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Uma professora do estado de São Paulo, Nelice Pompeu, decidiu tomar medidas legais e acionar o Ministério Público Federal (MPF) diante do discurso abominável proferido pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Durante uma manifestação do movimento Pró-Armas Brasil, realizada no último domingo em Brasília, Bolsonaro comparou professores a traficantes de drogas. Essa declaração, segundo a professora, pode gerar consequências graves e até mesmo provocar novas tragédias.
“Se nós, por exemplo, tivermos uma geração em que os pais prestem atenção na educação dos filhos. Tirem um tempo para ver o que eles estão aprendendo nas escolas. Não vai ter espaço para professor doutrinador tentar sequestrar as nossas crianças. Não tem diferença de um professor doutrinador para um traficante de drogas que tenta sequestrar os nossos filhos para o mundo do crime. Talvez até o professor doutrinador seja ainda pior porque ele vai causar discórdia dentro da sua casa, enxergando opressão em todo tipo de relação”, discursou o filho do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro.
A professora Nelice Pompeu tomou conhecimento do discurso criminoso de Eduardo Bolsonaro no final da tarde de domingo.
Revoltada com as palavras do deputado, ela decidiu acionar o MPF, ressaltando a importância de não considerar essa fala isolada.
Segundo a professora, é necessário entender o contexto do evento pró-armas, que já estimula a violência, bem como o momento de escalada da violência nas escolas.
A declaração de Bolsonaro gera insegurança, pânico e medo, não apenas nos profissionais da educação, mas em toda a comunidade escolar brasileira.
Entidades ligadas à educação reagem
O APP-Sindicato e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) anunicaram que também irão buscar meios legais e envolver as autoridades competentes para garantir que o deputado seja devidamente punido e que expressões vis e repulsivas como essa nunca se repitam.
Afinal, trata-se não apenas de um comentário infeliz, alegam as entidades, mas de uma defesa da morte em um momento em que ataques às escolas têm aumentado significativamente.
Além disso, argumentam a APP e a CNTE, a declaração foi feita perante uma plateia que idolatra armas e violência como meios de solucionar conflitos.
O episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro reflete o projeto obscurantista que foi derrotado nas urnas, mas que continua a buscar espaço na sociedade brasileira.
Combater essa mentalidade é uma questão de sobrevivência, um compromisso com a vida e com valores humanitários.
É necessário repudiar tais ideias e garantir que elas não encontrem espaço em nosso país.
A defesa da vida, do devido processo legal e dos valores humanitários deve estar acima de qualquer tentativa de disseminar ódio, violência e intolerância.
O Blog do Esmael se solidariza com os professores ofendidos.
PSOL leva Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética
O PSOL, representado pelos deputados Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Idilvan Alencar (PDT-CE), tomou medidas legais acionando o Conselho de Ética da Câmara, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Eduardo Bolsonaro. O objetivo é responsabilizá-lo por suas declarações e garantir que atos semelhantes não se repitam.
Flávio Dino abre investigação contra Eduardo Bolsonaro
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, em suas redes sociais, comunicou que determinou à Polícia Federal que faça análise dos discursos proferidos neste domingo em ato armamentista, realizado em Brasília. “Objetivo é identificar indícios de eventuais crimes, notadamente incitações ou apologias a atos criminosos”, disse ele.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




