisa o país

Especuladores torcem pelo aumento da taxa de juros Selic. Foto: reprodução/rrss
Especuladores torcem pelo aumento da taxa de juros Selic. Foto: reprodução/rrss

A gritaria contra a MP de Haddad revela o que realmente está em disputa: uma reforma do pacto fiscal brasileiro, onde quem sempre pagou pouco (ou nada) começa a ser chamado à mesa.

A resistência vem dos de sempre — grupos isentos, blindados e acostumados a lucrar com a desigualdade. E ela é ruidosa, coordenada, inflada pela velha mídia e por interesses financeiros travestidos de tecnicismo.

Haddad deu nome ao problema. Selic alta não é remédio — é veneno.

E enquanto isso não for entendido pela opinião pública, qualquer tentativa de reforma será sabotada por dentro.

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