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O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta-feira (18) com o país diante de uma encruzilhada: manter a taxa Selic em 14,75% ou elevá-la para 15% — o maior nível desde 2006. A decisão, aguardada com ansiedade por economistas, governo e investidores, pode definir não apenas o rumo dos juros, mas o próprio equilíbrio entre política monetária e fiscal no Brasil de 2025.
O impasse técnico expõe, na verdade, uma disputa política de bastidor entre o Banco Central e o Palácio do Planalto. Em jogo, está a narrativa sobre quem controla os rumos da economia: o governo eleito ou os burocratas do sistema financeiro.
Reação do mercado testa autonomia e credibilidade do Banco Central
Dos 32 analistas consultados, 12 projetam aumento da Selic. Os demais esperam estabilidade. O mercado teme não só a decisão em si, mas os sinais políticos emitidos pelo comitê. Desde a votação dividida de 2024 — quando os diretores indicados por Lula foram voto vencido — o Copom adotou postura mais coesa. Mas a unanimidade pode ruir novamente.
Na prática, um novo racha reacende a crise da autonomia do BC, que já foi alvo de debates no Congresso e no STF. A política de juros elevada virou campo de disputa institucional e também um combustível para o desgaste popular com o governo federal.
Lula pressiona por corte de juros, mas inflação e dólar pesam

O presidente Lula tem feito apelos públicos pelo fim do ciclo de aperto monetário. Em seu entorno, avalia-se que manter os juros em níveis proibitivos mina o crescimento, esvazia programas sociais e alimenta a especulação financeira — como já denunciado anteriormente no Blog do Esmael.
No entanto, apesar da inflação de maio ter desacelerado para 0,26%, a política fiscal expansionista e a instabilidade cambial ainda pesam. O dólar recuou para R$ 5,48, mas segue volátil, alimentando especulações nas projeções de médio prazo. No entanto, há um piso precificado pelo Banco Central de R$ 5,20 até 2027.
O governo tenta consolidar um novo modelo de crescimento, baseado em estímulos à produção e consumo, mas esbarra na resistência ortodoxa dos mais ricos — que seguem preso à lógica de rentismo e ajuste permanente nas costas dos mais vulneráveis.
Copom ouve, mas não se compromete com cortes em 2025
A grande incógnita é o sinal futuro. Mesmo que a Selic seja mantida hoje, o Copom pode frustrar o governo ao endurecer o tom do comunicado, evitando qualquer expectativa de corte antes do último trimestre. A decisão, portanto, está menos no número final e mais na narrativa construída em torno dele.
Economistas ligados ao setor produtivo — e ouvidos informalmente pelo Blog do Esmael — defendem que juros a 15% revelam falência do modelo monetário atual e descolamento da realidade socioeconômica do país. Já o núcleo duro do BC aposta na contenção da demanda como única âncora da inflação.
Manter Selic alta é escolher o lado do rentismo
Se o Copom elevar a Selic, não será apenas um movimento técnico: será uma decisão política, com efeitos concretos na vida da população e nos rumos do governo Lula. Os efeitos de juros elevados recaem sobre os mais pobres — justamente os que mais precisam de crédito, emprego e serviços públicos.
É hora de o Brasil escolher: financiar o rentismo ou sustentar um projeto de nação. A política de juros deve servir ao povo, não ao mercado.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




