Índice de Tópicos
- Sandro tenta separar eleição estadual da disputa nacional
- Cristina Graeml não representa todas as bandeiras de Sandro
- Moro vira adversário, mas Lava Jato entra no debate
- Kassab, Flávio Bolsonaro e a disputa pela direita
- Celepar: Sandro aceita modernização, mas exige data center soberano
- Copel: candidato defende privatização e contrato
- Pedágio vira principal vitrine da gestão Sandro
- Sandro tenta transformar infraestrutura em argumento eleitoral
- Educação e saúde entram na tentativa de responder ao desequilíbrio regional
- Segurança: mais investimento, mas cobrança sobre violência policial
- Servidores: Sandro promete diálogo e reestruturação
- No pingue-pongue, Sandro assume perfil conservador
- O ponto de maior tensão está fora da sabatina
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Sandro Alex (PSD) passou pela sabatina da Folha/UOL nesta segunda-feira, 17 de agosto, defendendo a continuidade do governo Ratinho Junior e a própria atuação como secretário de Infraestrutura, enquanto a nova Paraná Pesquisas colocou o candidato em terceiro lugar na largada da corrida ao Palácio Iguaçu.
A sondagem divulgada nesta segunda-feira mostra Sergio Moro (PL) com 46,1%, Requião Filho (PDT) com 23,4% e Sandro Alex com 16,5%. A fotografia eleitoral dá ao senador uma vantagem de 29,6 pontos sobre o candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD) e coloca Sandro 6,9 pontos atrás de Requião Filho.
Confira a pesquisa do Paraná Pesquisas publicada pelo Blog do Esmael
Foi nesse ambiente que Sandro Alex enfrentou a sabatina conduzida por jornalistas da Folha de S.Paulo e do UOL. Durante cerca de 55 minutos, o candidato procurou transformar a campanha em uma disputa entre continuidade administrativa e ruptura política, apresentando-se como herdeiro direto da gestão Ratinho Junior.
O discurso também revelou uma dificuldade eleitoral: Sandro precisa defender o legado do governo estadual sem deixar que a eleição seja dominada pela polarização nacional entre Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Lula e Sergio Moro.
Sandro tenta separar eleição estadual da disputa nacional
Questionado sobre a divisão do campo conservador no Paraná, Sandro afirmou que mantém uma trajetória de oposição desde o início de sua carreira parlamentar, em 2010, e lembrou a proximidade que teve no Congresso com Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado.
O candidato do PSD, porém, evitou fechar a porta para uma convivência eleitoral com diferentes nomes da direita.
Sandro afirmou que o candidato oficial do partido à Presidência é Ronaldo Caiado, mas reconheceu que lideranças que o apoiam podem trabalhar por Flávio Bolsonaro ou outros nomes da direita.
A estratégia é particularmente relevante porque Sergio Moro disputa o governo do Paraná com o apoio do PL e de Flávio Bolsonaro. A nova pesquisa do Paraná Pesquisas mostra que, neste momento, essa associação está muito mais bem posicionada eleitoralmente do que o palanque de Sandro.
O candidato ainda disse acreditar que Caiado teria melhores condições de enfrentar Lula em um eventual segundo turno, mas não descartou as chances de Flávio Bolsonaro.
Cristina Graeml não representa todas as bandeiras de Sandro
Outro momento importante ocorreu quando os entrevistadores questionaram Sandro sobre Cristina Graeml, candidata ao Senado pelo PSD, e sobre posições como voto impresso, oposição a medidas sanitárias relacionadas à Covid-19 e impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Sandro afirmou ser favorável à vacinação e disse ser “a favor da ciência”.
Sobre o voto impresso, defendeu a modernização e o aperfeiçoamento da segurança do sistema eleitoral, mas evitou assumir todas as posições de Cristina Graeml.
Também procurou separar as disputas nacionais das prioridades do governo estadual.
A resposta evidencia uma equação política da chapa: Sandro tenta manter o eleitorado de direita mobilizado sem incorporar integralmente todas as pautas mais duras do bolsonarismo.
Moro vira adversário, mas Lava Jato entra no debate
A sabatina também colocou Sandro diante da relação passada com Sergio Moro.
O candidato lembrou que participou da defesa das chamadas 10 Medidas de Combate à Corrupção e acompanhou a Operação Lava Jato como deputado federal e integrante do Conselho de Ética da Câmara.
Sandro afirmou que a Lava Jato foi importante para o Brasil, mas avaliou que a operação acabou comprometida quando integrantes do processo ingressaram na política.
