Professor Miranda morre aos 88 anos após marcar era histórica do Paraná Clube

O ex-presidente do Paraná Clube José Carlos de Miranda, o Professor Miranda, morreu aos 88 anos nesta sexta-feira (17), em Curitiba, após 101 dias de internação. Ele comandou o Tricolor no título paranaense de 2006 e na classificação inédita para a Copa Libertadores da América, dois dos marcos mais fortes da história do clube.

A morte foi confirmada pela família. Miranda estava internado no Hospital Marcelino Champagnat depois de um derrame pleural, acúmulo de líquido na membrana que envolve o pulmão, quadro que evoluiu com complicações. A causa da morte, segundo as informações divulgadas, foi choque séptico.

O velório será realizado neste sábado (18), a partir das 9h, na Igreja de São Sebastião do Porto de Cima, em Morretes. O sepultamento está marcado para as 17h, no mesmo local.

Professor Miranda presidiu o Paraná Clube entre 2004 e 2007, período em que o time viveu um de seus ciclos mais relevantes no futebol brasileiro. Em 2005, o clube terminou o Campeonato Brasileiro na sétima colocação e garantiu vaga na Copa Sul-Americana.

O ponto mais alto da gestão veio em 2006. Naquele ano, o Paraná conquistou o seu sétimo título estadual, ainda a última taça da elite levantada pelo clube, e carimbou vaga para a Libertadores, feito que levou o Tricolor ao principal torneio do continente.

Foi também sob sua administração que o clube consolidou o retorno à Vila Capanema. O projeto “Vila Tá na Hora” viabilizou a reforma do estádio Durival Britto e Silva com a venda antecipada de camarotes, recolocando o Paraná em sua casa histórica.

Outro movimento decisivo de Miranda foi a aposta em Caio Júnior para comandar o time em 2006. À época, a escolha gerou desconfiança dentro do clube, já que o treinador trabalhava como comentarista de rádio. A aposta, porém, virou acerto político e esportivo: Caio montou a equipe que colocou o Paraná na Libertadores.

A ligação de Miranda com o futebol paranaense vinha de antes da criação do Paraná Clube. Na década de 1980, ele presidiu o Colorado Esporte Clube, uma das agremiações que deram origem ao Tricolor.

Naquele período, ficou associado à montagem do elenco apelidado de “Seleboca”, tentativa de reunir nomes experientes para formar um time de impacto. A expectativa era alta, mas o projeto não entregou em campo o que prometia fora dele.

A reta final de sua passagem pelo Paraná, porém, não teve o mesmo brilho. Em 2007, depois da campanha que levou o clube às oitavas de final da Libertadores, o time acabou rebaixado no Campeonato Brasileiro.

A gestão também foi atravessada por crises administrativas e pelo chamado Caso Thiago Neves, que envolveu disputas judiciais e financeiras em negociações de atletas como o meia e outros jogadores do elenco. Anos depois, em 2015, clube e ex-dirigente firmaram acordo judicial para encerrar as pendências daquele período.

Fora do futebol, Miranda era professor de Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Também presidiu a Federação Paranaense de Handebol entre 1979 e 1986.

Em nota de pesar, o Paraná Clube destacou que Miranda teve papel central no título estadual de 2006, na classificação para a Libertadores e no retorno do time à Vila Capanema. O clube também lembrou sua passagem pelo Colorado antes da fusão que deu origem ao Tricolor.

A morte de Professor Miranda fecha um capítulo de memória forte para a torcida paranista. Ele esteve à frente do clube no último grande auge esportivo do Paraná, num momento em que o Tricolor ainda disputava espaço entre os protagonistas do futebol brasileiro.

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