Índice de Tópicos
Duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (14) mostram Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente no segundo turno, mas produzem fotografias diferentes da corrida presidencial: a Quaest coloca o senador numericamente à frente, com 42% contra 40% do presidente, enquanto a BTG Pactual/Nexus aponta Lula na dianteira por 47% a 46%. A diferença não permite declarar um vencedor entre os levantamentos, mas revela como metodologia, período de campo e forma de entrevista podem alterar a fotografia de uma eleição apertada.
Duas pesquisas, dois resultados
Na pesquisa Quaest, contratada pelo Grupo Globo, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 40%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 13%, enquanto 5% estão indecisos.
Na rodada anterior da Quaest, divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio apareciam empatados em 41%. Agora, o senador oscilou um ponto para cima e o presidente um ponto para baixo. Mesmo com a vantagem numérica de Flávio, o resultado permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Na BTG Pactual/Nexus, Lula aparece com 47%, contra 46% de Flávio Bolsonaro. O resultado também é empate técnico. Na pesquisa anterior, divulgada em 8 de setembro, Flávio tinha 46% e Lula, 45%. Ou seja, houve inversão numérica da liderança em menos de uma semana.
O Blog do Esmael identificou justamente esse contraste entre os levantamentos como sinal de uma disputa apertada. Para o blog, as duas pesquisas apontam para uma corrida praticamente equilibrada entre o presidente e o senador na reta que antecede o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Campo quase no mesmo período
Um dos primeiros pontos a observar é que os períodos de campo são praticamente coincidentes.
A Quaest entrevistou 2.004 eleitores presencialmente entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.
A Nexus ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 11 e 13 de setembro. Também trabalha com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e registrada no TSE sob o protocolo BR-04076/2026.
Portanto, não é possível explicar a diferença simplesmente por uma semana completamente distinta de acontecimentos. Os trabalhos de campo se sobrepõem em três dias.
O dono do banco BTG, André Esteves, disse que a eleição vai ser 51% a 49%. “A gente só não sabe para quem”, afirmou o banqueiro, cuja instituição está fazendo 3 mil entrevistas diariamente para seu tracking.
A diferença metodológica mais evidente está na coleta: a Quaest fez entrevistas presenciais, enquanto a Nexus utilizou entrevistas telefônicas. Isso significa que as duas empresas selecionaram e ponderaram amostras para representar o eleitorado, mas chegaram aos entrevistados por caminhos diferentes.
Isso importa porque pesquisas eleitorais não são urnas antecipadas. São estimativas produzidas a partir de amostras, questionários, critérios de seleção e ponderação.
O primeiro turno também conta
A divergência aparece com outra dimensão quando se observa o primeiro turno.
Na Quaest, Lula lidera com 36%, seguido por Flávio, com 31%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada.
Na BTG Pactual/Nexus, Lula chega a 42% e Flávio a 37%. Augusto Cury tem 6%, Caiado, 5%, e Renan Santos, 2%.
A distância entre os dois principais candidatos, portanto, é semelhante nos dois levantamentos: cinco pontos no primeiro turno.
A diferença aparece com mais nitidez na conversão desse quadro para um eventual segundo turno. Na Quaest, Flávio assume vantagem numérica de dois pontos. Na Nexus, Lula aparece um ponto à frente.
Rejeição também produz fotografias diferentes
Outro indicador ajuda a entender por que a disputa permanece aberta: a rejeição.
Na Quaest, Lula e Flávio empatam em 55%. Esse é o percentual de entrevistados que afirmam conhecer os candidatos e não votar neles de jeito nenhum.
Na BTG Pactual/Nexus, Flávio tem 50% de rejeição e Lula, 48%. A diferença de dois pontos também está dentro da margem de erro.
Os números mostram, por métodos diferentes, um problema semelhante para os dois campos: tanto Lula quanto Flávio chegam à reta final com elevada rejeição e dependem de eleitores que ainda podem decidir ou mudar de voto.
Na Nexus, 83% dos entrevistados dizem já ter escolhido candidato e não pretender mudar, enquanto 81% afirmam estar muito interessados na eleição. O dado indica uma campanha mais cristalizada, mas ainda deixa espaço para deslocamentos entre os eleitores dos candidatos que aparecem atrás.
Afinal, qual pesquisa está certa?
A resposta jornalística é: nenhuma pesquisa isolada pode ser tratada como a fotografia definitiva da eleição.
Quaest e BTG Pactual/Nexus apresentam resultados compatíveis com um cenário de empate técnico. A primeira registra 42% para Flávio e 40% para Lula; a segunda, 47% para Lula e 46% para Flávio. Como as duas trabalham com margem de erro de dois pontos percentuais, as diferenças numéricas não são suficientes para estabelecer vantagem estatística.
O mais seguro, portanto, é observar a série de levantamentos, os períodos de campo, a metodologia, a composição das amostras e a evolução dos candidatos ao longo do tempo.
O dado comum às duas pesquisas é mais importante que a liderança numérica de qualquer uma delas: Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final do primeiro turno em uma disputa de segundo turno sem vantagem estatística consolidada.
A eleição ainda precisa passar pelo primeiro turno de 4 de outubro. E, se a disputa entre os dois se confirmar, os eleitores que hoje rejeitam ambos, além dos votos que migrarem dos demais candidatos, poderão decidir uma corrida que as pesquisas desta segunda-feira retratam como aberta.
Leia também no Blog do Esmael: pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




