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O deputado estadual Requião Filho (PDT), candidato ao governo do Paraná, deu neste domingo (16) um sinal político de que pretende colar sua campanha à de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedetista participou, em São Paulo, do lançamento da candidatura de Lula à Presidência e apareceu à vontade ao lado de Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, candidatos do PT ao Senado pelo Paraná.
A cena vale mais do que uma fotografia de campanha.
Requião Filho abandona a equidistância
Nos últimos dias, circulou no meio político a hipótese de que Requião Filho manteria uma posição equidistante de Lula e do bolsonarismo, preservando espaço para disputar o eleitorado de centro na corrida ao Palácio Iguaçu. Os movimentos recentes do candidato apontam, porém, para outra direção: uma inflexão à esquerda.
Não é de somenos.
Requião Filho disputa o segundo turno justamente em uma eleição marcada pela polarização nacional. Sergio Moro (PL) tenta se apresentar como o principal representante do campo bolsonarista no Paraná, enquanto Sandro Alex (PSD) carrega o apoio do governador Ratinho Junior (PSD).
Nesse quadro político, Lula pode funcionar como uma espécie de cabo eleitoral nacional de Requião Filho.
A cobrança veio antes da guinada
A mudança, aliás, responde a uma cobrança que já havia aparecido publicamente durante a Superlive do Blog do Esmael, realizada em 10 de agosto, após o primeiro debate da eleição para o governo do Paraná.
Os participantes reconheceram a preparação política de Requião Filho, mas avaliaram que faltou ao candidato uma estratégia capaz de transformar essa preparação em crescimento eleitoral.
Murilo Hidalgo afirmou que o pedetista demonstra preparo e que isso também aparece nas pesquisas qualitativas mencionadas durante a transmissão. Para Hidalgo, porém, Requião Filho poderia ter usado melhor essa preparação para apresentar propostas e alcançar eleitores além de sua base tradicional.
Cláudio Osti apontou outro problema: faltou uma postura mais incisiva para desconstruir a imagem positiva do governo Ratinho Junior. O jornalista também observou que Requião Filho recorreu, em alguns momentos, a realizações dos governos de seu pai, Roberto Requião, como parte da própria narrativa política.
João Barbiero foi direto ao ponto que agora ganha relevância: a dificuldade de Requião Filho em assumir de maneira mais clara sua identidade política.
Na avaliação de Barbiero, o candidato poderia ter explorado melhor sua aproximação com Lula e com o campo político de esquerda. Cantini seguiu a mesma linha e defendeu que Requião Filho assumisse sua identidade política e consolidasse o eleitorado de esquerda do Paraná. Superlive do Blog do Esmael
A fotografia com Lula, Gleisi e Dr. Rosinha
O movimento deste domingo parece responder a esse diagnóstico.
Requião Filho não foi a São Paulo apenas para marcar presença no lançamento da candidatura presidencial de Lula. Ele apareceu ao lado de Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, os dois candidatos do PT ao Senado que integram seu campo político no Paraná.
A fotografia reforça a aliança formada em torno de PDT, PT, PV, PSOL, PCdoB, Rede, PRD e Solidariedade.
E há uma lógica eleitoral nessa aproximação.
Requião Filho precisa impedir que a disputa pelo segundo turno se transforme em uma corrida exclusiva entre Moro e Sandro Alex. O pedetista está no bloco que tenta romper essa polarização pela esquerda, mas precisa transformar identidade política em voto.
Foi justamente esse o ponto levantado na Superlive: sem assumir claramente o campo político que pretende representar, Requião Filho teria dificuldade para consolidar o eleitorado de esquerda e disputar o segundo turno.
Agora, o candidato parece ter escolhido o caminho.
“Lular” para consolidar a identidade
Ao “lular” de maneira mais explícita, Requião Filho tenta transformar sua proximidade com Lula em identidade eleitoral. A estratégia pode ajudar a organizar o voto progressista e a diferenciar sua candidatura de Moro, associado ao bolsonarismo, e de Sandro Alex, identificado com o grupo político de Ratinho Junior.
O próprio candidato já vinha sinalizando essa posição. Em entrevista à Folha de S.Paulo e ao UOL nesta semana, Requião Filho reiterou apoio a Lula e afirmou que teria “vergonha” de fazer campanha para Flávio Bolsonaro. Também disse que conta com o apoio do PT por convergência de valores, embora mantenha críticas ao governo federal em temas como privatizações e pedágios.
A contradição é apenas aparente.
Requião Filho pode apoiar Lula para a Presidência e, ao mesmo tempo, cobrar o governo federal em questões que considera prejudiciais ao Paraná. Isso lhe permite preservar um discurso próprio sem abandonar o campo político que pretende representar.
O tamanho do eleitorado lulista
O ponto central é outro: até onde essa aproximação com Lula pode levar a candidatura?
No ambiente de polarização com o bolsonarismo, o presidente da República pode alcançar uma votação próxima de 40%, segundo avaliações de bastidores e levantamentos eleitorais. Esse contingente, caso se confirme no Paraná, representa um universo eleitoral relevante para qualquer candidato identificado com o lulismo.
Não significa transferência automática de votos, mas cria uma oportunidade política.
Se Requião Filho conseguir transformar a identificação com Lula em voto para o governo do Paraná, poderá consolidar uma base que hoje precisa disputar com outras candidaturas. O desafio será fazer isso sem ficar restrito ao eleitorado já convencido e, ao mesmo tempo, apresentar propostas próprias para o Estado.
A campanha entra em uma nova fase
A guinada, portanto, não significa necessariamente que o pedetista tenha abandonado a tentativa de ampliar sua base. Significa que ele parece ter escolhido onde fincar a bandeira.
E a bandeira, neste domingo (16), estava ao lado de Lula, Gleisi e Dr. Rosinha.
A campanha agora entra em uma fase na qual identidade pode valer tanto quanto discurso.
Requião Filho foi cobrado por isso na Superlive do Blog do Esmael. Seis dias depois, apareceu no lançamento de Lula em São Paulo, cercado por lideranças petistas paranaenses.
A política costuma oferecer essas coincidências.
Neste caso, a resposta parece ter vindo em forma de fotografia.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




