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Senado começa campanha com quatro candidatos no pelotão

A campanha eleitoral começou neste domingo (16) no Paraná com a corrida pelas duas cadeiras do Senado ainda aberta. Pesquisa RIC/IRG divulgada nesta semana coloca Deltan Dallagnol, Gleisi Hoffmann, Alexandre Curi e Filipe Barros separados por menos de três pontos no primeiro voto, sinalizando uma disputa sem favorito isolado na largada.

O levantamento ouviu 1.350 eleitores entre 8 e 12 de agosto. A margem de erro é de 2,67 pontos percentuais, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09301/2026.

A fotografia da RIC/IRG ganha peso porque a eleição de 4 de outubro terá duas vagas em disputa. O eleitor poderá escolher dois candidatos, o que abre espaço para combinações entre chapas e partidos diferentes.

A próxima fotografia será conhecida nesta segunda-feira (17), quando a Paraná Pesquisas divulgará uma nova sondagem sobre a corrida ao Senado. O levantamento será a primeira prova dos nove para saber se o equilíbrio apontado pela RIC/IRG permanece depois da formalização das candidaturas e do início oficial da campanha.

A direita começa com chapa fechada

Senado começa campanha com quatro candidatos no pelotão
Filipe, Moro e Deltan. Foto: reprodução

A largada eleitoral deste domingo também mostrou uma tentativa explícita de unificação do campo da direita.

Sérgio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), candidatos ao Senado, programaram para a noite deste domingo a live “Começando as Eleições Com o Pé Direito”.

A transmissão, marcada para 19h30 nos canais dos três candidatos, reúne os nomes da chapa formada em torno de Moro. A estratégia é apresentar os três como uma composição unificada da direita paranaense, com pautas comuns e divisão de votos entre governo e Senado.

Moro colocou segurança pública no centro da largada. Filipe Barros reforçou o discurso de defesa da liberdade, dos valores conservadores e do combate à corrupção. Deltan manteve como eixo de sua campanha a agenda anticorrupção que marcou sua trajetória pública.

A movimentação é relevante para a corrida senatorial porque Filipe e Deltan disputam parcelas importantes do mesmo eleitorado. Uma campanha coordenada pode favorecer a transferência de votos entre os dois, mas também terá de evitar a dispersão do eleitor que poderá escolher dois senadores.

A disputa, portanto, não é apenas individual. O desempenho de Moro para o Palácio Iguaçu também será um componente da estratégia eleitoral dos dois candidatos ao Senado.

Gleisi começa ao lado de Lula

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Gleisi, Dr. Rosinha e Requião Filho no lançamento de Lula, em SP. Foto: reprodução

Do outro lado da trincheira, Gleisi Hoffmann (PT) iniciou a campanha vinculando sua candidatura ao Senado à largada da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República.

Gleisi participou neste domingo de ato político no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), ao lado de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), Requião Filho (PDT) e Dr. Rosinha (PT).

O evento marcou a largada nacional da campanha de Lula e Alckmin e teve peso simbólico por ocorrer na Vila Euclides, local associado à trajetória sindical de Lula e às grandes greves do ABC paulista no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.

Gleisi convocou os militantes para levar a campanha às ruas e às redes sociais. O discurso foi centrado na comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro e no combate às fake news.

Para o Senado paranaense, a associação com Lula é uma das principais ferramentas eleitorais de Gleisi. A estratégia também coloca a eleição estadual dentro da polarização nacional entre PT e direita.

Requião Filho aproveitou o mesmo palanque para apresentar sua candidatura ao governo do Paraná como parte do projeto político de Lula. Ele afirmou que pretende levar a disputa estadual ao segundo turno e atacou diretamente Sérgio Moro.

Dr. Rosinha, candidato ao Senado pelo PT, também vinculou sua campanha à defesa de um novo mandato para Lula.

O movimento cria uma configuração clara: enquanto Moro, Deltan e Filipe iniciam a campanha juntos no campo da direita, Requião Filho, Gleisi e Dr. Rosinha inauguram a caminhada eleitoral associados ao presidente.

Curi aposta na estrutura governista

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Curi, Sandro e Ratinho. Foto: reprodução

Alexandre Curi inicia a corrida ao Senado com uma estratégia diferente.

Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Curi aparece associado à estrutura política do governador Ratinho Junior (PSD) e à candidatura de Sandro Alex (PSD) ao Palácio Iguaçu.

Neste domingo, Curi circulou por eventos no interior e na Região Metropolitana de Curitiba. Em Peabiru, participou da Festa do Carneiro ao Vinho ao lado do prefeito Marcos Lopes, de Ratinho Junior e de Sandro Alex.

Antes disso, esteve em São José dos Pinhais, onde declarou apoio a nomes ligados à política municipal e à prefeita Nina Singer.

A agenda traduz uma das principais apostas de Curi: transformar capilaridade política, presença municipal e apoio da estrutura governista em voto para o Senado.

O desafio é converter esse capital político em voto nominal em uma eleição na qual o eleitor não escolhe apenas um senador.

Deltan enfrenta duas disputas

Deltan chega à campanha com uma marca eleitoral nacional conhecida: a Lava Jato e o discurso de combate à corrupção.

O problema é que sua campanha começa simultaneamente com uma disputa jurídica sobre sua elegibilidade. A questão já foi judicializada e passa a acompanhar o candidato durante a campanha.

O ex-procurador também precisa preservar seu eleitorado enquanto divide o campo da direita com Filipe Barros e, em determinados segmentos, com outros candidatos identificados com o eleitorado conservador.

