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Presidente e senador têm 50% dos votos válidos cada um a três dias do segundo turno; nos votos totais, Flávio marca 47% contra 46% de Lula, em disputa que será decidida no domingo (25).
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) mostra empate rigoroso entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. Nos votos válidos, que excluem brancos e nulos, os dois candidatos aparecem com 50% cada um, a três dias do segundo turno das eleições de 2026. O resultado transforma a reta final da campanha em uma disputa sem vantagem estatística clara.
Nos votos totais, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 47%, contra 46% de Lula. Outros 5% dos entrevistados afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 2% estão indecisos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que impede tratar a diferença de um ponto nos votos totais como liderança consolidada.
O levantamento foi realizado entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), com 2.520 entrevistados, por encomenda da Folha de S.Paulo e da TV Globo. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026.
Flávio perde vantagem nas pesquisas do segundo turno
A sequência de levantamentos do Datafolha mostra uma redução gradual da vantagem de Flávio Bolsonaro desde o início da campanha do segundo turno.
Na primeira semana da disputa, o senador aparecia com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Na rodada seguinte, a diferença caiu para 51% a 49%. Agora, os dois candidatos chegam à igualdade de 50% a 50%.
A mudança é relevante porque o primeiro turno já havia produzido uma das disputas mais apertadas desde a redemocratização. Flávio terminou aquela etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, segundo os números apresentados pelo levantamento.
O novo resultado indica que a vantagem inicial do senador deixou de aparecer na estimativa central do instituto. Isso não significa, porém, que Lula tenha assegurado uma virada definitiva. Com a margem de erro de dois pontos, o cenário permanece aberto, e a pesquisa não permite antecipar o resultado das urnas.
Rejeição de 48% para cada candidato limita a disputa
Outro levantamento divulgado pelo Datafolha aponta que Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam o mesmo índice de rejeição: 48% dos entrevistados afirmam que não votariam em cada um deles.
O dado ajuda a explicar a dificuldade de ampliar o eleitorado na etapa final da campanha. Com rejeições equivalentes, a disputa depende também da capacidade de cada candidatura de mobilizar apoiadores, conquistar eleitores ainda indecisos e evitar a transferência de votos para a abstenção ou para opções inválidas.
Os 2% de indecisos nos votos totais representam uma parcela pequena da amostra, mas não esgotam as variáveis que podem influenciar o resultado. A participação eleitoral, a decisão de quem ainda considera votar em branco ou nulo e eventuais mudanças de última hora também entram na equação.
Debate e mobilização digital entram na reta final
A pesquisa foi realizada depois de uma sequência de movimentos importantes na campanha, incluindo o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro promovido pela Band no domingo (18). O confronto foi marcado por provocações, acusações e momentos de tensão, em uma disputa na qual os dois candidatos tentaram impor sua narrativa sobre o adversário.
Do lado de Lula, a campanha também investiu na mobilização digital, com o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Segundo as informações publicadas pela Folha, o canal alcançou 7 milhões de usuários.
O presidente ainda associou sua agenda eleitoral a medidas econômicas e trabalhistas, incluindo a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a antecipação de pagamentos do Bolsa Família. Flávio, por sua vez, concentrou parte da estratégia na campanha negativa contra o governo e na contestação das ações do adversário.
Esses movimentos compõem o contexto político da pesquisa, mas não permitem atribuir a mudança nos números a uma medida, debate ou episódio isolado. Para estabelecer relações de causa e efeito, seriam necessárias evidências adicionais.
Eleição de domingo permanece sem favorito estatístico
A igualdade nos votos válidos coloca Lula e Flávio Bolsonaro em condições numéricas equivalentes na estimativa central do Datafolha. O senador ainda aparece um ponto à frente nos votos totais, mas a diferença está dentro da margem de erro.
A pesquisa não prevê empate na apuração nem garante que cada candidato tenha exatamente metade dos votos válidos no resultado final. Ela retrata as intenções de voto captadas durante o período de entrevistas, sujeitas às incertezas próprias de qualquer levantamento amostral.
A votação está marcada para domingo (25). Até lá, o desafio das campanhas será converter intenção em voto efetivo, preservar suas bases eleitorais e disputar os últimos eleitores que ainda podem alterar o resultado.
O Datafolha oferece, portanto, um retrato de máxima competitividade: depois de começar o segundo turno em vantagem, Flávio chega aos últimos dias sem liderança nos votos válidos, enquanto Lula recupera terreno e alcança o empate. A decisão ficará para as urnas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