Na avaliação dele, a mistura entre atuação jurídica e política contaminou o trabalho e contribuiu para as anulações dos processos.
Sobre Moro especificamente, Sandro não quis fazer uma avaliação pessoal de sua capacidade para governar o Paraná. Disse que essa decisão caberá ao eleitor.
A resposta permitiu ao candidato preservar parte do discurso anticorrupção que marcou sua trajetória sem transformar a sabatina em um ataque direto ao adversário que lidera a nova pesquisa.
Kassab, Flávio Bolsonaro e a disputa pela direita
A declaração de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, também foi levada para a entrevista.
Kassab havia questionado as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro e defendido que Ronaldo Caiado teria melhores condições de representar a oposição a Lula.
Sandro não confrontou o dirigente partidário. Preferiu interpretar a fala como defesa da candidatura de Caiado.
Mas, pressionado, admitiu que Flávio Bolsonaro tem chances de chegar ao segundo turno.
O movimento mantém aberta uma contradição eleitoral importante: o PSD apresenta Caiado como seu candidato nacional, enquanto parte da base de Sandro pode trabalhar por Flávio Bolsonaro, justamente o nome que estará associado ao palanque de Sergio Moro no Paraná.
Celepar: Sandro aceita modernização, mas exige data center soberano
A privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) foi outro ponto central da sabatina.
Sandro defendeu a modernização da empresa, mas estabeleceu uma condição: os dados dos paranaenses precisam permanecer protegidos dentro de uma estrutura que ele chamou de “data center soberano”.
Segundo o candidato, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) deve ser respeitada e a soberania dos dados precisa ser preservada independentemente da empresa que venha a operar a estrutura.
A posição tenta conciliar duas ideias: manter a privatização e, ao mesmo tempo, responder à preocupação com dados públicos e informações sensíveis armazenadas pela Celepar.
Copel: candidato defende privatização e contrato
Na discussão sobre a Companhia Paranaense de Energia (Copel), Sandro rebateu críticas dos adversários à privatização.
Ele afirmou que o Paraná continua entre os maiores acionistas da companhia e sustentou que a tarifa de energia não foi elevada pelo governo estadual.
Sandro também afirmou que o Paraná terá investimentos de R$ 5 bilhões nas usinas de Segredo e Foz do Areia e citou um programa de R$ 23 bilhões para novas subestações.
Outro ponto destacado foi a eletrificação rural. Segundo ele, o governo já está concluindo 25 mil quilômetros de rede trifásica, mas ainda precisa facilitar a ligação das propriedades rurais à rede.
A promessa é criar mecanismos para ajudar produtores que não conseguem arcar com o custo da conexão.
Pedágio vira principal vitrine da gestão Sandro
Como ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro apresentou as novas concessões rodoviárias como uma das principais realizações de sua passagem pelo governo.
Ele afirmou que o Paraná construiu o “maior programa de concessões da América Latina” e que o modelo paranaense passou a ser utilizado como referência por outros estados.
Sandro também destacou a previsão de R$ 60 bilhões em investimentos nas rodovias concedidas e citou obras de duplicação na BR-277, no Contorno de Curitiba e em direção ao Porto de Paranaguá.
Um dos exemplos utilizados foi a praça de Jacarezinho. Segundo ele, a tarifa que poderia chegar a R$ 34 nos contratos antigos está em R$ 12,80 no novo modelo.
A defesa do pedágio deverá ser um dos pontos mais sensíveis da campanha, porque os adversários já anunciaram que pretendem questionar privatizações e concessões feitas pelo governo Ratinho Junior.
Sandro tenta transformar infraestrutura em argumento eleitoral
A sabatina mostrou que a principal mensagem de Sandro será a continuidade.
Ele citou estradas, energia, saneamento, educação, saúde, agricultura, investimentos e concessões como partes de um mesmo argumento: o Paraná teria entrado em um ciclo de crescimento que não poderia ser interrompido.
Na questão regional, citou obras em áreas de menor desenvolvimento, especialmente no Centro-Sul e no Vale do Ribeira.
Também falou em incentivos fiscais vinculados à geração de empregos e afirmou que regiões historicamente pobres estão entrando em um novo ciclo econômico.
Sandro apresentou como exemplo o investimento de mais de R$ 200 milhões da cooperativa Lar em Ramilândia e mencionou 457 estradas rurais em execução.