A pesquisa RIC/IRG mostra que Deltan permanece competitivo no momento em que a campanha começa. A questão jurídica, entretanto, adiciona uma variável que não aparece em uma simples fotografia de intenção de voto.

Filipe tenta transformar bolsonarismo em voto

Filipe Barros entra na corrida apoiado pela estrutura do Partido Liberal (PL) no Paraná e pela identificação com o eleitorado bolsonarista.

O deputado federal também preside o PL no Paraná, posição que lhe dá uma função política além da candidatura individual.

A presença digital é outro ativo da campanha. O problema eleitoral é transformar mobilização nas redes em votos efetivos no conjunto do eleitorado.

O dado da Quaest ajuda a dimensionar esse desafio. Levantamento divulgado em julho apontou que 64% dos entrevistados no Paraná não conheciam Filipe Barros. O mesmo levantamento mostrou uma taxa muito menor de desconhecimento para Gleisi, de 18%.

Isso significa que Filipe ainda dispõe de espaço para ampliar seu eleitorado, mas também precisa utilizar a campanha para transformar notoriedade política em conhecimento eleitoral.

Gleisi tem conhecimento, mas enfrenta rejeição

Gleisi parte de uma posição oposta.

Seu nome é conhecido por grande parte do eleitorado paranaense, resultado de sua trajetória como deputada federal, senadora, presidente nacional do PT e ministra-chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.

O problema é a rejeição.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho, Gleisi tinha apenas 18% de desconhecimento, mas 60% dos entrevistados afirmaram que não votariam nela de jeito nenhum, segundo os dados utilizados na cobertura eleitoral.

A candidatura petista, portanto, não parte da necessidade de apresentar a candidata ao eleitor. A disputa é pela conversão de conhecimento em voto e pela ampliação da base para além do eleitorado tradicional do PT.

Curi precisa converter máquina em voto

Curi representa o terceiro modelo de campanha.

O candidato está inserido no grupo político do governador Ratinho Junior e da candidatura de Sandro Alex, com presença na Assembleia Legislativa e relações construídas com prefeitos e lideranças municipais.

A vantagem potencial é a capilaridade.

A questão eleitoral é saber quanto dessa estrutura será convertida em voto para o Senado. A eleição de duas vagas permite que prefeitos e lideranças apoiem mais de um candidato, mas também abre espaço para disputas internas dentro das próprias alianças.

A Paraná Pesquisas já havia identificado uma corrida apertada entre Curi, Deltan, Gleisi e Filipe em levantamentos anteriores. Em junho, por exemplo, os quatro apareciam com percentuais próximos em um dos cenários estimulados.

Cristina pode fulminar Filipe

Cristina Graeml (PSD) entra na mesma faixa da disputa que Filipe Barros, o que pode atrapalhar os planos do bolsonarista.

Ela tem notoriedade construída principalmente nas redes sociais e na eleição para a Prefeitura de Curitiba em 2024, mas pesquisas anteriores indicaram um nível elevado de desconhecimento do eleitorado estadual.

Mais do que conquistar espaço para que sua campanha cresça, a candidatura dela pode impedir o avanço de Filipe na capital.

Cristina conseguiu a vaga de candidata ao Senado a despeito do prefeito Eduardo Pimentel (PSD), Rafael Greca (MDB) e de Alexandre Curi.

A pesquisa que pode mudar o jogo

A divulgação da Paraná Pesquisas nesta segunda-feira (17) chega no momento mais importante para a corrida senatorial.

O instituto já havia registrado, em julho, uma disputa acirrada entre quatro nomes quando Alvaro Dias não aparecia no cenário. Na pesquisa divulgada em 7 de julho, Curi, Filipe Barros, Gleisi e Deltan dividiam o espaço competitivo pelas duas cadeiras.

Em outro levantamento do mesmo instituto, divulgado em junho, Deltan tinha 28,1%, Gleisi 25,2%, Filipe Barros 24,2% e Alexandre Curi 23,4% no cenário que também incluía Alvaro Dias.

Agora, a nova sondagem terá uma função adicional: medir o primeiro impacto da campanha oficial.

A comparação precisa considerar metodologia, período de campo, lista de candidatos e forma de apresentação dos nomes. Pesquisa eleitoral é fotografia de momento, não previsão do resultado.

Duas vagas, cinco projetos

A corrida ao Senado começa, portanto, com cinco candidaturas que ocupam espaços políticos diferentes.

Deltan tenta preservar o capital eleitoral da Lava Jato enquanto enfrenta a questão jurídica.

Gleisi aposta no peso do PT e na associação com Lula, mas carrega uma rejeição elevada.

Curi busca transformar a estrutura municipal e o apoio governista em votos.

Filipe Barros procura ampliar o eleitorado bolsonarista para além das redes sociais.

Cristina Graeml corre por fora e precisa converter conhecimento e presença digital em voto estadual.

O dado mais importante, porém, está no conjunto: quatro nomes aparecem separados por menos de três pontos na pesquisa RIC/IRG.

A largada, portanto, não produziu um favorito isolado. Produziu um pelotão.

Além desse primeiro pelotão, também disputam o Senado Dr. Rosinha (PT), Joaquim do MLB (UP), Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO).

E a primeira grande resposta virá nesta segunda-feira (17), com a nova pesquisa da Paraná Pesquisas.

Leia no Blog do Esmael e acompanhe a prova dos nove da corrida ao Senado no Paraná.

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