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Lula cobra explicações sobre ilha de Richarlison; senador nega

O quarto e último bloco do debate da TV Globo, de tema livre e com oito minutos para cada candidato, virou uma troca de acusações sobre patrimônio e terminou com os dois pedindo o voto. O ponto alto foi o caso do atacante Richarlison: Lula (PT) afirmou que uma ilha comprada pelo jogador por R$ 10 milhões foi tomada por um advogado amigo de Flávio Bolsonaro (PL), que negou envolvimento. A votação é domingo (25).

Lula abriu o bloco com a pergunta. Disse que Richarlison comprou a ilha, entrou com pedido na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e esperou mais de um ano. Segundo ele, um advogado amigo do senador, que teria indicado o diretor do órgão, um coronel do Exército, obteve o título da propriedade em uma semana. “Eu queria que me explicasse como é que vocês tomaram a ilha”, disse.

Flávio Bolsonaro respondeu que a Justiça já analisou o caso e que a ação transitou em julgado. “Essa ilha nunca foi do Richarlison”, afirmou. Disse que William é um amigo, não um sócio, e que o advogado do jogador é o ex-ministro Eugênio Aragão.

Lula insistiu. Perguntou como uma pessoa consegue o título em uma semana enquanto a outra espera um ano sem ser comunicada. Flávio Bolsonaro chamou a versão de “coisa da sua cabeça” e disse que o jogador comprou a área de uma invasão de terra do MST. “A Justiça decidiu, eu não tenho nada a ver com isso”, afirmou.

O petista voltou ao tema pela terceira vez e perguntou se o coronel que dirigia o SPU foi indicado por Flávio Bolsonaro. Disse que determinou ao ministério que estude o caso e que, se a ação prosperar, o terreno será retomado e devolvido ao dono. O senador negou pela terceira vez.

Flávio Bolsonaro mudou de assunto e cobrou explicações sobre uma garrafa de whisky que, segundo ele, vale R$ 500 mil e foi dada a Lula por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “Qual é o sabor desse luxo?”, perguntou. “Qual foi a contrapartida que você prestou?”

Lula respondeu que o whisky “deve ter ido para a tua casa” e disse que o senador bebeu a bebida em julho de 2020, num barco em Brasília, no dia em que se discutia a compra da vacina contra a covid-19. Flávio Bolsonaro negou e chamou a versão de mentira.

A troca de acusações seguiu para o Banco Master. Lula disse que Vorcaro “corrompeu a República” e que o senador é amigo do banqueiro. Flávio Bolsonaro rebateu citando reportagem sobre um assessor do ministro Alexandre Padilha que teria articulado investimentos de fundos de pensão da Caixa, do Banco do Brasil e dos Correios no banco. Falou em R$10 bilhões investidos e R$ 1 bilhão de propina.

No fim, os dois trocaram acusações sobre patrimônio. Flávio Bolsonaro citou uma procuração do filho de Lula, a propriedade em São Paulo e o sítio de Atibaia. Lula desafiou o senador a abrir as contas bancárias dos dois na Justiça e perguntou como ele compra uma casa de R$ 10 milhões com salário de R$ 46 mil. Flávio Bolsonaro respondeu que trabalha como advogado e empresário há 24 anos e cobrou a abertura do sigilo do cartão corporativo.

Nas considerações finais, Lula agradeceu a paciência do eleitor, pediu que o público comparasse os gastos de cartão corporativo dos dois governos e disse que a eleição de domingo é a escolha entre a democracia e “um miliciano governando esse país”. Flávio Bolsonaro agradeceu a Deus, disse que Jair Bolsonaro está sendo “injustiçado” e assumiu três compromissos: não prometer o que não puder cumprir, devolver o poder de compra e lutar pela liberdade. Pediu voto em 22.

O apresentador informou que Flávio Bolsonaro pediu cinco direitos de resposta e todos foram negados. Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro mostrava empate de 50% a 50% nos votos válidos. O debate terminou com os dois candidatos apelando ao eleitor para o voto de domingo.