19 de março de 2015
por Esmael Morais
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Artigo de Zeca Dirceu: “A CPI da Swissleaks e o silêncio midiático”

swisslea.jpgArtigo de Zeca Dirceu*

Depois de dez anos guardando documentos comprometedores, o ex-funcionário do HSBC, Hervé Falciani, enviou o material para um grupo de jornalistas investigativos, dando origem ao Swissleaks. Poderia ser mais um caso absurdo na esfera internacional, mas o problema foi ainda maior e está no quintal da nossa casa.

As contas secretas no banco britânico ultrapassam seis mil. Mais de 8,6 mil brasileiros estão envolvidos e o rombo em sonegação pode ser de 7 bilhões de dólares. Esse conjunto de fatores renderia grandes reportagens, manchetes de jornais e infográficos em quaisquer mídias do mundo… menos no Brasil.

O caso do HSBC tem sido abafado pela grande mídia, que insiste em esconder os detalhes. Como brasileiro fico bastante preocupado com isso, haja vista a cobertura que os mesmos órgãos de imprensa têm destinado a outros assuntos. Por outro lado, ainda que indignado, sei dos porquês da falta de divulgação deste escândalo que tem sido noticiado quotidianamente na imprensa internacional: a própria mídia brasileira é ré no caso.

O Swissleaks aponta que entre os correntistas suspeitos de sonegação fiscal no HSBC da Suíça estão muitos proprietários de empresas midiáticas. Organizações Globo, Rede Massa, Rede Transamérica, Grupo Abril e Jovem Pan são algumas das citadas.

O que isso significa? Que a luta pela democratização da mídia é cada vez mais urgente. O comportamento da imprensa sobre o caso do HSBC demonstra que existe um jogo de interesses em detrimento (do mito) da imparcialidade pregado pelos jornalistas no Brasil. Leia mais

14 de março de 2015
por Esmael Morais
39 Comentários

SwissLeaks-HSBC fisga barões da mídia e revela jornalistas “dinheirudos”

do Brasil 247
O escândalo SwissLeaks, das contas numeradas secretas mantidas na Suíça, fisgou alguns dos mais poderosos barões da mídia brasileira, assim como influentes jornalistas da imprensa nacional.

Na lista vazada por Hervé Falciani, ex-funcionário do HSBC, estão nomes poderosos como Otávio Frias, fundador já falecido da Folha de S. Paulo, e João Jorge Saad, o Johnny Saad, dono do grupo Bandeirantes !“ ambos tinham contas zeradas em 2007, ano dos registros obtidos por Falciani. A conta de Otávio Frias, depois, passou a apontar seu filho Luís Frias, um dos donos do Uol, como beneficiário.

Outro personagem curioso que aparece na lista é José Roberto Guzzo, ex-diretor de Veja e Exame e hoje conselheiro editorial da Abril, além de um dos colunistas mais mal-humorados da imprensa brasileira.

A lista também fisgou Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, com US$ 12,4 milhões, e Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Globo, com US$ 750,2 mil.

A maior soma na lista é a de Aloysio de Andrade Faria, dono da Rede Transamérica, com US$ 120,5 milhões. Depois dele, aparecem Yolanda Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Edson Queiroz Filho, do grupo Verdes Mares, afiliado da Globo no Ceará, com US$ 83,9 milhões. Fernando João Pereira dos Santos, da Rádio Tribuna, do Espírito Santo, mantinha US$ 9,9 milhões.

Além deles, aparece ainda Luiz Fernando Levy, que quebrou a Gazeta Mercantil, deixando um rastro de dívidas tributárias e trabalhistas.

Entre os jornalistas assalariados, além de Guzzo, destaque para Mona Dorf, ligada à  Rádio Eldorado, com US$ 310 mil. Arnaldo Bloch, colunista do Globo, também foi correntista do HSBC de Genebra, assim como a família Dines, que, à  época manteve US$ 1,3 milhão no banco suíço.

Todos os personagens citados alegam manter contas regulares e declaradas !“ o que deve ser verificado pela Receita Federal. A divulgação da lista de barões da mídia, no entanto, coloca em xeque o trabalho de Fernando Rodrigues, jornalista do Uol que foi escolhido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos para receber o material. Não foi Rodrigues quem divulgou o nome de seu patrão, Luís Frias, mas sim os repórteres Chico Otávio, Cristina Tartáguila e Ruben Berta, do jornal O Globo.

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