O Blog do Esmael apurou que o comando da RPC, emissora afiliada da TV Globo no Paraná, virou um saci após os rumores de que seus jornalistas foram grampeados pelo espião marroquino Medhi Moazen, diretor de Inteligência da Controladoria Geral do Estado (CGE), que espionava para o governo Ratinho Junior (PSD).
Além de atuar como espião no Palácio Iguaçu, Medhi também é sócio-administrador da Gralha Tecnologia Segurança e Inteligência Ltda, segundo registro cadastral na Junta Comercial do Paraná.
Ele é meeiro de Matheus Almeida Vasconcelos Rocha na empresa de espionagem, varredura eletrônica e comércio de sistemas de segurança eletrônico.
A empresa do marroquino está registrada sob o CNPJ 38.342.613/0001-80 e opera no mercado desde a sua abertura em 04/09/2020, qual seja, há mais de 3 anos. [Clique aqui para ler o arquivo em PDF].
No registro, a Gralha tem como classificação econômica secundária “Atividades de monitoramento de sistemas de segurança eletrônico“.
Na internet [https://gralhatec.com.br/], o site apresenta a empresa como Gralha Tec e afirma possuir profissionais capacitados e com vasta experiência na segurança pública.

No rol de serviços apresentados, a Gralha Tec ainda oferece “serviço de contraespionagem [que] alia experiência e tecnologia na varredura de ambientes localizando grampos, gravadores, escutas e cameras ilegais”, diz o site, e “oferecemos também o serviço de consultoria para criação de salas seguras que utilizam os protocolos mais avançados de segurança mitigando as chances de vazamento de informações de empresas e chefes de estado.“
A empresa do espião marroquino fica na Avenida Cândido de Abreu, 526, no bairro Centro Cívico, em Curitiba.
Além de irritar a Globo, no Paraná, Medhi Moazen também teria contrariado a cúpula da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública, de acordo com apuração exclusiva do Blog do Esmael.
No começo do governo Ratinho Junior, diante das conversas correntes, as associações de oficiais da PM fizeram um ofício perguntando ao Palácio Iguçau se havia um sistema de inteligência com espionagem e a resposta foi um “não”.
No entanto, o caso do espião marroquino Medhi Moazen mostrou que o governo mentiu para os oficiais da PM.
A Polícia Federal (PF) investiga espionagem usando o programa israelense chamado “FirstMile”, que permite o rastreamento de até 10 mil movimentos de proprietários de telefones a cada 12 meses simplesmente digitando seus números de telefone no software, permitindo que eles vissem sua última localização conhecida em um mapa.
A suspeita é que foram monitorados ilegalmente profissionais de imprensa, deputados, prefeitos, vereadores, empresários, amantes, juízes de todas as instâncias, dentre outros.
Entidades dos movimentos populares e sindicais também suspeitam que sua luta contra as privatizações da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), bem como a guerra do pedágio, tenham sido monitoradas pelo araponga estrangeiro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




