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Sandro Alex (PSD) enfrenta nesta segunda-feira, 17 de agosto, às 12h30, sua primeira grande entrevista nacional depois da divulgação de uma nova pesquisa eleitoral que o coloca em terceiro lugar na corrida pelo Governo do Paraná. A sabatina da Folha/UOL ocorre no primeiro dia útil da campanha oficial e transforma a entrevista em um teste público para a reação do candidato do grupo de Ratinho Junior (PSD).
A pesquisa do Paraná Pesquisas, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09048/2026, ouviu 1.520 eleitores em 65 municípios entre 13 e 16 de agosto. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Na pesquisa estimulada, Sergio Moro (PL) aparece com 46,1%, Requião Filho (PDT) tem 23,4% e Sandro Alex soma 16,5%.
O resultado coloca Sandro diante de uma pergunta que a campanha terá de responder nas próximas semanas: como transformar a estrutura política do governo estadual em crescimento efetivo nas intenções de voto?
A sabatina será conduzida pela jornalista Fabíola Cidral, do UOL, com participação de Leonardo Sakamoto, do UOL, e Bruno Ribeiro, da Folha. A entrevista terá aproximadamente uma hora. Sergio Moro já passou pelo mesmo formato em 7 de agosto, e Requião Filho foi sabatinado em 11 de agosto.
A pesquisa virou a primeira pergunta
Sandro não chegará à entrevista apenas para apresentar propostas. A fotografia eleitoral divulgada nesta segunda-feira criou um problema concreto para o candidato governista.
O candidato do PSD tem 16,5% na pesquisa estimulada, 6,9 pontos atrás de Requião Filho e 29,6 pontos abaixo de Moro. Na pesquisa espontânea, a distância também aparece: Moro tem 19,9%, Requião Filho registra 7,5% e Sandro Alex fica com 5,1%.
A diferença ganha peso porque Sandro foi escolhido por Ratinho Junior para representar o grupo político que comanda o governo estadual. A Folha/UOL registra que o PSD possui a maior bancada na Assembleia Legislativa do Paraná e o maior número de prefeituras no Estado, além de integrar uma aliança com nove siglas, entre elas PP, União Brasil, MDB e Republicanos.
A questão, portanto, não é simplesmente a posição de Sandro na pesquisa. É a distância entre o tamanho da estrutura política que o sustenta e o tamanho de sua intenção de voto.
O que Sandro precisa explicar
A primeira cobrança deverá recair sobre a estratégia para reduzir a vantagem de Moro e ultrapassar Requião Filho.
Sandro tem pouco mais de seis semanas até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Nesse período, precisará ampliar conhecimento, consolidar sua identidade eleitoral e transformar a aliança partidária em presença efetiva na disputa.
A pesquisa mostra que ainda existe espaço para crescimento. O levantamento registra 5,5% de eleitores que não souberam ou não quiseram responder e 6,5% que declararam voto branco, nulo ou nenhum candidato.
Mas o dado não autoriza concluir que esses eleitores migrarão automaticamente para Sandro. A campanha terá de disputar esse contingente, ao mesmo tempo em que tenta deslocar votos dos adversários.
Outro indicador relevante está na rejeição. O Paraná Pesquisas aponta que 11,1% dos entrevistados dizem não votar em Sandro Alex de jeito nenhum, enquanto 36,3% afirmam que poderiam votar em todos os nomes apresentados. A rejeição de Requião Filho chega a 23,8%, e a de Moro, a 7,4%.
Isso coloca Sandro em uma situação particular: há espaço para crescimento, mas o candidato ainda precisa converter baixa rejeição em preferência eleitoral.
A vitrine das obras
A defesa de Sandro deverá também passar pelo balanço do governo Ratinho Junior e pela tentativa de apresentar o candidato como responsável por resultados concretos da administração estadual.
Sandro passou a maior parte dos últimos anos licenciado do mandato de deputado federal para atuar como secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná. Entre as obras associadas à sua passagem pela secretaria está a ponte de Guaratuba, inaugurada em maio.
Essa trajetória fornece à campanha um discurso de continuidade administrativa: Sandro pode apresentar-se como alguém que participou da execução das principais obras do governo.
O problema eleitoral é outro. A pesquisa mede o voto em Sandro, não a avaliação das obras. A campanha precisará demonstrar que a imagem de gestor e a associação com Ratinho Junior são suficientes para transformar aprovação administrativa em escolha eleitoral.
Essa transferência não é automática. Levantamento anterior da Genial/Quaest, divulgado em 27 de julho, já havia mostrado Ratinho Junior com 81% de aprovação, enquanto Sandro registrava 7% naquele cenário.
Greca entra na equação
Há ainda uma mudança importante entre a pesquisa da Quaest e a fotografia mais recente do Paraná Pesquisas.
Rafael Greca (MDB), que aparecia com 12% na Quaest de julho, não foi apresentado como candidato ao governo no novo cenário da Paraná Pesquisas. Greca agora integra a chapa de Sandro como candidato a vice-governador, segundo a composição anunciada pela aliança governista.
A própria Folha/UOL aponta a expectativa do grupo de que a entrada de Greca na chapa possa melhorar o desempenho de Sandro nas próximas pesquisas.
A sabatina ocorre justamente antes de existir qualquer pesquisa capaz de medir esse efeito. Sandro terá de explicar como pretende usar a nova composição para ampliar sua presença eleitoral.
Não há, porém, base para afirmar antecipadamente que Greca produzirá determinado crescimento. O próximo levantamento é que poderá testar essa hipótese.
O desafio de sair da sombra de Ratinho
A escolha de Sandro por Ratinho Junior, em abril, surpreendeu parte do próprio PSD, segundo a Folha/UOL. Antes disso, o governador trabalhava para impulsionar Guto Silva (PSD), mas o desempenho nas pesquisas não teria convencido o grupo.
A partir da escolha, a campanha passou a vender Sandro como o nome capaz de garantir a continuidade do governo.
A pesquisa de agosto mostra que essa estratégia ainda não produziu liderança eleitoral. Sandro tem 16,5%, enquanto Moro aparece com 46,1%. Mesmo descontando a margem de erro, a distância entre os dois é ampla.
O candidato governista também precisa disputar espaço com Requião Filho, que aparece com 23,4%. A diferença de 6,9 pontos está acima do dobro da margem de erro da pesquisa, embora a interpretação de qualquer comparação deva considerar o intervalo estatístico do levantamento.
A sabatina, portanto, será menos uma apresentação protocolar de candidatura e mais a primeira oportunidade de Sandro responder publicamente à nova fotografia eleitoral.
O que estará em jogo às 12h30
A entrevista poderá ser medida por quatro respostas objetivas.
A primeira é qual será a estratégia para reduzir a vantagem de Moro.
A segunda é como Sandro pretende ultrapassar Requião Filho e alcançar o segundo turno.
A terceira é como a aliança com Greca será transformada em votos, e não apenas em composição partidária.
A quarta é qual identidade o candidato pretende construir: o gestor das obras do governo Ratinho Junior ou o político que apresenta um projeto próprio para o Paraná.
A resposta a essas perguntas ajudará a definir o tom da primeira semana da campanha.
Sandro Alex chega à sabatina com uma estrutura partidária robusta, uma nova pesquisa que o coloca em terceiro e uma janela de pouco mais de seis semanas para alterar esse cenário. A entrevista da Folha/UOL será o primeiro teste público dessa reação.
Acompanhe a repercussão da sabatina e os desdobramentos da campanha pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




