Índice de Tópicos
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acusou a Folha de S.Paulo de manipular os dados fiscais para atacar o governo Lula e proteger os interesses do mercado financeiro. Segundo ela, o jornal esconde que o maior rombo nas contas públicas não vem da chamada “gastança”, mas dos R$ 1 trilhão em juros pagos anualmente aos detentores da dívida pública — uma minoria de super-ricos que se beneficia da taxa Selic estratosférica.
“É falso falar em gastança quando o arcabouço fiscal impõe limites que estão sendo rigorosamente cumpridos. A Folha manipula números brutos para esconder a verdade: quem estrangula o orçamento não são os investimentos sociais, e sim o rentismo”, escreveu a ministra nas redes.
O que a Folha omite para proteger o topo da pirâmide
A reportagem do jornalão, pertencente ao mesmo grupo que controla o banco PagBank/Moderninha, afirma que os gastos no governo Lula 3 crescem quase o dobro da receita e que o país caminha para um “shutdown” fiscal em 2027. O texto, porém, ignora propositalmente a queda real da despesa primária como proporção do PIB — de 19,6% em 2023 para 18,6% em 2024, conforme dados do Tesouro.
Enquanto ataca programas sociais e reajustes do salário mínimo, a matéria silencia sobre a manutenção intocada dos privilégios do sistema financeiro, que consome mais de 60% do Orçamento da União em 2025 com pagamento de juros e amortizações — quase R$ 2,7 trilhões.
O que falta é um teto para os juros, não para as políticas públicas, publicou ontem (19) o Blog do Esmael, acerca deste debate fiscalista.
O verdadeiro gasto fora da regra
A crítica da ministra encontra eco em estudos independentes e no próprio Portal da Transparência. As despesas financeiras — que não entram no cálculo do arcabouço fiscal — aumentaram exponencialmente, mascaradas como “pagamentos obrigatórios”. Isso inclui a remuneração dos títulos da dívida, que enriquece bancos, fundos e grandes investidores às custas da educação, saúde e moradia.
Programas como o Minha Casa Minha Vida, Desenrola Brasil e Pé de Meia são apontados pela Folha como “gambiarras fiscais”, mas representam menos de 5% do que se paga em juros. Já os benefícios previdenciários e o BPC são tratados como “gasto descontrolado”, embora respondam por redistribuição de renda, movimentação da economia real e dignidade social.
Manipulação de números e objetivos políticos
O jornal utiliza como fonte principal a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, que tem histórico de alinhamento com a política fiscal conservadora. Economistas que assinam as projeções alarmistas são ex-integrantes da equipe de Michel Temer e Paulo Guedes — os mesmos que ignoraram o Teto de Gastos durante o governo Bolsonaro.
Além disso, a reportagem ignora que o arcabouço fiscal limita os gastos em até 70% do crescimento da receita, ou seja, o gasto só aumenta se houver arrecadação. Na prática, isso impede aumentos reais significativos nas despesas primárias.
Portanto, trata-se de uma chantagem da velha mídia com interesses cruzados. Eles [os mais ricos] querem sabotar os investimentos sociais para manter intocável o rentismo.
Leia também:
- Super-ricos travam o Orçamento e bloqueiam o futuro do Brasil
- Gleisi vê Selic a 15% como ataque ao Brasil e exige justiça fiscal
- Selic a 15%: Banco Central trava o Brasil para rentistas
- Selic pode subir a 15%: Copom dividido pressiona Lula e ricaços
- Por que não há teto de gastos com juros?
- Taxa Selic é o verdadeiro rombo, diz Haddad
O Brasil precisa debater um teto para os juros
O debate que a Folha evita é justamente o que mais interessa ao povo: por que os juros da dívida não têm limite constitucional, ao contrário da saúde e da educação? Por que os fundos exclusivos e dividendos milionários continuam isentos, enquanto o BPC vira alvo de suspeita?
A proposta embrionária, encampada por movimentos sociais e parte do Congresso, é fixar um teto de 10% para pagamento de juros, o mesmo que os bancos recomendam às famílias brasileiras como equilíbrio financeiro. Uma medida de soberania fiscal e justiça social.
Será que o governo Lula, por meio da ministra Gleisi Hoffmann, topa fixar um teto para o pagamento de juros da dívida interna?
Quando a manchete mente, é preciso confrontar
A matéria da Folha cumpre um papel político: fragilizar o governo às vésperas de negociações tributárias e reforçar a lógica de austeridade, que sempre penaliza os de baixo. Gleisi Hoffmann joga luz sobre o que o jornalão esconde: o verdadeiro gasto fora da regra é o privilégio dos rentistas.
O Blog do Esmael convida você a refletir, compartilhar e fazer parte do debate público sobre o destino do país. É hora de virar a chave fiscal e proteger o Brasil do colapso que interessa apenas ao topo da pirâmide.
Leia, reflita e compartilhe o Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




