O terceiro bloco do debate da TV Globo, na noite desta sexta-feira, 23 de outubro, colocou Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em confronto direto sobre endividamento, ensino integral e segurança pública. O momento mais duro veio na última rodada, quando Lula citou a mãe da menina Ana Clara, de 5 anos, morta por um tiro de fuzil, e cobrou do senador explicações sobre o julgamento do policial acusado do disparo. A votação é domingo (25).
Flávio Bolsonaro abriu o bloco escolhendo o tema endividamento dos brasileiros. “Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora”, disse. Afirmou que mais de 80 milhões de brasileiros estão com contas atrasadas e que o governo gastou mais de R$ 405 bilhões para tentar se reeleger. “Antes o brasileiro parcelava um fogão, uma geladeira. Agora parcela o que tem dentro da geladeira”, afirmou.
O senador citou os 11 milhões de contratos imobiliários da Caixa Econômica Federal, que atingiriam 30 milhões de pessoas, e disse que a maior reclamação na ouvidoria do banco é que o saldo devedor não cai. Prometeu transformar a Caixa no “banco da prosperidade”, com financiamento para mulheres empreendedoras nas favelas. “Vai ser o Itaú das favelas, o Bradesco da periferia”, disse.
Lula respondeu com os programas de renegociação. Disse que o primeiro Desenrola atendeu 15 milhões de pessoas e o segundo, quase 16 milhões, e que o governo prepara um terceiro. Afirmou que a medida provisória já foi enviada e que um leilão neste mês pode chegar a R$ 150 bilhões para comprar dívidas dos bancos.
O petista também defendeu o perdão de dívidas de quase R$ 15 bilhões para 4 milhões de pessoas e a proibição das bets. Disse que as apostas viraram “um inferno” na vida das famílias e que o país assistiu a tentativas de suicídio e automutilação. “Nós vamos acabar com as bets para que sobre dinheiro para as pessoas viverem com a sua família dignamente”, afirmou.
No tema seguinte, Lula escolheu ensino integral, mas disse que “educação é mais do que ensino integral”. O apresentador insistiu que o tema do telão era o ensino integral, e o candidato fez a pergunta sobre as escolas de tempo integral.
Flávio Bolsonaro respondeu que Lula “zerou o orçamento federal para o ensino integral” e chamou o adversário de “pai do Tigrinho”. Disse que o presidente liberou os cassinos online e só cancelou perto da eleição. Lula rebateu que o Tigrinho foi criado em 2022, no governo Jair Bolsonaro, e que o senador é “filho do mesmo DNA”. “O Tigrinho foi seu pai que criou”, disse.
Na réplica, Lula listou programas educacionais: o Pé-de-Meia, a retomada de 5,6 mil creches paralisadas e a meta de 100% de escolas de tempo integral até o fim do próximo mandato. Criticou a criação das escolas cívico-militares e disse que o Pé-de-Meia reduziu a evasão escolar.
Flávio Bolsonaro negou que vá acabar com o Pé-de-Meia, prometeu auxílio-creche para mães sem vaga na rede pública e disse que vai ampliar o ensino técnico no contraturno, com tecnologia e inteligência artificial. Citou o reajuste de 33% aos professores no governo Jair Bolsonaro e afirmou que a nota do Brasil no Pisa é uma das piores da história.
Na rodada de segurança, Flávio Bolsonaro escolheu retomada de territórios. Criticou as saídas temporárias de presos, citou o assassinato do sargento Roger Dias, em Minas Gerais, e perguntou por que Lula não classifica o Comando Vermelho, o PCC e as milícias como organizações terroristas.
Lula respondeu citando Ana Clara. Disse que a mãe da menina acompanhava o debate no estúdio e perguntou por que um senador da República impede o julgamento de um policial que deu um tiro de fuzil em uma criança de 5 anos. “Que território é esse? O território da bala?”, disse.
Flávio Bolsonaro classificou a morte como “uma tragédia”, expressou solidariedade à mãe e afirmou que o policial ainda não foi julgado e que confia que o disparo não partiu dele. Prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações de “narco terroristas”, com penas de até 80 anos, e defender a redução da maioridade penal.
Lula rebateu com o passado do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Disse que Flávio Bolsonaro defendeu milicianos e que a mãe da vereadora Marielle Franco acompanhava o debate. Afirmou que o adversário quer “entregar o território” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O senador prometeu criar um ministério da segurança se a proposta de emenda à Constituição for aprovada e resumiu o programa: “O trabalhador proteção, o bandido cadeia”. O apresentador informou que o pedido de direito de resposta de Flávio Bolsonaro foi negado mais uma vez e encerrou o bloco.
Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro mostrava empate de 50% a 50% nos votos válidos. O caso Ana Clara levou a disputa para o quarto bloco, de tema livre.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




