O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece na dianteira em todos os cenários testados pela Paraná Pesquisas para a sucessão estadual em São Paulo. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (9), confirma a hegemonia do atual mandatário e sua força para tentar a reeleição em 2026 ou para influenciar diretamente sua própria sucessão.
A sondagem foi realizada entre os dias 4 e 8 de julho, com 1.680 eleitores em 84 municípios paulistas. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Cenário a cenário: a força de Tarcísio
No cenário 1, com Geraldo Alckmin (PSB), Erika Hilton (PSOL) e Alexandre Padilha (PT), Tarcísio marca 44,6%, contra 20,6% de Alckmin. Já no cenário 2, sem Alckmin e com Márcio França (PSB), o governador sobe para 47,3%. França aparece com 12,3%, e Erika Hilton chega a 11,1%.
Com Fernando Haddad (PT) na disputa — cenário 3 — Tarcísio mantém 46,8% das intenções de voto, enquanto o ministro da Fazenda soma 17,2%. Hilton oscila em torno de 9,3%. O cenário indica resistência do eleitorado conservador à volta de Haddad ao governo estadual.
Já em cenários sem Tarcísio, a liderança passa a ser disputada voto a voto entre Márcio França, Ricardo Nunes (MDB) e Erika Hilton, como mostram os cenários 4 a 8. Nunes chega a liderar com 29,9% no cenário 4, enquanto França oscila entre 17,9% e 19,7%, dependendo da composição dos nomes.
Curiosamente, a pesquisa não testa um cenário com Alckmin sem Tarcísio — uma hipótese natural caso o governador renuncie para disputar a Presidência da República. A lacuna chama atenção, especialmente diante das especulações sobre seus planos nacionais em 2026. Ou sugere, talvez, que Tarcísio já jogou a toalha na corrida pelo Planalto.
Também chama atenção a exclusão de Guilherme Boulos (PSOL) nos cenários estimulados. Embora apareça com 0,8% na espontânea, o deputado federal — segundo colocado na eleição para prefeito da capital em 2024 — foi preterido em favor de nomes com menor recall eleitoral, como Rodrigo Manga, Paulo Serra e Felipe D’Avila. A ausência de Boulos pode sinalizar uma aposta do instituto na centralidade de disputas mais tradicionais ou a leitura de que sua prioridade estará na Prefeitura de São Paulo em 2028.
Segundo turno: vantagem consolidada
Tarcísio também venceria em eventual segundo turno contra os principais nomes testados. Contra Geraldo Alckmin, venceria por 56,4% a 33,3%. Contra Márcio França, venceria com 61,6% contra 24,3%.
Nos testes entre nomes da centro-esquerda e direita moderada — como Kassab, França, Alckmin e Capitão Derrite — o favoritismo do atual governador permanece consolidado.
Avaliação do governo Tarcísio sustenta favoritismo
A boa performance de Tarcísio nas intenções de voto se explica, em parte, pela avaliação de seu governo: 67,4% dos entrevistados dizem aprovar sua gestão. Apenas 28,5% desaprovam. A nota positiva é puxada principalmente entre homens (72,2%), pessoas com ensino médio (71,1%) e eleitores que participaram de cerimônias religiosas nos últimos dias (69,4%).
A aprovação alta dá ao governador não apenas uma vantagem eleitoral, mas também musculatura para arbitrar sua própria sucessão — caso decida disputar a Presidência ou ocupar outro cargo em 2026.
Projeções e bastidores
A leitura política da pesquisa aponta para um cenário de cristalização do voto bolsonarista em São Paulo, com Tarcísio como herdeiro direto desse eleitorado. Enquanto a esquerda segue fragmentada entre nomes como Haddad, França, Hilton e Padilha, o atual governador vai consolidando uma frente ampla conservadora com forte apelo popular e apoio do empresariado paulista.
No entanto, o quadro ainda pode mudar. A disputa entre França e Haddad pela hegemonia no campo progressista, a possível entrada de nomes como Guilherme Boulos ou Alckmin de forma definitiva, e os movimentos de Kassab e do PSD serão peças-chave no xadrez eleitoral até 2026.
Aqui está a íntegra da pesquisa da Paraná Pesquisas para o governo de São Paulo.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




