Morte de Oscar Schmidt comove o esporte brasileiro

O ex-jogador Oscar Schmidt, maior ídolo do basquete brasileiro, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. O eterno camisa 14 da seleção passou mal, foi levado ao Hospital Municipal Santa Ana, mas não resistiu. A causa da morte não havia sido divulgada até a publicação desta matéria.

Em nota, a família informou que o velório e o enterro serão reservados a parentes e amigos. Também lembrou que Oscar enfrentou por mais de 15 anos a batalha contra um tumor cerebral, período em que virou, além de referência técnica, um símbolo de resistência para o esporte brasileiro.

A dimensão da perda é medida pelos números. Oscar disputou cinco Olimpíadas consecutivas, de Moscou-1980 a Atlanta-1996, somou 1.093 pontos e segue como maior cestinha da história dos Jogos. Também entrou para o Hall da Fama da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) e para o Hall da Fama do basquete dos Estados Unidos, mesmo sem ter jogado oficialmente na NBA.

A morte ocorreu nove dias depois de outra cena pesada em significado. Em 8 de abril, o Comitê Olímpico do Brasil eternizou Oscar no Hall da Fama de 2026, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Como ele se recuperava de uma cirurgia, o filho Felipe Schmidt recebeu a homenagem em seu lugar.

Foi Oscar quem ajudou a tirar o basquete do nicho e levar a modalidade para dentro da cultura popular brasileira. O ouro no Pan de Indianápolis, em 1987, a recusa em abandonar a seleção para jogar na NBA e a obsessão por pontuar fizeram do Mão Santa uma referência que atravessou gerações.

Fora das quadras, ele também tentou a política. Foi secretário municipal de Esportes e Lazer de São Paulo em 1997 e 1998, na gestão Celso Pitta, e concorreu ao Senado por São Paulo em 1998. Em entrevista ao SporTV, contou que sonhava chegar à Presidência da República; anos depois, a própria Prefeitura de São Paulo registrou uma frase que resume sua passagem pelo poder: “Eu nasci para o esporte, não para a política”.

A morte de Oscar encerra a vida de um personagem que não coube só na estatística. O Brasil perde um atleta que transformou arremesso em identidade nacional e ajudou a popularizar um esporte inteiro.

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