O desafio político está justamente aí: transformar obras e indicadores administrativos em voto suficiente para reduzir uma diferença que, na nova Paraná Pesquisas, ainda é de 29,6 pontos para Moro.
Educação e saúde entram na tentativa de responder ao desequilíbrio regional
Questionado sobre o baixo desenvolvimento humano em municípios como Doutor Ulysses, Sandro inicialmente concentrou a resposta em infraestrutura.
Os entrevistadores insistiram sobre saúde e educação.
O candidato então citou investimentos em escolas, transporte, alimentação, intercâmbio de estudantes, colégios técnicos e escolas cívico-militares.
Na saúde, afirmou que o governo estadual mantém 1.700 obras em andamento e defendeu a regionalização dos serviços.
Sandro também afirmou que o Paraná passou do sétimo para o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Segurança: mais investimento, mas cobrança sobre violência policial
A segurança pública foi outro momento de confronto.
Os jornalistas questionaram o aumento das mortes decorrentes de intervenção policial e perguntaram sobre câmeras corporais e controle da atividade policial.
Sandro respondeu com números de investimentos e redução de crimes.
Disse que os investimentos em segurança passaram de R$ 2 bilhões para R$ 8 bilhões e afirmou que os homicídios caíram 40%, enquanto os roubos de veículos recuaram 70%.
Também destacou a contratação de 8 mil profissionais e a previsão de novos concursos.
Sobre denúncias de tortura envolvendo policiais do Paraná, mencionadas pelo deputado Renato Freitas (PT), Sandro disse não ter conhecimento do caso específico e defendeu que eventuais abusos sejam investigados pelos órgãos competentes.
A resposta foi de defesa institucional da Polícia Militar, mas sem negar a necessidade de investigação quando houver denúncia formal.
Servidores: Sandro promete diálogo e reestruturação
Na área do funcionalismo, o candidato rejeitou a acusação de arrocho salarial durante o governo Ratinho Junior.
Ele afirmou que a gestão foi marcada pelo diálogo e citou reajustes nas carreiras de professores e policiais.
Também prometeu continuar a reestruturação das carreiras, mas condicionou novas medidas à responsabilidade fiscal.
A estratégia é tentar neutralizar uma das principais críticas da oposição ao governo estadual: a relação com servidores públicos.
No pingue-pongue, Sandro assume perfil conservador
Na rodada de respostas rápidas, Sandro disse ser:
A favor da lei antifacção;
A favor da redução da maioridade penal;
Contra a legalização das drogas;
Contra as bets;
Contra as saidinhas de presos;
A favor da construção de novos presídios e do trabalho prisional;
A favor da ampliação das escolas cívico-militares;
Favorável à investigação e conclusão do caso Banco Master.
Quando perguntado sobre Jair Bolsonaro, respondeu que o ex-presidente foi “um líder do Brasil” e ocupou a Presidência da República.
Sobre Ratinho Junior, foi direto: “o maior governador da história do Paraná”.
Sobre Sergio Moro, resumiu sua avaliação em duas palavras: “juiz político ruim”.
O ponto de maior tensão está fora da sabatina
A entrevista terminou com Sandro tentando vender a eleição como uma escolha entre o Paraná que, segundo ele, avançou sob Ratinho Junior e o risco de interrupção desse ciclo.
Ele afirmou que o Paraná se tornou a quarta maior economia do país, que o Produto Interno Bruto estadual teria passado de pouco mais de R$ 300 bilhões para R$ 830 bilhões e citou taxa de desemprego de 3,1%.
Também apresentou a candidatura como continuidade do legado de Ratinho Junior e reforçou Rafael Greca (PSD) como vice.
O problema é que a largada eleitoral apresentada pela nova Paraná Pesquisas conta outra história.
Moro aparece com 46,1%; Requião Filho, com 23,4%; e Sandro Alex, com 16,5%.
Ou seja: a sabatina ofereceu a Sandro a oportunidade de apresentar seu currículo administrativo e defender o legado de Ratinho Junior justamente quando a fotografia eleitoral indica que esse legado ainda não se converteu em liderança na disputa pelo Palácio Iguaçu.
A campanha começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto. A partir de agora, o discurso de continuidade terá de disputar espaço com o voto já consolidado de Moro e com a tentativa de Requião Filho de ocupar o segundo lugar.
Para Sandro, a questão central deixou de ser apenas apresentar o que o governo fez.
É fazer o eleitor associar esse resultado ao seu nome.
E a nova pesquisa mostra que essa transferência ainda está em disputa.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




