Duas pesquisas nacionais divulgadas nesta quinta-feira, 24 de setembro, acrescentaram novas fotografias da eleição presidencial a dez dias do primeiro turno. Antes dos percentuais, há uma diferença essencial de método: o PoderData/Aya ouviu 3.000 eleitores de 20 a 23 de setembro, em 723 municípios das 27 unidades da Federação, com margem de erro de 1,8 ponto percentual; o Real Time Big Data entrevistou 2.000 eleitores de 19 a 23 de setembro, com margem de dois pontos. Os dois levantamentos trabalham com nível de confiança de 95%.
O PoderData/Aya realizou entrevistas por telefone fixo e celular pelo sistema de Unidade de Resposta Audível (URA), no qual o entrevistado responde pelo teclado do aparelho. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01739/2026. O Real Time Big Data informa entrevistas telefônicas e recrutamento digital, com registro BR-04202/2026. O estudo do Real Time custou R$ 30 mil e foi financiado pelo próprio instituto.
Só depois dessas diferenças metodológicas os percentuais podem ser colocados lado a lado. Eles não devem ser somados nem transformados em média, porque cada instituto produziu sua própria amostra e empregou seu próprio desenho de coleta.
No primeiro turno, os dois levantamentos registram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os mesmos 41%. A diferença aparece em Flávio Bolsonaro (PL): o PoderData/Aya registra 39%, enquanto o Real Time Big Data marca 37%.
No PoderData/Aya, Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, Renan Santos (Missão) com 3% e Ronaldo Caiado (PSD) com 2%. Romeu Zema (Novo), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC) têm 1% cada. Brancos e nulos somam 4%, enquanto 2% não souberam responder.
No Real Time Big Data, Augusto Cury também tem 6%, mas Renan Santos registra outros 6%. Caiado aparece com 2% e Zema com 1%. Os demais candidatos testados somam 1%. Brancos e nulos representam 3%, mesmo percentual dos entrevistados que não souberam ou não responderam.
A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro é de dois pontos no PoderData/Aya e de quatro pontos no Real Time Big Data. As publicações dos dois levantamentos classificam os respectivos resultados como empate técnico dentro de suas margens de erro.
A aproximação fica ainda mais evidente quando as pesquisas simulam um segundo turno entre os dois candidatos.
No PoderData/Aya, Flávio Bolsonaro registra 46% contra 45% de Lula. A diferença é de um ponto percentual, inferior à margem de 1,8 ponto. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 2% não souberam responder.
No Real Time Big Data, a ordem numérica é a mesma e a distância também é de apenas um ponto: Flávio Bolsonaro aparece com 45% contra 44% de Lula. Brancos e nulos representam 8%, e 3% não souberam ou não responderam. A margem do levantamento é de dois pontos percentuais.
Há, portanto, uma coincidência importante entre as duas fotografias divulgadas em 24 de setembro: os levantamentos colocam Lula numericamente à frente no primeiro turno, mas registram Flávio Bolsonaro um ponto à frente quando o confronto é reduzido aos dois candidatos no segundo turno. Em ambos os casos, as diferenças estão dentro das respectivas margens informadas pelos institutos.
O PoderData/Aya divulgou ainda o cálculo em votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos. Nesse recorte, Lula tem 43% e Flávio Bolsonaro, 42%. O Real Time Big Data não apresentou na cobertura consultada um cálculo equivalente de votos válidos, razão pela qual esse dado do PoderData não deve ser usado para produzir uma comparação direta entre os dois levantamentos.
As pesquisas também mediram a avaliação do governo Lula. O Real Time Big Data registra 52% de desaprovação e 45% de aprovação. Na avaliação qualitativa, 45% classificam a administração como ruim ou péssima, 22% como regular e 32% como ótima ou boa.
No PoderData/Aya, 50% desaprovam o governo e 41% aprovam. Na avaliação da gestão, 48% consideram o trabalho ruim ou péssimo, 16% regular e 33% ótimo ou bom. Mais uma vez, os números precisam permanecer dentro de cada metodologia, sem a criação de uma média entre os institutos.
A sequência reforça por que a reta final exige atenção ao método, e não apenas às manchetes. Uma pesquisa pode começar o campo em data diferente, ouvir mais ou menos eleitores e adotar outra forma de entrevista. A comparação mais segura continua sendo a evolução de cada instituto dentro de sua própria série.
O Blog do Esmael já havia publicado, nesta quinta-feira, 24 de setembro, a rodada do PoderData/Aya. A incorporação do Real Time Big Data à mesma análise evita duplicar duas matérias sobre a mesma intenção de busca e permite ao leitor enxergar, na mesma página, o que aproxima e o que diferencia as duas pesquisas.
Faltam dez dias para o primeiro turno de 4 de outubro. Até a votação, novas pesquisas ainda poderão medir movimentos do eleitorado. Cada levantamento será uma fotografia própria, condicionada ao período de campo, à amostra e ao método utilizado.
Acompanhe no Blog do Esmael as pesquisas presidenciais, a movimentação das campanhas e as decisões da Justiça Eleitoral na reta final das eleições de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




