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O ministro Fernando Haddad enfrentou, nesta quarta-feira (11), uma ofensiva orquestrada por setores do Congresso e da velha mídia. Deputados bolsonaristas como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ) fizeram ataques pessoais durante a sessão da Câmara, enquanto a Globo e outros veículos amplificaram o discurso em defesa do sistema financeiro.
Renata Lo Prete, no Jornal da Globo, resumiu o tom fabricado: “Haddad teve um dia de cão”. A frase pouco diz sobre o debate real — mas muito sobre a tentativa de blindar interesses cruzados entre o jornalismo tradicional, fundos de investimento e bancos.
Nova MP mira arrecadação de R$ 20 bilhões e substitui decreto do IOF
Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a medida provisória redesenha o ajuste fiscal após a reação negativa ao decreto do IOF. A MP propõe:
- Fim da isenção de IR para LCA e LCI (5% a partir de 2026)
- Tributação unificada de 17,5% sobre fundos, criptomoedas e outros ativos
- IR sobre Juros sobre Capital Próprio sobe de 15% para 20%
- CSLL para fintechs sobe de 9% para 15%
- Imposto sobre apostas (bets) vai de 12% para 18%
- Permissão de compensação ampla de perdas e ganhos no mercado
O foco está onde sempre deveria ter estado: nos grandes patrimônios e nos setores historicamente isentos de qualquer sacrifício. Não por acaso, são também os primeiros a gritar.
Pressão institucional obriga recuos estratégicos
Para conter a crise política e evitar derrota no Congresso, o governo fez ajustes pontuais no decreto original:
- Alíquota de crédito para empresas volta a 0,38%
- VGBL mantido isento até R$ 600 mil por ano
- IOF sobre câmbio zerado para repatriação de investimento direto
- FIDCs taxados apenas na emissão primária
Com os recuos, a estimativa de arrecadação para 2025 caiu de R$ 19,1 bilhões para até R$ 7 bilhões. É o custo imposto por um sistema que rejeita qualquer redistribuição e que atua em bloco para preservar privilégios.
Velha fórmula no Congresso: ou corta gastos ou sabotam o ajuste
União Brasil e PP — que controlam quatro ministérios — fizeram uma bravata: só apoiam a MP se houver corte de despesas. Em nota conjunta, seus presidentes, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, reforçaram a velha agenda liberal de enxugamento do Estado.
Não se trata de fragilidade da base aliada. O que se vê é a captura de setores do Parlamento por grupos econômicos que sabotam qualquer tentativa de reequilibrar a conta tributária entre ricos e pobres.
Esses setores repetem o mesmo script: falam em “reforma administrativa”, mas o alvo é sempre o mesmo — desmontar serviços públicos, congelar salários, cortar pensões, aviltar aposentadorias e blindar o topo da pirâmide. Ao mercado, tudo; ao povo, o ônus do ajuste.
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Sessão na Câmara tem confronto entre Haddad e bolsonaristas
Em meio à tensão, Haddad foi alvo de provocações explícitas. Nikolas Ferreira chamou o ministro de “moleque”. A resposta foi firme e política: “Não vou descer a esse nível. Debate se faz com argumento, não com grito”.
O bate-boca forçou a suspensão da sessão, virou pauta da mídia e cumpriu seu papel: distrair o público do conteúdo da MP — que atinge o coração do rentismo.
O que está em jogo com a MP de Haddad
A reação desproporcional ao pacote fiscal revela a verdadeira disputa em curso. Não é técnica, é política. Haddad propõe tributar grandes ganhos e reorganizar distorções históricas. A resposta é a tentativa de inviabilizar qualquer avanço progressivo.
Enquanto isso, jornais defendem cortes em aposentadorias, congelamento do salário mínimo e redução de direitos sociais. É o lobby da especulação tentando transformar a crise fiscal em mais um capítulo de transferência de renda dos de baixo para os de cima.
Compartilhe esta análise. O povo precisa entender o que está por trás de cada recuo — e quem lucra com ele.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




